Governo Trump processa Harvard por suposta falha em proteger estudantes judeus
20 Mar, 2026
247 - O governo de Donald Trump acionou judicialmente a Universidade Harvard nesta sexta-feira (20), acusando a instituição de não proteger estudantes judeus e israelenses. A ação foi apresentada em um tribunal federal de Boston e busca a recuperação de bilhões de dólares em recursos públicos. Segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Harvard teria sido "deliberadamente indiferente" a casos de assédio envolvendo esses estudantes, informa a agência Reuters. A denúncia afirma que Harvard teria deixado de aplicar suas próprias regras quando as vítimas eram judeus ou israelenses. O texto afirma que essa conduta transmitiu a mensagem de exclusão e negação de acesso igualitário às oportunidades educacionais. A ofensiva judicial faz parte de uma estratégia mais ampla do governo Trump contra grandes universidades do país. O presidente tem criticado essas instituições por suposta tolerância ao antissemitismo e por, segundo ele, promoverem ideologias da "esquerda radical", ao mesmo tempo em que ameaça restringir o repasse de verbas federais. Resposta de Harvard Em resposta, Harvard informou que irá contestar o processo e classificou a ação como "mais uma medida retaliatória". A universidade afirmou que não aceitará interferência do governo federal em sua gestão. A instituição também declarou que adotou medidas para enfrentar o antissemitismo no campus, incluindo ampliação de treinamentos, revisão de procedimentos disciplinares e adoção de definições internacionais sobre o tema. "Harvard se preocupa profundamente com membros de nossa comunidade judaica e israelense", afirmou um porta-voz, acrescentando que as ações implementadas demonstram o oposto de qualquer indiferença. Outras universidades também têm sido alvo de questionamentos semelhantes desde o início do genocídio promovido por Israel em Gaza. Entre elas está a Universidade Columbia, que concordou em pagar US$ 220 milhões para restabelecer financiamento federal para pesquisas. O Departamento de Justiça também processou o sistema da Universidade da Califórnia por supostos episódios de antissemitismo na unidade da Universidade da Califórnia em Los Angeles. A maior parte da ação contra Harvard retoma acusações anteriores, sem apresentar novos episódios. O governo sustenta que a conduta da universidade viola a Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação em programas financiados com recursos federais. Disputa judicial A disputa ocorre semanas após o governo indicar que buscava um acordo de até US$ 1 bilhão com a universidade em investigações sobre suas políticas internas. Em outra frente, a administração também acusa Harvard de não apresentar documentos em apuração sobre possível viés contra candidatos brancos em seu processo seletivo. O caso foi distribuído ao juiz Richard Stearns, nomeado pelo ex-presidente Bill Clinton. A ação pede a devolução de recursos federais recebidos durante o período de suposta irregularidade, a suspensão de novos repasses e a nomeação de um monitor independente para supervisionar o cumprimento das regras. A procuradora-geral Pamela Bondi afirmou que o processo reforça a posição do governo diante de supostos casos de antissemitismo em instituições de ensino. "Desde 7 de outubro de 2023, muitas instituições permitiram que o antissemitismo florescesse no campus", disse. A relação entre a Casa Branca e Harvard já acumula disputas judiciais. Em setembro do ano passado, a juíza Allison Burroughs decidiu que o governo havia cancelado de forma ilegal mais de US$ 2 bilhões em recursos de pesquisa da universidade. Meses antes, ela também barrou uma tentativa de impedir a presença de estudantes internacionais na instituição.