Presidente da Cemig defende modelo de corporação para empresa
23 Mar, 2026
O presidente da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), Reynaldo Passanezi, afirmou em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN Infra , que vê o modelo de corporação como um caminho para destravar valor e ampliar a capacidade de crescimento da companhia. A proposta, defendida pelo governo de Minas Gerais e em análise na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais), prevê a transformação da estatal em uma corporação de capital pulverizado, sem controlador definido. Na prática, a empresa migraria para o novo mercado da B3, passando a ter apenas ações ordinárias. Leia Mais Além dos recordes: os desafios que a infraestrutura ainda precisa enfrentar Conta de luz deve subir 8% em 2026, prevê Aneel Evolução energética: uma abordagem para a descarbonização com segurança Nesse desenho, o Estado deixaria de ser o acionista controlador, mas manteria uma participação relevante, estimada em cerca de 17% do capital total, além de mecanismos como golden share, que garantiriam poder de veto em decisões estratégicas. Segundo Passanezi, o modelo não se trata de uma privatização tradicional. “Não é uma privatização no sentido de venda do patrimônio público. É uma transformação da empresa em uma corporação”, afirmou. Ele destacou que o tema ainda depende de aval político. “Esse é um tema que a Assembleia tem que discutir. Mas, do ponto de vista pessoal, eu vejo que a corporação pode gerar muito valor para a Cemig”, destacou Passanezi. Para o executivo, a mudança de governança poderia recolocar a companhia em trajetória de expansão nacional. “A empresa pode se valorizar muito e voltar a investir fora de Minas. A Cemig tem toda a condição de ser um campeão nacional”, disse. Agilidade e acesso a capital Passanezi argumenta que o modelo de corporation daria mais agilidade à companhia em um setor cada vez mais competitivo e com abertura de mercado. Segundo ele, a nova estrutura facilitaria o acesso a financiamento e ampliaria a capacidade de executar operações de fusões e aquisições, hoje mais limitadas pelo modelo estatal. Foco em Minas após ciclo de desinvestimentos Nos últimos anos, a Cemig passou por um processo relevante de desinvestimentos, com venda de participações fora do estado e redução da presença em ativos considerados não estratégicos. A estratégia foi concentrar esforços em Minas Gerais, sob o lema “Focar em Minas e Vencer”, priorizando eficiência operacional e melhoria da qualidade do serviço. “Quando a gente definiu focar em Minas e vencer, facilitou muito minha vida. Toda vez que alguém vinha com ideia de investimento fora de Minas, era muito simples: era só dizer não”, afirmou o presidente. Ciclo recorde de investimentos Esse reposicionamento ocorre em paralelo ao maior ciclo de investimentos da história da companhia. A Cemig prevê aportes de R$ 44 bilhões entre 2026 e 2030, com foco na modernização da infraestrutura elétrica, aumento da confiabilidade do sistema e preparação para a abertura total do mercado de energia. Para 2026, o plano estima investimentos de R$ 6,7 bilhões, com maior concentração no segmento de distribuição — principal frente de expansão da empresa. Também estão previstos aportes em geração, transmissão, geração distribuída e gás natural. Segundo a companhia, o novo ciclo busca capturar oportunidades estruturais do setor elétrico, acelerar a transição energética e sustentar a geração de valor no longo prazo.