Luxemburgo, Tite, Dorival: como foram os primeiros trabalhos de técnicos que deixaram a Seleção Brasileira no século

admin
6 Apr, 2026
Demitido do Corinthians após quase um ano, Dorival Júnior encerrou no domingo (5), com derrota para o Internacional, na Neo Química Arena, o primeiro trabalho desde a saída da Seleção Brasileira. Ele termina a passagem pelo Timão com nove jogos sem vencer, mas com dois títulos conquistados (Copa do Brasil em 2025 e Supercopa do Brasil este ano). O ciclo no Corinthians coloca Dorival em comparação a outros que também viveram tal experiência. Desde a virada do século, nove técnicos deixaram o trabalho na Seleção para assumir outro praticamente na sequência. Apenas três foram campeões antes de Dorival: Vanderlei Luxemburgo (2001), Dunga (2013) e Tite (2024). Relembre abaixo os primeiros trabalhos de cada técnico após deixar a Seleção: Vanderlei Luxemburgo Demitido pela CBF em setembro de 2000, após o fracasso nas Olimpíadas de Sidney, quando o Brasil foi eliminado por Camarões mesmo com dois jogadores a mais, Luxemburgo só voltou a trabalhar em fevereiro do ano seguinte. O técnico assumiu o Corinthians ameaçado de rebaixamento no Paulistão e o levou ao título estadual. Na mesma temporada, foi vice-campeão da Copa do Brasil, ao perder a final para o Grêmio de Tite, e chegou às semifinais da CONMEBOL Sul-Americana. Emerson Leão O ex-goleiro durou pouquíssimo na Seleção e perdeu o emprego após o quarto lugar na Copa das Confederações de 2001. Passou de junho até setembro sem trabalhar, quando assumiu o Juventude na metade do Brasileirão. O trabalho não levou a muitos frutos. Com Leão, o time gaúcho fez o suficiente para escapar do rebaixamento: ficou em 22o lugar entre 28 times da época, uma campanha acima de Botafogo e Flamengo, por exemplo. Luiz Felipe Scolari O último técnico campeão mundial pelo Brasil deixou o cargo por vontade própria em julho de 2002, dias após vencer a final contra a Alemanha. A volta ao futebol aconteceu no começo do ano seguinte, como treinador da seleção de Portugal. Felipão fez sucesso no país. Foi vice-campeão da Eurocopa de 2004, em casa, e chegou às semifinais da Copa de 2006, a melhor campanha desde o time de Eusébio, 40 anos antes. A passagem pela seleção durou até 2008, na Euro. Carlos Alberto Parreira Tetra pelo Brasil em 1994, voltou ao comando da Seleção após o penta e permaneceu de 2003 até a eliminação para a França, na Copa de 2006. Na sequência, tal qual Felipão, assumiu outro país: a África do Sul. A expectativa em cima do trabalho, porém, não se concretizou. Entre janeiro de 2007 e abril de 2008, Parreira teve mais resultados, sobretudo na Copa Africana de Nações, e deixou o continente por problemas pessoais relacionados à esposa. Ele ainda voltaria em 2009 para dirigir o país na Copa de 2010, em casa. Dunga O capital do Tetra estreou na função de técnico logo com a Seleção, em um trabalho que rendeu dois títulos em quatro anos e acabou com a derrota para a Holanda nas quartas de final da Copa de 2010. Dunga voltou a trabalhar somente em dezembro de 2012, ao ser anunciado pelo Internacional. Foi campeão gaúcho pelo clube que o revelou como jogador, mas acabou demitido em outubro de 2013, após uma derrota para o Vasco no Brasileirão. Mano Menezes Substituto de Dunga em 2010, o ex-comandante do Corinthians serviu a Seleção até o fim de 2012, quando, talvez em seu melhor momento, foi tirado do cargo pela direção da CBF. A volta ao futebol aconteceu em junho de 2013, ao aceitar um convite do Flamengo. Só que a saída foi repentina: apenas três meses depois, Mano alegou que não conseguiria tirar mais nada do elenco e deixou o clube, que acabaria campeão da Copa do Brasil nas mãos de Jayme de Almeida. Luiz Felipe Scolari Felipão aceitou voltar à Seleção e ser o responsável por conduzir o país na Copa de 2014, que acabou na trágica goleada para a Alemanha, no Mineirão. A saída da CBF aconteceu tão logo o Brasil encerrou a campanha no Mundial. Menos de um mês depois, Scolari tinha novo emprego: o Grêmio abriu as portas para o ídolo. A nova passagem durou até maio de 2015, após 51 jogos e nenhum título - só o vice gaúcho para o Inter. Tite Escolhido para assumir o lugar de Dunga, após a queda para o Peru na Copa América Centenário, Tite dirigiu a Seleção entre junho de 2016 e dezembro de 2022. Foi eliminado nas quartas em duas Copas e conquistou só um título, o da Copa América de 2019. O primeiro emprego ao deixar a seleção foi no Flamengo, que o contratou em outubro de 2023 para substituir Jorge Sampaoli. Tite começou bem e venceu o título carioca do ano seguinte, mas acabou demitido em setembro de 2024, depois de cair nas quartas da Libertadores. Dorival Júnior Campeão da Copa do Brasil em 2023 pelo São Paulo, Dorival aceitou o convite da CBF em janeiro de 2024. Começou bem com vitória sobre a Inglaterra e empate com a Espanha, mas acabou eliminado na Copa América de forma precoce e caiu ao levar 4 a 1 da Argentina, pelas eliminatórias. Meses depois, o técnico recebeu oferta do Corinthians e decidiu aceitar. Pegou um time campeão paulista pelas mãos de Ramón Díaz e, apesar da campanha irregular no Brasileiro, venceu a Copa do Brasil, em final contra o Vasco. O segundo título aconteceu no início de 2026, sobre o Flamengo, na Supercopa do Brasil. Mas, desde então, os bons resultados minguaram e deixaram Dorival cada vez mais pressionado. Contra o Inter, o Corinthians completou nove jogos sem vencer, o que motivou a diretoria a buscar um novo caminho.