Faria Lima vê prisão de Vorcaro por Mendonça como desproporcional
26 Mar, 2026
O tratamento dado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça a Daniel Vorcaro incomodou banqueiros e empresários —mesmo os que condenam o dono do Banco Master nos mais duros termos. Na visão do que se convencionou chamar de "Faria Lima", a avenida paulistana que concentra instituições do mercado financeiro, levá-lo a uma prisão de segurança máxima antes mesmo de ser julgado não se justifica nem mesmo diante dos graves crimes cometidos pelo ex-banqueiro. Nela, o dono do Banco Master chegou a dormir três dias de luz acesa e a passar o mesmo período sem ouvir a voz de um ser humano. Mesmo a prisão em uma sala da Superintendência da PF em Brasília, para onde Vorcaro foi transferido, é vista como desproporcional. Na visão de integrantes do mercado financeiro ouvidos pela coluna, crimes de colarinho branco deveriam ser punidos no bolso: depois de condenado, o réu perderia todos os bens e recursos para ressarcir os cofres públicos. Como, no entanto, não representaria risco real de vida a terceiros, não precisaria ser preso. A Lei 7492/86, conhecida como Lei do Colarinho Branco, no entanto, prevê a pena de prisão para diversos crimes contra o sistema financeiro nacional. Entre eles estão o de gerir fraudulentamente instituição financeira (reclusão de três a 12 anos, e multa), o de gestão temerária (dois a oito anos, e multa) e o de emitir títulos ou valores mobiliários sem lastro ou garantia suficientes (dois a oito anos, e multa).