Torcedores apresentam queixa contra a FIFA devido aos altos preços dos ingressos para a Copa
24 Mar, 2026
Minicraques resurgem para a Copa do Mundo de 2026 com novo estilo, mas ‘mesma cabeça’ Bonecos de jogadores, similares à febre do Mundial de 1998, são lançados por fabricante de brinquedos com 42 modelos. Crédito: Leo Catto | Estadão Gerando resumo A Federação Europeia de Torcedores (FSE, na sigla em inglês) apresentou uma queixa contra a FIFA à Comissão Europeia devido aos preços “exorbitantes” dos ingressos para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá. Os procedimentos de compra, considerados “opacos e injustos” pela entidade, também foram criticados. Juntamente com a Euroconsumers, um grupo de defesa do consumidor, a FSE “apresentou uma queixa formal à Comissão Europeia contra a FIFA” por “abusar de sua posição de monopólio”, afirmou a associação em comunicado. Em meados de dezembro, a associação de torcedores já havia pressionado a FIFA a “iniciar uma consulta” para encontrar “uma solução que respeite a tradição, a universalidade e o significado cultural da Copa do Mundo”, cuja próxima edição será realizada de 11 de junho a 19 de julho. Sete vezes mais caro que no Catar 2022 A FSE alega que os preços para a final de 19 de julho em Nova Jersey (EUA) são significativamente mais altos do que os da edição anterior no Catar. Os ingressos mais baratos para a final custam US$ 4.185 (R$ 7.360 reais), segundo os autores da ação, “sete vezes mais” do que para a mesma partida na Copa do Mundo de 2022. As duas organizações estão processando a FIFA com base na legislação europeia de concorrência. “A FIFA detém o monopólio da venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2026 e usa esse poder para impor condições aos torcedores que jamais seriam aceitáveis em um mercado competitivo”, afirmam. “Os próprios documentos de candidatura da FIFA previam um preço médio de US$ 1.408 por ingresso, mas esse valor ficou muito aquém do esperado”, criticou a FSE. Segundo a FIFA, quase sete milhões de ingressos foram disponibilizados. Cada torcedor pode comprar no máximo quatro ingressos por partida e um total de 40 para todo o torneio. Nesta primeira Copa do Mundo expandida para 48 seleções, serão disputadas 104 partidas, e os preços dispararam para os jogos mais populares. Tarifa dinâmica A FSE denunciou que a candidatura da América do Norte havia prometido inicialmente ingressos a partir de 21 dólares, mas, na prática, os mais baratos colocados à venda custavam 60 dólares, por exemplo, para a primeira partida do Grupo J entre Áustria e Jordânia, no Levi’s Stadium, na Califórnia. A maioria dos ingressos custa pelo menos US$ 200 para os jogos que envolvem as principais seleções. Alguns ingressos para a final oferecidos na plataforma oficial de revenda da Fifa estão sendo anunciados a preços astronômicos: uma cadeira de categoria três para a decisão foi anunciada por US$ 143.750 dólares (R$ 752.000), mais de 41 vezes seu valor nominal original de 3.450 dólares R$ (18.000). O presidente da Fifa, Gianni Infantino, insiste que os preços dos ingressos são simplesmente consequência da enorme demanda: “Nos Estados Unidos, em particular, existe o que é chamado de “preços dinâmicos”, que significa que os preços sobem ou descem em função do interesse dos torcedores”, justificou. Para a FSE, o problema da “tarifa dinâmica” é que não há limite para o quanto os ingressos podem subir. A associação critica a “falta de transparência sobre como os preços são definidos”. A FSE e a Euroconsumers pedem à Comissão Europeia que ordene à Fifa a renúncia da “tarifa dinâmica”, o congelamento dos preços aos níveis anunciados em dezembro para a próxima fase de venda em abril e a publicação, “com pelo menos 48 horas de antecedência”, do número de ingressos restantes em cada categoria. Segundo a FSE e a Euroconsumers, as regras de venda são “opacas”, porque “o local dos assentos, os mapas dos estádios e até as seleções que jogarão não estão garantidos no momento da compra”. O mercado de revenda não é regulamentado nos Estados Unidos e no Canadá. No México, a revenda de um ingresso acima do seu valor nominal é proibida, mas apenas quando o ingresso é comprado no México utilizando a moeda local.