Leticia Spiller fala sobre os tempos de paquita, a volta à Globo e sensualidade aos 52
27 Mar, 2026
Leticia Spiller fala sobre os tempos de paquita, a volta à Globo e sensualidade aos 52 Atriz fala da infância, da busca por independência, da morte do pai e dos medos com o futuro do planeta. Aos 52, revisita o passado na Xuxa e reflete sobre maternidade e valores Leticia Spiller (@arealspiller) - atriz brasileira / Créditos: fotos: @maga.maju Leticia Spiller começou a trabalhar muito jovem e nunca mais parou. Desde os tempos de paquita, passando por personagens que marcaram época como a Babalu de Quatro por Quatro e a primeira fase de O Rei do Gado, ela construiu uma trajetória longa na televisão brasileira, dessas que atravessam gerações e diferentes fases da própria TV. Agora, depois de sete anos longe das novelas, ela está de volta à TV Globo em Coração Acelerado, onde interpreta a mãe da protagonista vivida por Isadora Cruz. Aos 52 anos, diz viver uma fase de mais liberdade, menos concessões e mais consciência do tempo. Convidada do Trip FM, Leticia fala sobre envelhecimento, menopausa, maternidade, independência, espiritualidade, cultura oriental e também sobre a preocupação com o mundo que estamos deixando para as próximas gerações. Ela também atua como apoiadora do ACNUR no Brasil, a Agência da ONU para Refugiados. “Quando chegamos aos 50 anos, a gente começa a ter mais consciência desse caminho. A gente começa a ver os nossos pais partindo e vai querendo viver sem muita intriga, sem muita confusão, sem criar situações por coisas pequenas”, conta. A independência é um tema que aparece cedo na vida da atriz. “Eu queria muito não depender da minha mãe, não depender do meu pai. Então fui buscar o meu caminho muito cedo.” A conversa passa ainda pela relação com o corpo, pela maternidade, pela passagem do tempo e pelo medo de que as próximas gerações encontrem um mundo mais difícil do que aquele que ela encontrou. “O que me aflige muito é que os meus filhos não consigam ver a beleza desse planeta o suficiente o quanto eu vi.” Entre trabalho, filhos, escolhas, espiritualidade e futuro, a entrevista acaba sendo também uma conversa sobre o que muda quando a gente entende que o tempo passa e que isso não precisa ser uma tragédia, pode ser uma mudança de perspectiva. Ouça a entrevista completa com Leticia Spiller no Trip FM. Como foi para você lidar com a morte do seu pai e com essa consciência que chega com o tempo? Leticia Spiller. A morte não é uma coisa fácil de encarar. Por mais que eu estude filosofia oriental, budismo, meditação, que ajudam a aceitar melhor, ainda assim é difícil. É a única certeza que a gente tem. Depois dos 50, a gente começa a ter mais consciência, vê os pais e parentes partindo e passa a valorizar mais a vida, viver com menos conflito, sem criar problema por coisas pequenas. Eu sempre fui uma pessoa de valorizar o coletivo, o trabalho em equipe, as relações humanas. Acho que a gente precisa uns dos outros, precisa se ver no outro — ainda mais num mundo que parece tão invertido hoje. Quando você fala que o mundo está “invertido”, o que mais te aflige hoje? O que mais me preocupa são as catástrofes climáticas e esse retrocesso que a gente vive. Tenho medo de que a humanidade não consiga evoluir e que meus filhos não vejam a beleza do planeta como eu vi. Hoje, o maior número de refugiados já vem de questões climáticas, não só de guerra. Isso me aflige muito. Também penso na formação das pessoas — sempre me preocupei em criar meu filho sem preconceito, mais humano, equilibrando o masculino e o feminino. Meu medo envolve tudo isso: o planeta, a violência, o futuro dos meus filhos e das pessoas que eu amo. Olhando hoje, com 52 anos, como você enxerga sua experiência no “planeta Xuxa” e a relação com Marlene Mattos? Foi uma grande escola de disciplina e profissionalismo. Eu sempre vejo o lado positivo e o negativo das coisas. Nunca vivi um assédio que me traumatizasse, mas vivi situações em que fui exposta e outras em que fui protegida pela Marlene. Eram muitas meninas, muita responsabilidade. Era uma outra época, outro contexto — hoje certas coisas não seriam mais permitidas, como esse controle mais rígido. Também era difícil uma mulher liderar daquela forma naquele tempo. Então eu entendo as várias camadas. No geral, pra mim, foi uma experiência muito positiva e eu tive discernimento desde cedo pra não aceitar situações que ultrapassassem meus limites. LEIA TAMBÉM MAIS LIDAS - Trip FM Ruan Juliet direto da Rocinha: o Rio que o príncipe William não vê - Trip FM Trip Girls - Trip FM Marjorie Estiano: Ângela Diniz, feminicídio, fama e a vida aos 43 - Trip FM O Paulo Ricardo que você não conhece - Trip FM Ingrid Guimarães: ansiedade, menopausa e o tesão pelo corre - Trip FM O melhor do Trip FM em 2024: Tamara Klink - Trip FM Wagner Moura em três tempos