CJ do Corinthians aponta vício e ilegalidade em reunião convocada por Stabile para afastar Tuma
21 Mar, 2026
CJ do Corinthians aponta vício e ilegalidade em reunião convocada por Stabile para afastar Tuma Na última sexta-feira, a Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians encaminhou um ofício ao presidente Osmar Stabile no qual se manifesta contrária à convocação feita pelo dirigente para deliberar e votar o afastamento de Romeu Tuma Júnior, presidente do CD. A sessão foi agendada para esta segunda-feira, às 18h. A informação é do Meu Timão. Segundo o documento ao qual a reportagem teve acesso, o órgão se baseia em três pilares para justificar a posição contrária à realização da reunião convocada por Stabile: vício de competência e ilegalidade, violação estatutária e risco intervenção judicial no clube. O ofício é assinado pelo presidente da Comissão, o conselheiro Corinto Baldoino Parreira e Costa, além dos membros Alexandre Silveira, André Moreno e Fausto Di Toti. A única ausência é a de José Luiz Cecílio, quinto integrante do órgão, que foi criado por Romeu Tuma Júnior em setembro de 2025. No entendimento da Comissão, o edital foi escrito e determinado unilateralmente pela diretoria executiva, presidida por Osmar Stabile, o que representaria, segundo o órgão, uma usurpação de sua competência. De acordo com o parecer, o Estatuto Social reserva aos órgãos de controle e ao próprio Conselho Deliberativo a prerrogativa de deliberar sobre o afastamento de seus membros. Outro ponto destacado é a suposta violação do devido processo estatutário. A CJ argumenta que uma tentativa de afastamento sumário do presidente do CD, Romeu Tuma, desconsideraria o rito de instrução da Comissão de Ética e Disciplina (CE) e os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Vale lembrar que, nos últimos dias, antes de convocar a reunião, Stabile chegou a encaminhar um pedido de afastamento parcial de Tuma à CE. No entanto, o processo ainda não entrou em tramitação, já que o documento foi protocolado recentemente. O documento também aponta risco de intervenção judicial. A CJ alerta que o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) já demonstrou ciência sobre o que classificou como um “ato administrativo irregular”. Segundo o parecer, a insistência na realização da sessão poderia expor o clube ao risco de medidas judiciais, no contexto do Inquérito Civil no 695.708/2025. Nos últimos dias, associados do Corinthians encaminharam ao MP-SP uma denúncia apontando possíveis ilegalidades na convocação realizada por Stabile. O documento foi recebido pelo promotor Cássio Conserino, que analisou o caso. No despacho, Conserino afirmou não possuir atribuição direta sobre a esfera administrativa do clube. Ainda assim, destacou que os fatos podem dialogar com investigações já em andamento envolvendo gastos das gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. Diante disso, determinou o encaminhamento da denúncia à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, responsável pelo inquérito civil que avalia a possibilidade de intervenção judicial no Corinthians. Apesar de a sessão estar prevista para a próxima segunda-feira, como soube o Meu Timão, até o fim da última sexta-feira a reunião não constava na programação oficial do Conselho Deliberativo e sequer havia passado pela secretaria do órgão. A movimentação também encontra resistência em parte das alamedas do Parque São Jorge, como associados e conselheiros. Lideranças do CD, como o próprio Romeu Tuma Júnior e o vice-presidente do órgão, Leonardo Pantaleão, já se manifestaram apontando irregularidades na convocação, com base no artigo 82, inciso II, do Estatuto, que atribui exclusivamente ao presidente do Conselho Deliberativo a competência para convocar o colegiado. Pantaleão, inclusive, afirmou que não pretende comparecer à votação. Segundo o próprio, ele tem sido pressionado e ameaçado para que conduzisse a sessão, já que Stabile solicitou o impedimento de Tuma para liderar a reunião justamente por se tratar de uma votação sobre o possível afastamento do próprio presidente do CD. Na última sexta-feira, o