Palmeiras é campeão do jeito que Abel gosta, mesmo sem agradar a torcida e muito menos os rivais
9 Mar, 2026
Veja a festa do título! Palmeirenses comemoram na Rua Caraíbas em SP Palmeirenses fecham o final de semana comemorando o 27° título Paulista. Crédito: Renan Pagliarusi/Estadão O time da virada e do amor foi campeão paulista pela 27a vez do jeito que Abel gosta - não necessariamente o torcedor do Palmeiras : na bola longa para o gol do título do Tigrinho contra o bravo Tigre de Novo Horizonte. Equipe de melhor campanha até perder os dois jogos para o Palmeiras que venceu os quatros do mata-mata. E segue sobrando em São Paulo como poucas vezes se viu desde 1902. A primeiro etapa em Novo Horizonte lembrou os tempos românticos do futebol, pelas poças que não eram visíveis, mas deixavam o jogo visivelmente truncado - o que não aconteceria no chamado “gramado de plástico” tão demonizado... Tanto que o Palmeiras abusou mais do que normalmente já abusa nas bolas longas e muitos passes errados. O Palmeiras não chegou a fazer 45% deles certos. Até porque deu várias bolas esticadas para a zaga do Novorizontino, que de novo mostrou suas qualidades. Confira a lista atualizada de clubes campeões do Paulistão depois do título do Palmeiras Quanto o Palmeiras ganha de premiação pelo título do Paulistão? Veja números PUBLICIDADE Marcou direitinho o Palmeiras, mas não teve criatividade para criar muita coisa no gramado enlameado. Na primeira chegada, o Palmeiras fez 1 a 0, aos 5. Bola bem cruzada por Andreas Pereira, num bate e rebate que sobrou para Marlon Freitas chutar na trave, e, no rebote, Murilo fazer um gol de coxa, encobrindo o bom goleiro Jordi. O jogo estava à feição do Palmeiras e parecia dominado. O Novorizontino só chegou numa bola cruzada para uma cabeçada por cima da meta de Carlos Miguel. Mas o excelente goleiro do Palmeiras falharia. Em outra bola cruzada, o gramado também não ajudou, e ele se atrapalhou sozinho. Matheus Bianqui empatou, aos 25. Publicidade O Palmeiras teria só mais uma chegada de perigo, em novo escanteio batido por Andreas Pereira, cabeçada firme de Marlon Freitas, defesaça de Jordi. E foi muito pouco, ainda menos pela qualidade do Palmeiras, que isolou demais Vitor Roque e Flaco López, não soube segurar a bola, não soube a trabalhar e esfriar o jogo. Ao menos soube segurar o Novorizontino, que com sua força física e com a sua força aérea, foi chegando. Mas não criou tantas chances para merecer algo além do empate no primeiro tempo. O investimento de um milhão de reais na escalação de Rômulo estava valendo, com qualidade e presença, flutuando dentro do que se podia flutuar num gramado tão molhado, entre Marlon Freitas e Andreas Pereira. Aquela questão tática que o Palmeiras apresentou em toda a temporada. Dupla ótima para construir, nem tanto para proteger e destruir. E com um meia-atacante movediço como Rômulo, Vinícius Paiva criando problemas pela esquerda para cima das limitações de Khellven, com Matheus Bianqui se juntando ao artilheiro Robson no comando de ataque, o Novorizontino criava problemas para o sistema defensivo palmeirense. Depois do intervalo, o Novorizontino voltou menos intenso. O Palmeiras trabalhou mais a bola. E, por ironia, o melhor time do Paulistão, e melhor paulista desde 2020, desempatou aos 16 do jeito que mais sabe jogar - e irritar: a bola longa; Carlos Miguel despachou pra frente, Flaco ganhou de casquinha, Jordi foi mal na dividida com Arias, e Vítor Roque foi o cara decisivo que é. Como o time de Abel consegue irritar quem não torce por tanto que vence. E apoquenta quem é palmeirense por tanto que nem sempre joga.