HPV: data mundial reforça prevenção contra câncer do colo do útero
5 Mar, 2026
O câncer do colo do útero permanece como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil . De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) , a doença é a quarta causa de morte por neoplasia entre mulheres no país, com cerca de 7,2 mil óbitos por ano. Neste cenário, o Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV , celebrado nesta quarta-feira (4), reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A data integra as ações do Março Lilás e chama atenção para o papilomavírus humano (HPV) , principal responsável pelo desenvolvimento do câncer do colo do útero. A campanha destaca a informação e o acompanhamento regular como estratégias essenciais para reduzir os índices da doença. Dados do Inca mostram que as regiões Norte e Nordeste apresentam maior incidência e mortalidade acima da média global. Enquanto no mundo são registrados cerca de cinco óbitos a cada 100 mil mulheres, no Norte do Brasil a taxa chega a aproximadamente 10 por 100 mil. No Nordeste, o índice é de cerca de seis por 100 mil. Atenção aos sinais O câncer do colo do útero costuma ter evolução lenta e, nos estágios iniciais, geralmente não apresenta sintomas . Em fases mais avançadas, podem surgir sinais como sangramento vaginal fora do período menstrual, após relações sexuais ou na menopausa, além de corrimento persistente. Segundo o ginecologista André Buarque, da Hapvida, outros sintomas também exigem atenção. “Sangramento vaginal anormal, corrimento persistente, constipação, trombose em membros inferiores e insuficiência renal”, exemplifica. O especialista reforça que o cuidado preventivo deve fazer parte da rotina. “Mesmo na ausência de sintomas, é fundamental manter os exames em dia. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento eficaz, possibilitando desfechos favoráveis”, destaca. Ele ressalta ainda que o câncer se desenvolve a partir de lesões precursoras, chamadas de neoplasias intraepiteliais cervicais (NIC), que podem ser tratadas quando identificadas precocemente. Vacinação e exames A principal forma de prevenção é a vacinação contra o HPV , considerada a estratégia mais eficaz de proteção contra os tipos virais de maior risco. No Brasil, a imunização é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adolescentes de 9 a 14 anos. Além da vacina, o rastreamento regular é indispensável. O exame papanicolau segue como ferramenta fundamental para identificar alterações iniciais e ampliar as chances de tratamento bem-sucedido. Conscientização permanente As estimativas do Inca indicam cerca de 19.310 novos casos anuais no Brasil entre 2026 e 2028, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico. O Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV e a campanha Março Lilás são oportunidades estratégicas para mobilizar a população em torno do cuidado com a saúde. A orientação é manter a vacinação em dia, realizar exames periódicos e buscar atendimento médico diante de qualquer sinal de alerta. Informação, prevenção e diagnóstico precoce seguem como as principais ferramentas para reduzir os impactos do câncer do colo do útero no país.