próprio Romeu Tuma Júnior também se manifestou oficialmente e classificou como irregular a convocação feita por Osmar Stabile para deliberar sobre o impeachment da presidência do Conselho Deliberativo. A reunião foi marcada para acontecer no Teatro do Parque São Jorge. De acordo com o despacho ao qual o Meu Timão teve acesso, Tuma argumenta que a iniciativa contraria o funcionamento estatutário do Conselho. Segundo ele, a próxima reunião oficial do colegiado está prevista apenas para o dia 27 de abril, quando será realizada a votação das contas referentes ao exercício de 2025 da gestão de Osmar Stabile, que assumiu a presidência após o impeachment de Augusto Melo, em maio. Relembre o caso No último dia 9 de março, antes da votação do anteprojeto de reforma do Estatuto do Corinthians, Osmar Stabile, presidente do clube, pediu a palavra no Conselho Deliberativo (CD) e afirmou estar sendo ameaçado e coagido por Romeu Tuma Júnior. Segundo o presidente da diretoria, Tuma teria tentado interferir na gestão. “Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: ‘ou você faz o que eu quero ou eu vou te f**er’. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso, além de outras interferências”, declarou Stabile, afirmando ainda possuir documentos que comprovariam pedidos de atualização sobre suas ações na gestão. A pedido do dirigente, o diretor de negócios jurídicos, Pedro Luis Soares, também foi ao púlpito e confirmou o relato, dizendo que o episódio ocorreu durante um jantar informal no Parque São Jorge. Na sequência, Tuma rebateu e acusou a atual gestão de recontratar Aldair Borges, segurança citado em depoimentos na Polícia Civil por permitir a invasão de torcedores no clube em maio de 2025. O conselheiro afirmou que levaria o caso à imprensa caso nenhuma providência fosse tomada. As falas provocaram reação entre os conselheiros e geraram um princípio de tumulto, que interrompeu a reunião por cerca de dez minutos. Depois disso, a presidência do Conselho decidiu aplicar o artigo 45 do Estatuto e encaminhar a votação do anteprojeto diretamente para a Assembleia Geral (AG) dos sócios, alegando que o CD não desejaria deliberar sobre o tema. A AG, inclusive, foi agendada para o dia 18 de abril e rendeu duras críticas do Conselho de Orientação (Cori). Dias depois, Osmar Stabile encaminhou um pedido de afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior para a Comissão de Ética e Disciplina (CD) do clube, presidida por Leonardo Pantaleão. O caso ainda está sob apuração do órgão, já que o envio foi recente. Porém, na última quarta-feira, Stabile convocou uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para deliberar e votar o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do órgão. Segundo edital publicado no site oficial do Corinthians, a sessão está marcada para o dia 23 de março, no Teatro do Parque São Jorge, com primeira chamada às 18h e segunda às 19h. A convocação tem como base o artigo 112, item 6, do Estatuto, que prevê a realização de reuniões extraordinárias em casos considerados urgentes e relevantes. No documento, Stabile argumenta haver necessidade de análise imediata diante de denúncias de conduta irregular, da existência de processo disciplinar em curso e dos desdobramentos da reunião do último dia 9 de março, quando a votação da reforma do Estatuto foi interrompida e posteriormente encaminhada à Assembleia Geral. O pedido de afastamento provisório se apoia em acusações de ameaças, assédio e interferência no andamento dos trabalhos da diretoria executiva. O edital também menciona a existência de provas testemunhais e documentais, além de uma representação disciplinar protocolada na Comissão de Ética e Disciplina, acompanhada de boletim de ocorrência e de um pedido de suspensão liminar do cargo. Segundo edital publicado no site oficial do clube, a sessão está marcada para o dia 23 de março, no Teatro do Parque São Jorge, com primeira chamada às 18h e segunda às 19h. A convocação tem como base o artigo 112, item 6, do Estatuto do Corinthians, que permite a realização de reuniões extraordinárias em casos considerados urgentes e relevante.