Ex-auxiliar do Corinthians relembra conquista do Paulistão e reforça desejo de voltar ao clube
28 Mar, 2026
Ex-auxiliar do Corinthians relembra conquista do Paulistão e reforça desejo de voltar ao clube Há um ano, o Corinthians empatava com o Palmeiras por 0 a 0 na Neo Química Arena e conquistava o seu 31o título do Campeonato Paulista. Para levantar a taça, o Timão precisou lidar com um ambiente turbulento fora das quatro linhas, além de superar o rival fora de casa no jogo de ida por 1 a 0. Segundo Emiliano Díaz, auxiliar e filho do técnico Ramón Díaz, apesar de todos os fatores, não havia outra escolha, a equipe alvinegra precisava vencer e não permitir que o Palmeiras fosse campeão na Arena. “A pressão era extrema. Foi muito sofrido porque sabíamos que não tínhamos outra escolha a não ser ganhar. Nosso rival não poderia levantar a taça em casa. Era uma questão de honra, o grupo entendeu. Conseguimos (referindo-se à comissão técnica de Ramón Díaz) muitos títulos, mas esse tem um sabor especial porque foi com um dos maiores clubes em que trabalhamos”, iniciou o profissional em entrevista ao ge.globo. Além de bater o principal rival, o clube do Parque São Jorge encerrou um jejum de seis anos sem títulos e consolidou a base do elenco que havia saído da zona de rebaixamento do Brasileirão no ano anterior até alcançar a zona de classificação para a Libertadores de 2025. Grande parte do grupo também participou das conquistas da Copa do Brasil de 2025 e da Supercopa do Brasil de 2026, já sob o comando de Dorival Júnior. O confronto na Neo Química Arena foi tenso, com poucas chances e muita disputa a cada posse de bola. No segundo tempo, porém, Félix Torres cometeu um pênalti em Vitor Roque e acabou expulso, o que poderia ter complicado a busca pelo título. Na cobrança, Hugo Souza defendeu o chute de Raphael Veiga no canto esquerdo e levou a Fiel à loucura. Emiliano Díaz ressaltou a confiança no goleiro, destacou a sensação de conquistar o título para os torcedores e a volta do Corinthians. “O destino faz coisas que você não entende. Tínhamos muita confiança no Hugo Souza, sabíamos que era um dos melhores do Brasil. Não queríamos viver isso, foi um erro do Félix, mas aconteceu. Sabíamos que ele ia pegar. É um cara destinado a fazer coisas grandes. Não gostamos, não queríamos sofrer tanto para ganhar o título”, comentou. “Se você faz um trabalho para pessoas que estão sofrendo e tem a possibilidade de fazê-las felizes, isso é ser um abençoado. Quando acabou o jogo, pensei: ‘Cara, metade do país está feliz’. Sentimos que o Corinthians tinha voltado. É um clube que tem sempre que brigar por títulos, é o primeiro ou segundo maior do Brasil. Queríamos quebrar isso para que o Corinthians voltasse a ser o Corinthians. Acho que deixamos o nosso grão”, completou. Após a defesa de Hugo Souza, o estádio explodiu em festa. A torcida empurrou o time, que passou a se defender e frear o ímpeto do rival, que tentava aproveitar a superioridade numérica para marcar o gol que levaria a decisão para a prorrogação. Em outro momento, Emiliano Díaz voltou a destacar a importância da Fiel na decisão. Segundo ele, a força das arquibancadas foi tão grande que praticamente “acabou com o jogo”, contagiando os atletas e diminuindo a pressão do Palmeiras. Mesmo assim, admitiu que não estava satisfeito com a postura defensiva, embora entendesse que ela era necessária naquele momento. “Nunca vi nada igual. Faltavam 20 minutos e o jogo acabou. Eles (a torcida) começaram a fazer uma festa como que dizendo: ‘acabou o jogo’. Contagiaram de fora para dentro, o time entendeu que tinha acabado a final. Começamos a brigar, a jogar feio, não tinha mais passe, era só disputa. O futebol tem isso às vezes. Você tem que se adaptar ao momento. Eu, como treinador, não estava feliz (com a pressão). Queria ganhar e fazer o que havíamos treinado, que era atacá-los. Era um momento desesperador para eles, porque tinham que vir para cima, e nós precisávamos acertar os contra-ataques. Entramos todos naquele bolo de emoção e também queríamos brigar. Eles têm muito a ver com esse título, sobretudo na final”, comentou. Na reta final, o clima ficou ainda mais tenso quando Memphis Depay subiu em cima da bola para gastar tempo. Após a conquista, o Corinthians acabou denunciado três vezes no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) por desordem e arremesso de objetos no gramado durante a final do Paulistão. Posteriormente, em outubro, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) revisou as punições. O tribunal manteve a realização de um jogo com portões fechados e determinou o fechamento do Setor Norte da Neo Química Arena em outra