Botafogo: laudo aponta dívida de R$ 1,6 bi em curto prazo e ausência da Libertadores até 2035
12 Apr, 2026
Botafogo: laudo aponta dívida de R$ 1,6 bi em curto prazo e ausência da Libertadores até 2035 Relatório elaborado por consultora financeira aponta cenário de calamidade e risco de continuidade operacional da SAF; Textor convoca reunião para aprovar aporte de R$ 125 milhões O Botafogo divulgou um laudo de avaliação econômica da SAF. O documento, elaborado pela Meden Consultoria com base no fluxo de caixa e em demonstrações financeiras, apontou um cenário de calamidade, com uma dívida de aproximadamente R$ 1,6 bilhão em curto prazo, ou seja, com obrigação de ser quitada nos próximos 12 meses. O valor do passivo circulante é composto por compromissos diversos. Somente R$ 880,7 milhões são referentes a dívidas com fornecedores (empresas prestadoras de serviço e até parcelas a outros clubes por compras de jogadores), além de débitos tributários e com partes relacionadas. As projeções esportivas e financeiras para a próxima década são conservadoras e indicam um afastamento da elite continental. Após uma participação na terceira fase da Libertadores em 2026, o Botafogo aparece como ausente da competição entre 2027 e 2035. No Brasileirão, a expectativa é de campanhas estáveis entre a 7a e a 12a posição, enquanto, na Copa do Brasil e na Sul-Americana, a projeção é de chegadas recorrentes apenas até as quartas de final. Esse desempenho mais modesto impacta diretamente a geração de receitas, especialmente com premiações e bilheteria. Diante de custos operacionais elevados, que chegaram a R$ 892 milhões em 2025, e prejuízos recorrentes, como os R$ 287 milhões registrados no último exercício, a venda de atletas tornou-se o principal pilar de sustentação financeira. Em 2025, a receita com negociação de jogadores alcançou R$ 733,3 milhões, um salto expressivo em relação aos R$ 96 milhões do ano anterior. As projeções indicam que essa fonte deve crescer de R$ 360 milhões em 2026 para R$ 767 milhões em 2035, garantindo margens operacionais positivas e compensando o avanço dos custos fixos. Sem esse mecanismo, as receitas recorrentes — como direitos de transmissão, marketing e bilheteria — não seriam suficientes para equilibrar as contas nem para fazer frente ao passivo acumulado. Assim, é possível que o clube negocie jogadores importantes do elenco, como os meias Danilo e Álvaro Montoro, já na janela de transferências de julho. "Nesse contexto, apesar dos avanços operacionais e do crescimento das receitas, observa-se que a SAF Botafogo ainda enfrenta um quadro de desequilíbrio econômico-financeiro, caracterizado pela recorrência de prejuízos, elevada necessidade de capital e dependência de fontes externas de financiamento para sustentação de suas atividades", diz trecho do laudo. Textor convoca reunião Diante do cenário de caos financeiro e administrativo, o empresário americano John Textor, dono da SAF do Botafogo, convocou uma para o próximo dia 20 de abril uma Assembleia Geral Extraordinária. a intenção de mostrar uma proposta de um aporte de US$25 milhões, algo em torno de R$125 milhões, por meio de emissões de novas ações da SAF. "A convocação foi encaminhada na última sexta (10) à noite ao Botafogo Futebol e Regatas e ao Administrador Judicial da Eagle Bidco. A participação e o direito de voto do mencionado Administrador Judicial na AGE estão garantidos, embora isso ainda seja um tema objeto de controvérsia jurídica, que deverá ser solucionado no foro competente", diz a nota de convocação. "A SAF Botafogo vislumbra essa iniciativa como uma via transparente e essencial para que todos os interessados possam concentrar esforços para possibilitar a superação de todos os desafios enfrentados", completa o comunicado. A situação é tão grave que a SAF está em atraso com o pagamento de uma das parcelas de R$ 1,4 milhão do Regime Centralizado de Execuções (RCE), acordo judicial entre as que permite o pagamento de dívidas trabalhistas em bloco único. O atraso prevê multa de 20%, e de 50% se o atraso chegar em dois meses. Se o atraso chegar a três meses, o RCE expira e o clube fica novamente suscetível a a penhora de bens e valores.