Moinhos buscam proteger-se de altas no preço do trigo

admin
9 Mar, 2026
O mercado de trigo no Sul do país registra movimento intenso, marcado por reação nos preços e maior atenção dos compradores diante do cenário internacional. Segundo análise da TF Agroeconômica, moinhos voltaram ao mercado tentando se proteger de possíveis altas, movimento influenciado pela experiência recente com o impacto da guerra na Ucrânia sobre as cotações globais.No Rio Grande do Sul, essa postura mais cautelosa dos compradores resultou em aumento da demanda e em volumes mais expressivos de negócios. Moinhos passaram a buscar produto para garantir abastecimento e chegaram a pagar cerca de R$ 1.250 por tonelada para trigo pão posto moinho. Também houve procura vinda de fora do estado, especialmente do Paraná e de Santa Catarina. Leia mais Crédito rural cresce 7% no Plano Safra 2025/2026 Colheita de soja avança, mas segue ritmo mais lento desde 2020 Um recorde ruim para o agronegócio Do lado da oferta, produtores que precisam liberar espaço aproveitaram para negociar, enquanto aqueles com maior capacidade de armazenamento preferem segurar o produto na expectativa de preços mais altos.No porto, apareceu comprador para a safra futura 2026/27 a R$ 1.200, segundo a TF. No mercado externo, o trigo com 12,5% de proteína estava ao redor de US$ 232 por tonelada no FOB Rio Grande. No interior gaúcho, o preço da pedra ao produtor subiu para R$ 55 por saca em Panambi.Em Santa Catarina, a semana foi considerada estável, com negócios pontuais e volumes reduzidos. Lotes de trigo melhorador foram negociados a R$ 1.250 FOB e cerca de 150 toneladas de trigo tipo 2 saíram a R$ 1.050. Moinhos seguem comprando principalmente produto gaúcho. Para a próxima safra, produtores relatam possibilidade de redução da área de trigo, com migração para o milho, embora eventual valorização possa alterar essa decisão. Os preços de balcão permaneceram entre R$ 59 e R$ 64 por saca nas principais praças do estado.No Paraná, os preços mostraram recuperação, embora o ritmo de negócios ainda seja considerado lento. Houve registros de negociações a R$ 1.250 FOB no Norte do estado, com ofertas chegando a R$ 1.300. Na região de Curitiba, operações ocorreram entre R$ 1.280 e R$ 1.290 CIF. No Oeste, o movimento foi mais fraco devido à competitividade do trigo paraguaio. Já o produto gaúcho foi negociado na região entre R$ 1.170 e R$ 1.180 CIF.