Jair Bolsonaro

admin
9 Apr, 2026
Jair Bolsonaro é. Jair Bolsonaro foi. Já Bolsonaro está. Jair Bolsonaro fez. Ou não fez. Jair Bolsonaro. Qualquer coisa que venha depois do nome do ex-presidente na verdade não importa. Porque, à simples menção do nome Jair e do sobrenome Bolsonaro, algo dentro do leitor entra em ebulição. E tudo vira uma questão de amor e ódio. De um lado, erguem-se imediatamente muralhas de defesa. No alto delas, soldados examinam com lupa cada palavra. Estão sob escrutínio sobretudo os adjetivos. Metáforas são vistas como afrontas. São tentativas de manipulação. Referências culturais são armadilhas. Coisa de intelectualóide, quando não de esteta. O leitor sacrifica a reflexão em defesa do ex-presidente. Especiais aos olhos de Deus Ou então: as armas se voltam contra Jair Bolsonaro. E, por extensão, sobre quem resolveu escrever a respeito dele, do tempo, do país. Qualquer traço de humanidade que se ressalte é uma afronta a um desejo de vingança. A um nojo. A um sentimento que Jair Bolsonaro desperta há muito tempo, desde que era deputado e ia ao Super Pop. Não há espaço para a caridade. Reage-se. Apenas se reage. E nessa de reagir imediatamente a um estímulo, muito se perde. Perde-se tudo. É como se o homem se desfizesse voluntariamente de sua capacidade de observar e refletir sobre a realidade personificada, nesse caso, em Jair Bolsonaro. Mas também pode ser num dos filhos. Nessa de reagir instintivamente, de rosnar e mostrar os dentes para o que nos contraria, perde-se o que nos torna especiais aos olhos de Deus.