Presidente do São Paulo defende volta da torcida visitante em clássicos: ‘Valorização do espetáculo’
18 Mar, 2026
Futebol arte | Tony Ramos fala da paixão pelo São Paulo e conta qual time marcou sua memória Ator é o primeiro convidado da série que vai mostrar a relação entre artistas e seus clubes de coração. Crédito: Leonardo Catto (reportagem), João Abel (edição) e Vitor Zanon (imagens) O presidente do São Paulo, Harry Massis Júnior, endossou o fim da torcida única em clássicos no Estado. Após uma proposta pelo fim gradual da medida ser apresentada às autoridades, o dirigente falou publicamente para defender o retorno dos visitantes aos estádios paulistas. A proibição foi implementada em 2016 pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) depois de conflitos entre palmeirenses e corintianos, que deixaram um morto e dezenas de feridos. A medida passou a valer para clássicos dos quatro grandes (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) e para o Dérbi Campineiro, entre Guarani e Ponte Preta. “O retorno da torcida visitante nos clássicos em São Paulo é uma medida importante para a valorização do espetáculo no estado. Hoje, temos mecanismos dentro e fora dos estádios para garantir a segurança da torcida”, defende Massis. “A consolidação do reconhecimento facial, a instalação de câmeras de segurança e o controle rígido na comercialização de ingressos nos ajudam a imaginar que a proibição está chegando ao fim. A decisão será tomada pelo Ministério Público e pela Polícia Militar, mas sabemos a importância de ter o torcedor ao nosso lado e faremos todos os esforços para colaborar com as autoridades”, complementa. A proposta apresentada à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol foi elaborada pelo advogado Renan Bohus da Costa, com atuação especializada em Direito do Torcedor e gestão jurídica de eventos esportivos. Ele trabalha junto à Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que representa as agremiações desde 2014. No documento ao qual o Estadão teve acesso, é sugerida a realização de jogos-testes com participação controlada de visitantes. Inicialmente, eles representariam até 10% da capacidade do estádio. “Número compatível com padrões internacionais de segurança e suficiente para avaliação técnica dos impactos operacionais, sociais e de segurança pública”, diz a proposta. O setor visitante teria ingressos com prioridade para sócios e membros cadastrados de torcidas organizadas, mediante identificação prévia. Como já é feito em outros jogos, os setores visitante e mandante seriam previamente delimitados e articulados com rotas logísticas seguras. Os testes seriam apenas em estádios que contam com a tecnologia de reconhecimento facial, obrigatória em arenas com mais de 20 mil lugares desde junho de 2025, conforme a Lei Geral do Esporte. Dois exemplos são citados como casos de sucesso. O mais recente é a Supercopa Rei deste ano, em que o Mané Garrincha, em Brasília, foi dividido pelas torcidas de Corinthians e Flamengo. Em 2023, pelo mesmo torneio, São Paulo e Palmeiras dividiram o Mineirão. O movimento vai na contramão do que a Justiça de São Paulo discutiu no fim de 2024, após uma emboscada de palmeirenses a cruzeirenses, no quilômetro 65 da rodovia Fernão Dias, em Mairiporã (SP). Um torcedor do time mineiro foi morto. Depois disso, o Juizado Especial de Defesa do Torcedor do Tribunal de Justiça de São Paulo discutiu estender a imposição de torcida única para clássicos do futebol nacional. A proposta era aplicar a medida para Palmeiras x Flamengo e Palmeiras x Cruzeiro, sempre quando o time alviverde for o mandante e esses jogos ocorrerem na capital paulista, mas não houve avanço.