Cofundador da Dolce & Gabbana deixa a presidência do conselho da marca de moda
10 Apr, 2026
O cofundador da Dolce & Gabbana, Stefano Gabbana, renunciou ao cargo de presidente do conselho da marca italiana de luxo enquanto a empresa se prepara para entrar em negociações com seus credores. A casa de moda, conhecida por sua interpretação maximalista do estilo italiano, tem sofrido com uma prolongada desaceleração global no setor de luxo, enquanto tensões geopolíticas e a guerra no Oriente Médio abalaram ainda mais a confiança do consumidor. Gabbana deixou suas funções de gestão em 1o de janeiro "como parte de uma evolução natural de sua estrutura organizacional e governança", disse a empresa em comunicado nesta sexta-feira (10). Ele permanecerá em suas funções criativas. "Essas renúncias não têm qualquer impacto nas atividades criativas realizadas por Stefano Gabbana em nome do grupo", afirmou, acrescentando que "não tinha declarações a fazer no momento" sobre as negociações com os bancos. Fundada em 1985, a Dolce & Gabbana tem sido uma das principais marcas de moda do mundo, conhecida por seus desfiles de alta-costura, designs de renda preta com influência siciliana e vestidos espartilho que moldam a silhueta. Gabbana e o cofundador Domenico Dolce possuem, cada um, uma participação de 40% na empresa de capital fechado por meio de uma holding, com outros membros da família Dolce detendo a maior parte do restante. Dolce e Gabbana encerraram seu relacionamento amoroso no início dos anos 2000, mas permaneceram sócios e colaboradores criativos. Adorada pelas irmãs Kardashian e por Madonna, o império de estilo de vida de luxo da Dolce & Gabbana se estende além da moda para fragrâncias, cosméticos, artigos para casa e óculos. No mês passado, a empresa anunciou que estendeu seu contrato de licenciamento com a EssilorLuxottica para produzir e distribuir seus óculos até 2050. A marca também se envolveu em controvérsias ao longo das décadas e foi acusada de racismo no passado, uma questão que ressurgiu em janeiro, quando foi amplamente criticada por ter um elenco exclusivamente branco de modelos em um desfile de moda masculina. Nem Dolce nem Gabbana comentaram sua decisão após a repercussão negativa.