Como um jovem investidor cristão inglês está salvando igrejas no Reino Unido

admin
22 Mar, 2026
Uma mudança na legislação fiscal está fazendo com que várias igrejas tenham que fechar as portas no Reino Unido. O motivo é a falta de recursos para obras de reparo e restauração. Para evitar que esses templos sejam demolidos ou readequados para outros usos, um investidor imobiliário cristão está destinando parte de sua fortuna para salvar essas igrejas. O responsável por essa ação é Samuel Leeds. Ele ganhou destaque na imprensa britânica em 2023, quando, aos 25 anos de idade, já havia acumulado milhões em patrimônio no mercado imobiliário. Com menos de 30 anos, Leeds também é dono de uma empresa de investimentos, autor de vários best-sellers na área e oferece cursos e treinamentos educacionais sobre o setor imobiliário. Em postagens em suas redes sociais [https://x.com/samuel_leeds/status/2030236928499417577], o jovem investidor revelou o objetivo de sua missão pessoal de adquirir, restaurar e reabrir igrejas fechadas em todo o Reino Unido. Em um vídeo curto, Leeds disse estar cansado de assistir a incorporadores “fazendo fila” para comprarem igrejas fechadas para convertê-las em apartamentos. “Eu não posso deixar que uma construção que foi erguida para glorificar Jesus seja transformada em qualquer outra coisa só para gerar lucro. Por isso eu estou fazendo uma oferta de 225 mil libras para comprar essa igreja e oferecê-la, livre de quaisquer cobranças, aluguel zero, para quem estiver preparado para seguir adorando a Jesus”, explicou. Igrejas precisam ajudar os pobres e não só ser um local de missas Leeds faz algumas exigências para os possíveis interessados em assumir a antiga Igreja Metodista de Darlaston em Wednesbury, West Midlands. Segundo ele, não se trata só de realizar cultos aos domingos, mas também alimentar a quem tem fome, vestir aqueles que não têm roupas e abrigar aqueles que não têm uma casa. “Essas igrejas prosperavam e ajudavam a comunidade. Essa de Darlaston, oferecia grupos de apoio às mulheres, um clube de homens que cozinhava sopa para os sem-teto. É isso de que precisamos, de mais cozinhas abertas para os pobres”, completou. O investidor ainda reforça sua postura de renúncia a qualquer ganho financeiro no processo, afirmando que não se importa com o quão lucrativos esses imóveis poderiam ser após a “conversão”. Ele disse que não está fazendo nenhum tipo de arrecadação de fundos, e pediu para que interessados em colaborar possam doar dinheiro às igrejas locais. Ameaça às igrejas no Reino Unido aumentou após mudanças nos impostos As igrejas históricas do Reino Unido enfrentam uma ameaça existencial sem precedentes devido a mudanças fiscais implementadas pelo governo. A principal mudança ocorreu no Listed Places of Worship Grant Scheme [https://listed-places-of-worship-grant.dcms.gov.uk/], um fundo de financiamento que há mais de duas décadas permitia que instituições religiosas recuperassem o valor total do imposto de 20% pago em reparos essenciais nos templos. Atualmente, as novas regras introduziram um teto anual de £25 mil por igreja para esses reembolsos, uma medida que poderá acelerar o ritmo de deterioração e fechamento de templos que já sofrem com orçamentos apertados. O impacto financeiro vem sendo sentido especialmente em projetos de restauração de grande escala em edifícios centenários. Sem o reembolso integral do imposto, muitas paróquias viram-se obrigadas a assumir custos extras que tornam as obras inviáveis. Um exemplo emblemático é a Igreja St Mary Magdalene em Newark-on-Trent, no condado de Nottinghamshire. A construção gótica passou por três grandes reconstruções, a primeira delas no ano 1180. Com mais de 900 anos, vinha sendo considerada de alto risco para os fiéis. Goteiras obrigavam os fiéis a dividirem espaço com cerca de 60 baldes utilizados para coletar a água da chuva que caía na parte interna da igreja. A Igreja de Santa Maria Madalena, em Newark, teve um prejuízo de mais de meio milhão de libras por conta da mudança nos impostos cobrados das igrejas no Reino Unido. Para manter os serviços em um nível mínimo de segurança, as obras de renovação na igreja incluíram trabalhos externos em grande altura, além da substituição de caldeiras, banheiros, reformas na cozinha e no sistema de aquecimento sob os bancos para os fiéis. A mudança fiscal veio quando as obras já tinham começado, e o pagamento, que antes era isento de impostos, passou a ser taxado de uma hora para outra. O resultado é um rombo de £600 mil nas contas da igreja. Igrejas fazem o governo do Reino Unido economizar bilhões no orçamento de saúde À imprensa local, o reverendo Danny Marshall demonstrou sua preocupação com a mudança abrupta. Segundo ele, partes da obra que já eram tidas como certas tiveram que sair da reforma por falta de orçamento. “Ficou caro nos dois sentidos, porque nós tivemos que tirar partes importantes da construção e correr atrás de novas formas de financiar a obra”, disse. O religioso lembrou que as igrejas “não funcionam apenas aos domingos”, e que sua atuação poupa cerca de £8,5 bilhões todos os anos do orçamento público de saúde do Reino Unido. Além do espaço de adoração e culto, os templos oferecem serviços vitais como bancos de alimentos, espaços de acolhimento para pessoas vulneráveis e grupos de apoio como Alcoólicos Anônimos. Dados da organização National Churches Trust [https://www.nationalchurchestrust.org/] mostram que nos últimos 10 anos cerca de 3,5 mil igrejas fecharam as portas no Reino Unido – 500 delas só em 2025. Projeções indicam que outras 2.000 podem encerrar atividades nos próximos cinco anos devido à essa pressão fiscal. Governo britânico vai abrir novo fundo para reforma de igrejas O governo britânico destinou um orçamento de £23 milhões no fundo Listed Places of Worship Grant Scheme para ser utilizado em 2026, mas o dinheiro já acabou. O programa está atualmente fechado para novas inscrições, o que deixou muitas paróquias sem suporte financeiro imediato para reparos urgentes. Um novo plano de financiamento, o Fundo de Renovação de Locais de Culto (Places of Worship Renewal Fund), foi criado pelo governo do Reino Unido para substituir o antigo formato. O novo fundo contará com um montante de £92 milhões destinado a auxiliar na preservação e reparo de edifícios religiosos a partir de 2027. Ironicamente, esta crise financeira ocorre em um momento de crescimento da fé entre os jovens britânicos. Segundo o instituto de pesquisas YouGov, a crença em Deus entre jovens de 18 a 24 anos quase triplicou em três anos, atingindo 45% em 2025. Para o jovem investidor Samuel Leeds, esse crescente avivamento da fé entre os mais jovens exige uma preparação maior por parte das igrejas, o que justificaria sua missão de comprar e reabilitar os templos. “O país precisa estar preparado para esse crescimento. Por isso é preciso garantir que haja locais de adoração, mas também espaços para ajudar os pobres e assim construir um país melhor”, resumiu.