partida, além de reduzir as multas para R$ 85 mil em cada caso — uma referente ao uso de sinalizadores e outra ao uso de rojão. As punições acabaram sendo revertidas em multa antes do início do Paulistão de 2026. Apesar do título, Ramón e Emiliano Díaz foram demitidos menos de um mês depois da conquista, após resultados ruins na Libertadores, na Copa Sul-Americana e no Brasileirão. Ao todo, a comissão comandou o Corinthians em 60 partidas, com 31 vitórias, 16 empates e 13 derrotas, alcançando um aproveitamento de 62,2% dos pontos disputados. Mesmo assim, Emiliano Díaz ainda pensa em voltar ao Corinthians. “A única forma de isso não acontecer é se eu morrer. Tenho certeza de que essa história não acabou”, afirmou. O drama de Rodrigo Garro antes da decisão Desde a reta final da temporada de 2024, o meia Rodrigo Garro se tornou um dos destaques do Corinthians. Porém, ele sofria com dores no joelho direito, onde posteriormente foi diagnosticada uma tendinopatia patelar. Em 2025, inclusive, Garro iniciou o ano recebendo um tratamento especial e ficando fora das primeiras partidas. Mesmo assim, o argentino seguiu sentindo dores ao longo do período. Segundo Emiliano Díaz, antes da final, o argentino sequer conseguia andar normalmente e relatava fortes dores na região. Ainda assim, o meia implorou para entrar em campo, mesmo que fosse a última coisa que fizesse na carreira. O auxiliar também detalhou uma conversa com o jogador após o último treino e novamente no dia da decisão. “O Gordo (Garro) não podia andar, não podia caminhar. Tivemos que fazer um outro plano tático, completamente diferente. É difícil você trocar, porque o sistema era com um meia bem clássico. Se o Gordo não estivesse, teríamos que mudar o sistema. Estávamos muito preocupados”, iniciou. “Quando o Gordo saiu do treino, me falou: ‘Calma, amanhã eu te respondo’. Eu sabia que ele ia jogar. De manhã, me ligou às 9h e disse: ‘Vou jogar nem que seja a última coisa que eu faça’. Quando um jogador chega e te fala uma coisa dessas, é impossível não dar certo. Se um jogador dá a vida, coloca sua carreira em jogo por uma partida, não pode dar errado. Ficamos mais tranquilos. O Gordo recebeu uma infiltração, muito dolorosa. Fez um jogo fantástico, precisávamos dele”, concluiu. Dias depois da final do Paulistão, Rodrigo Garro viajou até a Espanha, onde realizou tratamento com um especialista em lesões no joelho, indicado por Memphis Depay. O atacante holandês havia recorrido ao mesmo profissional quando rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo, em 2019. Durante o tratamento, Garro ficou afastado dos gramados por dois meses. Mesmo após a recuperação, ele voltou a enfrentar dois problemas físicos ao longo do último ano, ambos na panturrilha, e acabou perdendo espaço na equipe titular com a ascensão de Breno Bidon. Alerta para o adversário da estreia na Libertadores Com o título da Copa do Brasil de 2025, o clube do Parque São Jorge garantiu vaga direta para a fase de grupos da Libertadores da América de 2026. Após o sorteio, o Corinthians ficou no Grupo E, ao lado de Platense, da Argentina, Independiente Santa Fe, da Colômbia, e Peñarol, do Uruguai. A estreia será no dia 9 de abril, uma quinta-feira, às 21h, diante do Platense, no Coliseo de Victoria, em Vicente López. Emiliano Díaz fez um prognóstico sobre o adversário do Timão, explicou que a equipe argentina passa por um momento difícil, mas destacou que confia na vitória do Corinthians, bem como em uma boa campanha na primeira fase. “Hoje, o Platense não está passando por um bom momento. Não é o time campeão que foi há um ano. Sempre jogar contra argentinos na Libertadores são jogos de luta, de briga. A qualidade tem que se impor. Hoje, o Brasil é muito maior que a Argentina em nível de liga. Jogar lá é difícil, é um campo pequeno, ruim. Você tem que se adaptar rápido, porque não será fácil. Se o Corinthians se impuser nas brigas, vai ganhar com certeza. Se você tiver um jogo mais abaixo, vai sofrer. Tenho certeza de que o Corinthians tem time para passar de fase e brigar”, comentou. Vale destacar que, na fase de grupos da Libertadores, apenas os dois primeiros colocados avançam às oitavas de final. Já o terceiro de cada chave será encaminhado para a Copa Sul-Americana, onde disputará um duelo de mata-mata contra um dos segundos colocados da fase de grupos da outra competição. Quem avançar garante vaga nas oitavas de final da Sul-Americana. O Corinthians busca o seu segundo título da Libertadores, após a conquista invicta de 2012. Nos últimos anos, porém, a melhor campanha alvinegra foi até as quartas de final, alcançadas em 2022, quando a equipe acabou eliminada pelo Flamengo.