Uma Segunda Chance é comovente, bem construído e clichê
18 Mar, 2026
O filme Uma Segunda Chance (2026) é baseado no livro do mesmo nome da autora Colleen Hoover. O enredo tem como protagonista Kenna, ex-presidiária que retorna à sua cidade natal depois de 5 anos em cárcere para conhecer sua filha, Diem. Ao longo da narrativa, a personagem vive um romance nascente com o melhor amigo de seu ex-namorado e tenta se reconciliar com os avós de Diem. Feridos pela morte trágica de seu filho, os pais de Scotty (ex-namorado de Kenna) culpam a protagonista pelo acidente. Este é o maior ponto de conflito do filme, colocando o luto dos avós de Diem contra a necessidade de reconexão de Kenna. Ao longo da trama, Ledger, melhor amigo de Scotty, se apaixona por Kenna e descobre quem ela é verdadeiramente. A direção brilha quando mostra as florestas de pinheiro da cidade interiorana onde o filme se passa. Além de visualmente bonitos, estes planos constroem muito bem o sentimento de “cidade pequena” atrelado ao enredo. A primeira cena em que o casal principal se beija não cria tensão o bastante para que o momento fosse crível, resultando em uma sensação de artificialidade no início do relacionamento. Porém, depois do gargalo, o romance segue um crescimento natural e satisfatório. Durante o filme, Kenna interage pelo menos uma vez com todos os personagens secundários, explorando suas personalidades e pontos de vista sobre o conflito central. Nenhum coadjuvante é deixado de lado e todos tem algo a acrescentar à obra — mesmo se só por uma cena. A protagonista guia a história pelo sua vontade singular de conviver com sua filha. É possível compartilhar de sua dor, tanto como do resto dos personagens. Uma Segunda Chance é uma história sobre se curar após um trauma gigantesco. Isso se aplica aos personagens centrais e também às subtramas do enredo. Ao todo, a obra é focada em todo momento neste tema. A atuação de Maika Monroe (Kenna) é convincente, mas nada além disso. Ela cumpre seu papel e dá credibilidade para os momentos mais emocionais do filme. Tyriq Withers (Ledger) é simpático e carismático, mas também nada extraordinário. Ambos os atores complementam o enredo e dão profundidade para os personagens. Em sua totalidade, o enredo é bem construído de cabo a rabo, sem pontas soltas no conflito central. Colleen Hoover consegue traduzir seu romance no roteiro muito bem. Em conclusão, o filme é intimista e vulnerável. Seu pecado é não ousar mais, assim acaba caindo em clichês do gênero. Mesmo assim, a obra consegue ser tocante. O post Uma Segunda Chance é comovente, bem construído e clichê apareceu primeiro em Bem Paraná .