Galípolo diz que petróleo reforça cautela do Banco Central com a Selic

admin
26 Mar, 2026
Pouco mais de uma semana após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir a taxa básica de juros pela primeira vez em dois anos, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicou que o grupo está mais cauteloso em sinalizar próximos movimentos da Selic. A declaração foi feita durante a entrevista coletiva de apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM), nesta quinta-feira (26/3). Leia também: Dólar cai e Ibovespa sobe com expectativa de acordo entre EUA e Irã Na visão do presidente do BC, o período prolongado de juros altos em 2025 permitiu que o Brasil estivesse em uma “posição melhor” em relação a outros países em meio ao choque de oferta do petróleo, em virtude do conflito no Oriente Médio. “A gente entende que o conservadorismo que a gente tomou e a parcimônia que a gente teve na política monetária permite que a gente consiga ganhar esse tempo para olhar para esses desdobramentos”, destacou Galípolo. No relatório divulgado pelo BC nesta quinta-feira, a autoridade monetária projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado de doze meses deve encerrar 2026 no patamar de 3,9%. No relatório anterior, a projeção era de uma inflação de 3,5% ao fim do ano. Durante a coletiva, Galípolo também destacou que a percepção do mercado mudou em relação à restrição do petróleo. Ele ressalta que há uma interpretação nova que relaciona o choque de oferta não apenas às dificuldades logísticas, mas também sobre a capacidade produtiva dos países, o que, segundo o presidente, afeta ainda mais o tempo de recuperação sobre a crise. “Você tem uma dimensão de impactos que transcendem uma questão do fluxo de petróleo efetivamente. Tem uma série de outros produtos que também saem do grupo e começam a ser afetados”, afirmou, ainda, o chefe da autoridade monetária, que acredita ser necessário acompanhar os desdobramentos do conflito antes de sinalizar caminhos futuros para a Selic. Leia também: BC eleva projeção para inflação e ciclo de cortes da Selic fica ameaçado “No nosso caso, de um lado, o que aconteceu ao longo de 2025, o conservadorismo que o BC adotou ao longo de 2025, reservou uma posição melhor do que se a gente não tivesse sido conservador. Isso nos permite ter uma “gordura” para analisar os desdobramentos e como isso vai impactar a economia brasileira”, disse, ainda, Galípolo. Saiba Mais Política Fim da escala 6x1 vai entrar na pauta da Câmara em maio Política Relator da CPMI do INSS prevê mais de 200 indiciamentos em relatório final Política Câmara aprova reajuste salarial da segurança do DF Política Lula fala sobre gastos com cachorros em evento com empresários chineses Política Moro apresenta PEC para obrigar presença em CPIs e CPMIs Política Plenário do TSE autoriza federação entre União Brasil e Progressistas