Planejando o cardápio da Páscoa? Veja os riscos do excesso de sal na Semana Santa

admin
3 Apr, 2026
Com a chegada da Semana Santa, cresce nas feiras e mercados a procura por itens tradicionais, como o bacalhau. Mas o que muita gente não percebe é que esse período também exige atenção redobrada com a saúde, principalmente para quem tem hipertensão. No Brasil, o problema atinge cerca de 30% da população adulta, sendo uma das doenças crônicas mais comuns no país. E o cardápio da Páscoa costuma esconder riscos para essa população."A Semana Santa é um momento importante culturalmente, mas também precisa ser vivida com equilíbrio. Muitos alimentos consumidos nesse período têm alto teor de sódio, o que pode impactar diretamente a pressão arterial, especialmente em pessoas que já têm diagnóstico de hipertensão", alerta Helen Keller, superintendente de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ).Para o coordenador de Vigilância e Fiscalização de Alimentos da SES-RJ, o problema não está em um único item, mas no conjunto da refeição. "O bacalhau é um alimento muito presente, mas não está sozinho. Azeitonas, conservas e até produtos industrializados, geralmente ultraprocessados, que entram no preparo ou nos acompanhamentos contribuem para elevar o consumo de sódio. É preciso olhar a refeição como um todo", afirma Werner Ewald.Apesar disso, não é necessário abrir mão da tradição. O bacalhau pode ser incluído no cardápio de forma equilibrada, desde que haja atenção ao preparo e às quantidades. "Ele não precisa ser vilão nem mocinho. Ele tem benefícios, como o ômega-3, importante para a saúde cardiovascular, mas também carrega muito sódio, por causa do sal. O risco está justamente no consumo exagerado, principalmente sem a dessalga adequada", explica Alessandra Torres nutricionista e diretora da Divisão de Alimentos da Vigilância Sanitária da SES-RJ.Para a retirada do sal, a primeira dica é deixar o bacalhau de molho entre 24 e 48 horas antes do preparo. A água deve ser trocada quatro vezes por dia. Esse processo deve ser feito sempre sob refrigeração, para evitar a deterioração do alimento. O peixe deve ser mantido na geladeira, já cortado em postas, e a água precisa ser renovada ao longo do período. Dessa forma, a nutricionista explica que é possível reduzir significativamente a quantidade de sódio presente no bacalhau.Ainda após o preparo, o alimento exige cautela. "Mesmo dessalgado, uma porção de 200 gramas pode se aproximar do limite diário recomendado de sal. Por isso, a orientação é consumir com moderação, entre 100 e 200 gramas, e equilibrar com alimentos que não tenham sódio, como legumes e verduras", orienta. Ela também chama atenção para itens que muitas vezes passam despercebidos. "As azeitonas podem ser ainda mais críticas do que o próprio bacalhau. Em 100 gramas, a gente pode ter cerca de 1,5 grama de sódio. Uma dica simples é deixá-las de molho em água filtrada por alguns minutos para reduzir esse excesso", acrescenta.A nutricionista reforça, ainda, que pequenas mudanças no preparo fazem toda diferença no resultado final da refeição. "O ideal é investir em temperos naturais, como alho, cebola e ervas frescas, evitando os industrializados. Além disso, montar um prato colorido, com batata, cenoura, pimentão e folhas, ajuda a equilibrar a refeição, trazendo nutrientes sem aumentar o teor de sódio", diz.Sobre o tradicional ovo de Páscoa, ela tranquiliza: "O chocolate, de forma geral, não é rico em sódio. O cuidado maior deve ser com os recheios, que podem elevar esse teor. Por isso, vale sempre conferir o rótulo". A recomendação geral, segundo a nutricionista, é manter o consumo de sódio dentro do limite de cerca de 2 g por dia (o equivalente a aproximadamente 5 gramas de sal) e lembrar que o excesso contribui para o aumento da pressão arterial, já que provoca retenção de líquidos no organismo.