Summit Brazil-China: Tensão no Oriente Médio acelera debate sobre combustíveis de baixo carbono
25 Mar, 2026
Summit Brazil-China: Tensão no Oriente Médio acelera debate sobre combustíveis de baixo carbono Participantes de painel em evento promovido pelo Valor em Xangai cenário geopolítico amplia a relevância estratégica dos combustíveis verdes O aumento recente no preço dos combustíveis, impulsionado por tensões no Oriente Médio, pode acelerar a transição para alternativas de baixo carbono. A avaliação é de Sergio Peres, professor da Universidade de Pernambuco (UPE), durante o painel “Corredores verdes: desenvolvendo o mercado de combustíveis de baixo carbono na aviação e no transporte marítimo Brasil–China”, realizado no “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026”, promovido pelo Valor em associação com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Associação do Povo Chinês para a Amizade com Países Estrangeiros (CPAFFC). “Especialmente com a questão da guerra, que faz os combustíveis ficarem cada vez mais caros, isso passa a acelerar a introdução dessas alternativas”, afirmou Peres. Segundo ele, o avanço ainda depende da maturidade tecnológica. “Temos muitas empresas que estão esperando para ver se as pesquisas vão dar certo e há o desafio de sair da pesquisa para a escala. Por isso, precisamos sair da bancada e mostrar para o empresário que vale a pena investir.” A leitura foi reforçada por outros participantes, que apontaram que o cenário geopolítico amplia a relevância estratégica dos combustíveis verdes. “Não se trata apenas de descarbonização, mas também de garantir o fornecimento de energia no futuro”, afirmou Li Zhenglong, professor da Universidade de Zhejiang. Ao longo do debate, mediado por Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor, os especialistas destacaram que a criação de corredores verdes — rotas logísticas com uso prioritário de combustíveis de baixo carbono — pode funcionar como catalisador para o desenvolvimento desse mercado, ao conectar produção, infraestrutura e demanda em cadeias já estabelecidas. Nesse contexto, a cooperação entre Brasil e China foi apontada como um dos vetores mais promissores. “O Brasil tem uma base muito forte de matéria-prima e pode usar isso não apenas para exportar, mas para atrair investimento industrial e agregar valor à produção”, disse Larissa Wachholz, senior fellow do Cebri. Segundo ela, o país reúne condições de competitividade relevantes, mas precisa avançar com sustentabilidade e previsibilidade, evitando que a expansão da produção se torne um vetor de desmatamento. Para Wang Shen Wang, CEO da SafPac Hong Kong, o potencial brasileiro se destaca na capacidade produtiva e na versatilidade do etanol como base energética. “O Brasil pode chegar a cerca de 30 milhões de toneladas, enquanto os Estados Unidos estão em torno de 15 milhões, mas o principal desafio ainda é a escala. Sem isso, não conseguimos avançar na adoção desses combustíveis, que conectam agricultura, energia e transporte”, afirmou. Segundo ele, o etanol funciona como um ponto de conexão em diferentes frentes da transição energética, no que chamou de modelo “3+1”: uso no transporte marítimo, na produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e em novos materiais, como plásticos verdes. “E há ainda a conexão com o setor de energia, inclusive com aplicações em célula de combustível e o avanço da inteligência artificial”, disse. Além da escala, os participantes destacaram que o avanço desse mercado depende de coordenação entre governos, empresas e centros de pesquisa, com definição de padrões, segurança regulatória e estruturação de cadeias de suprimento capazes de dar previsibilidade aos investimentos. “O Brasil pode ser um fornecedor estratégico de combustíveis de baixo carbono para a China, mas é preciso construir uma cadeia estável de suprimento”, disse Xia Shubiao, da Chimbusco Shanghai. Na mesma linha, An Feng, fundador do iCET, afirmou que o avanço do setor exige uma abordagem integrada. “São necessárias inovação, financiamento e políticas públicas alinhadas para viabilizar projetos em escala.” O “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026” é o terceiro evento do gênero promovido pelo jornal na China desde 2024. Esta edição tem patrocínio de BYD, Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio, Embratur, Governo do Estado do Rio de Janeiro e ApexBrasil, com apoio de Prefeitura de São Paulo, Suzano, CBMM, Alibaba e World Resources Institute, iCS (Instituto Clima e Sociedade) e CNA/Senar. Não há despesas bancadas pelo jornal em caso de convites feitos a agentes públicos que façam parte dos debates. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas