Brasil terá centro para desenvolver tecnologias baseadas em RNA mensageiro

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25 Mar, 2026
Coronavírus acelerou o desenvolvimento das vacinas de RNA Foto Getty Images A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Ministério da Saúde vão anunciar nesta quinta-feira, 26, a criação do Centro de Competência Embrapii em Vacinas e Terapias em RNA , que terá como objetivo, desenvolver tecnologias baseadas em RNA mensageiro . A biotecnologia, que “ensina” o organismo a como produzir proteínas, ficou conhecida em meio à pandemia, com o desenvolvimento da vacina contra a COVID-19 da BioNTech/Pfizer e Moderna . Coordenado pelo Centro de Tecnologias em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais, o Centro de Competência Embrapii vai atuar em parceria com empresas para desenvolver vacinas e terapias avançadas , além de formar especialistas e estimular novos negócios na área de biotecnologia. O valor investido será de R$60 milhões. À Coluna, o presidente da Embrapii, Alvaro Prata, reforçou a necessidade do fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde: “É essencial para que o Brasil tenha maior autonomia tecnológica em um setor estratégico. É uma forma de contribuir para desenvolver tecnologias nacionais e ampliar a capacidade do País de responder a desafios sanitários com soluções próprias” , avalia. Também será anunciado, nesta quinta-feira, o investimento de R$90 milhões para fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, braço do SUS, que produz medicamentos, vacinas e equipamentos médicos. Os 90 milhões de reais serão investidos no desenvolvimento de imunizantes, medicamentos que utilizam a biotecnologia, dispositivos médicos e soluções digitais. Vacina contra a COVID-19 A tecnologia de vacinas de RNA mensageiro (RNAm), teve papel crucial na pandemia de COVID-19. A vacina de RNA surgiu da união de uma plataforma tecnológica que já existia, mas foi acelerada assim que o código genético do SARS-CoV-2 foi sequenciado, no início de 2020. Na época, os cientistas identificaram a proteína Spike (a “coroa” do vírus) como o melhor alvo. Diferentemente de vacinas tradicionais (que levam anos para cultivar o vírus), a vacina de RNAm é desenvolvida em laboratório, sinteticamente. Isso permitiu criar o imunizante em poucos meses. Após a pandemia, a tecnologia continuou avançando, com pesquisas da Fiocruz no Brasil que está desenvolvendo a sua própria plataforma de vacinas de RNA mensageiro, focada em independência tecnológica e redução de custos.