Tecnologia usa sal e eletricidade para substituir geladeiras
14 Mar, 2026
Imagem gerada por IA Tecnologia usa sal e eletricidade para substituir geladeiras Uma nova tecnologia pode mudar completamente a forma como geladeiras , ar-condicionados e outros sistemas de refrigeração funcionam no futuro. Conhecido como resfriamento ionocalórico , o método propõe reduzir temperaturas utilizando sais e eletricidade, com potencial para substituir técnicas atuais por um processo mais seguro e menos prejudicial ao meio ambiente. As informações são da revista Science. Nos sistemas tradicionais de refrigeração, o calor é removido de um ambiente por meio de um fluido que evapora e se transforma em gás ao absorver energia térmica. Esse gás percorre um circuito fechado e, posteriormente, se condensa novamente em líquido, liberando o calor para fora do sistema. Embora esse mecanismo seja eficiente e amplamente utilizado, muitos dos refrigerantes empregados nesses equipamentos, como certos gases industriais, apresentam alto impacto ambiental. Science Tecnologia usa sal e eletricidade para substituir geladeiras Mudança de fase para gerar frio Pesquisadores vêm estudando outras maneiras de fazer materiais absorverem e liberarem calor. Um método apresentado em 2023 por cientistas do Lawrence Berkeley National Laboratory e da University of California, Berkeley explora a energia envolvida nas mudanças de fase de um material, como quando o gelo passa do estado sólido para o líquido. Quando um bloco de gelo derrete, por exemplo, ele absorve calor do ambiente ao redor, o que provoca um efeito de resfriamento. Esse fenômeno, embora comum, nem sempre é percebido facilmente no dia a dia. Uma forma de fazer o gelo derreter sem aumentar a temperatura é adicionar íons, partículas eletricamente carregadas. Um exemplo cotidiano é o uso de sal nas estradas durante o inverno para impedir a formação de gelo. Como funciona o ciclo ionocalórico O chamado ciclo ionocalórico utiliza justamente esse princípio. No sistema, sais são adicionados a um fluido para alterar seu ponto de fusão e provocar a mudança de fase necessária para absorver calor do ambiente. De acordo com o engenheiro mecânico Drew Lilley, do laboratório Lawrence Berkeley, encontrar refrigerantes ideais ainda é um desafio. Segundo ele, ainda não existe uma solução que reúna todos os requisitos: eficiência, segurança e baixo impacto ambiental. “O cenário dos refrigerantes ainda é um problema sem solução. Ninguém conseguiu desenvolver uma alternativa que resfrie de forma eficiente, seja segura e não prejudique o meio ambiente”, afirmou o pesquisador. Resultados promissores em laboratório Para testar o conceito, os cientistas criaram modelos teóricos do ciclo ionocalórico e avaliaram seu desempenho. No sistema, uma corrente elétrica movimenta os íons, alterando o ponto de fusão do material e, consequentemente, a temperatura. Em experimentos práticos, a equipe utilizou um sal composto por iodo e sódio para derreter carbonato de etileno, um solvente orgânico comum também presente em baterias de íons de lítio. Esse composto pode ser produzido a partir de dióxido de carbono, o que abre a possibilidade de que o sistema tenha potencial de aquecimento global zero ou até negativo. Durante os testes, os pesquisadores registraram uma variação de temperatura de cerca de 25 °C com a aplicação de menos de um volt de carga elétrica, desempenho superior ao alcançado por outras tecnologias calorimétricas desenvolvidas até agora. Três fatores decisivos Para o engenheiro mecânico Ravi Prasher, também do laboratório Lawrence Berkeley, o desenvolvimento de novas tecnologias de refrigeração precisa equilibrar três fatores principais: impacto climático do refrigerante; eficiência energética; custo dos equipamentos. “Desde o primeiro experimento, nossos dados parecem muito promissores nesses três aspectos” , explicou. Pressão internacional por alternativas Atualmente, a maioria dos sistemas de refrigeração utiliza gases como hidrofluorocarbonos (HFCs), que têm alto potencial de aquecimento global. Países que aderiram à Kigali Amendment se comprometeram a reduzir a produção e o consumo desses gases em pelo menos 80% ao longo dos próximos 25 anos. Tecnologias alternativas, como o resfriamento ionocalórico, podem ter papel importante nessa transição. Próximo passo: sair do laboratório Apesar dos resultados promissores, o método ainda está em fase experimental. Agora, os cientistas trabalham para transformar o conceito em sistemas práticos que possam ser produzidos em escala comercial. A expectativa é que, no futuro, equipamentos baseados nesse princípio possam ser usados não apenas para resfriamento, mas também para aquecimento. Pesquisas recentes continuam testando diferentes tipos de sais para descobrir quais combinações são mais eficientes na remoção de calor. Em 2025, um grupo internacional publicou resultados de uma versão altamente eficiente do sistema usando sais à base de nitrato, reciclados com campos elétricos e membranas. Para os cientistas, esses avanços indicam que o conceito tem potencial real. Leia também Com Toffoli, 2a Turma do STF vai analisar prisão de Vorcaro Chuvas fortes atingem três regiões nesta sexta-feira (13) Exposição revela últimos instantes das vítimas de Pompeia “Criamos um novo ciclo termodinâmico que reúne elementos de diferentes áreas e mostramos que ele pode funcionar”, afirmou Prasher. “Agora é hora de realizar novos experimentos e testar diferentes materiais e técnicas para superar os desafios de engenharia.” Se quiser, também posso criar uma segunda versão com título mais sensacionalista (estilo portal viral), algo que costuma gerar mais cliques em matérias de ciência e tecnologia.