Fracassam as negociações entre EUA e Irã em Islamabad e guerra continua

admin
12 Apr, 2026
247 - As negociações entre Estados Unidos e Irã terminaram sem acordo em Islamabad, após mais de 21 horas de conversas, evidenciando divergências sobre o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz. O impasse mantém incertezas sobre o cessar-fogo e amplia preocupações com a estabilidade regional e o mercado global de energia. Segundo a agência Reuters, que acompanhou o processo com base em fontes diplomáticas e oficiais, as delegações deixaram o Paquistão sem consenso, trocando acusações sobre a responsabilidade pelo fracasso. O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que liderou a delegação norte-americana, afirmou que o resultado foi negativo para Teerã. “A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos da América”, declarou. Ele acrescentou: “Então, voltamos aos Estados Unidos sem termos chegado a um acordo. Deixamos bem claro quais são as nossas linhas vermelhas.” Vance destacou que Washington exigia um compromisso explícito do Irã de não desenvolver armas nucleares. “Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear e não buscarão as ferramentas que lhes permitiriam obter rapidamente uma arma nuclear. Esse é o objetivo central do presidente dos Estados Unidos, e é isso que tentamos alcançar por meio dessas negociações.” Do lado iraniano, a avaliação foi de que as exigências americanas inviabilizaram o acordo. A agência Tasnim classificou as condições impostas por Washington como “excessivas”. Já um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o ambiente das conversas foi marcado pela desconfiança: “É natural que não devêssemos esperar chegar a um acordo em apenas uma sessão.” Apesar do resultado negativo, relatos da mídia iraniana indicam que houve consenso em alguns pontos, mas as divergências persistiram especialmente sobre o programa nuclear e o controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da energia mundial. As negociações em Islamabad foram o primeiro encontro direto entre EUA e Irã em mais de uma década e representaram o diálogo de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979. O processo ocorreu após um cessar-fogo estabelecido dias antes, em meio a um conflito que já dura mais de seis semanas e provocou milhares de mortes, além de forte impacto nos preços globais do petróleo. Fontes paquistanesas relataram que as conversas foram marcadas por oscilações de clima entre as delegações. “Houve mudanças de humor de ambos os lados e a temperatura subiu e desceu durante a reunião”, disse uma fonte local. Entre as demandas iranianas estavam o acesso a ativos congelados no exterior, reparações de guerra, controle do Estreito de Ormuz e um cessar-fogo mais amplo, incluindo o Líbano. Já os Estados Unidos buscavam, como condição mínima, a garantia de livre navegação na região e o enfraquecimento do programa nuclear iraniano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também acompanhou de perto as negociações. Segundo Vance, ele foi consultado diversas vezes ao longo das conversas. No entanto, Trump indicou que um acordo não era indispensável: “Estamos negociando. Se chegamos a um acordo ou não, não faz diferença para mim, porque vencemos”, afirmou a jornalistas. Mesmo sem consenso, autoridades indicaram que novas rodadas de negociação ainda podem ocorrer. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, ressaltou a importância de preservar o cessar-fogo de duas semanas em vigor, considerado essencial para evitar uma escalada ainda maior do conflito. Enquanto isso, a situação no terreno segue instável. Israel, aliado dos EUA, manteve ataques contra posições do Hezbollah no Líbano, e sirenes de alerta continuaram a soar em áreas próximas à fronteira, indicando que a tensão regional permanece elevada após o fracasso das negociações.