Stellantis exibe SUV compacto que deve disputar espaço com BYD no Brasil

admin
23 Apr, 2026
A Stellantis pode ganhar em breve mais um produto para engrossar a ofensiva chinesa no mercado brasileiro de elétricos. Embora ainda não tenha confirmado oficialmente a chegada do modelo, o grupo mostrou a jornalistas brasileiros, durante visita à estrutura da Leapmotor em Hangzhou, na China, um SUV compacto elétrico que tem potencial para entrar nessa briga: o B03x, comercializado no mercado chinês como A10. O carro apareceu em meio a uma apresentação montada para mostrar a força industrial da Leapmotor, parceira global da Stellantis, e para reforçar a ambição da marca de quase dobrar suas vendas em 2026, com apoio decisivo dos mercados de exportação. Nesse contexto, o Brasil aparece como peça importante da estratégia. Como é o B03x Dentro do universo da Stellantis, o tamanho ajuda a situá-lo. O modelo tem dimensões próximas às de um Jeep Renegade, o que o posiciona como um SUV compacto urbano. O B03x/A10 foi apresentado como um SUV global voltado ao público jovem. Na China, traz motor elétrico de 204 cv, 20,4 kgfm de torque, tração traseira, bateria de 53,8 kWh e autonomia de 505 km no ciclo chinês CLTC. São 4,27 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,63 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. Na prática, é um carro que entra no coração do segmento de SUVs compactos, mas com proposta elétrica e apelo tecnológico. O pacote de equipamentos segue a mesma lógica. A Leapmotor destacou ADAS de nível L2 com LiDAR, central multimídia de 14,6 polegadas com resolução 2,5K, sistema de som com 12 alto-falantes, teto panorâmico, bancos dianteiros elétricos com aquecimento e ventilação, rodas de 18 polegadas e suspensão independente. É esse conjunto que faz o modelo despontar como uma peça interessante para a Stellantis. Embora não seja um concorrente direto do BYD Dolphin em carroceria, um é hatch e o outro é SUV, ele pode disputar o mesmo consumidor que quer um elétrico chinês de entrada, se vier com preço competitivo, na faixa de R$ 150 mil. E, no Brasil, esse espaço tende a ficar cada vez mais movimentado. Para se ter uma ideia, o SUV B10, modelo maior que está à venda no Brasil, custa R$ 182.990, e é comercializado com bônus de até R$ 10 mil. Ambições da Leapmotor Durante a visita à fábrica de componentes, a Leapmotor deixou claro o que considera seu diferencial: desenvolvimento interno de componentes e sistemas centrais, o que torna seus preços competitivos. A Leapmotor produz internamente cerca de 65% do custo de seus veículos. Esse índice sustenta o discurso de verticalização da companhia, que insiste em mostrar domínio sobre motores elétricos, arquitetura elétrica e eletrônica, chips, sistemas de bateria, cockpit inteligente, ADAS e componentes ligados à gestão térmica. Em Hangzhou, a empresa mostrou números para sustentar essa narrativa. A planta de motores elétricos tem 78 mil m2. A estrutura dedicada a chips soma 81 mil m2. Já a fábrica de componentes ocupa 69 mil m2. A unidade de motores produz para modelos como A10, B01, B05 e B10, enquanto a área de chips abastece toda a gama. A lógica por trás disso é conhecida, mas a Leapmotor tenta transformá-la em argumento comercial: quem controla mais etapas do desenvolvimento consegue reagir mais rápido ao mercado, reduzir custos e acelerar atualizações de produto. Foi essa a tese repetida ao longo da visita, afinal, a marca foi fundada há apenas 11 anos, em 2015. Brasil é parte da estratégia A Leapmotor quer deixar de ser uma marca forte apenas na China para se tornar uma operação global de volume relevante. E, para isso, a exportação deixou de ser acessória e passou a ser central. A marca saiu de 1.139 veículos vendidos em 2019 para 293.724 em 2024 e 596.555 em 2025. A meta agora é agressiva: chegar a 1 milhão de unidades em 2026. Para chegar lá, crescer só na China não basta. A Leapmotor vai precisar acelerar de forma relevante fora de casa, e a Stellantis é peça central nesse processo. A parceria com o grupo ocidental abriu canais para expansão internacional, especialmente na Europa e, agora, na América do Sul. No caso brasileiro, a importância é ainda maior porque o país foi colocado como um dos pilares da estratégia regional. A Stellantis já confirmou que a produção local da Leapmotor em Pernambuco começará com B10 e C10. Também já anunciou a intenção de adaptar a tecnologia REEV - que acrescenta um motor a combustão como extensor da autonomia elétrica -ao mercado nacional com solução flex, numa tentativa de aproximar a eletrificação das particularidades do uso brasileiro. Além disso, a marca começou a operação no país com 36 pontos de venda e diz que pretende dobrar essa rede até o fim do ano. A expansão sul-americana também passa por Chile, Argentina, Colômbia, Uruguai e Equador. Tudo isso ajuda a entender por que um carro como o B03x não pode ser tratado como um detalhe. Se a Stellantis quiser acelerar rapidamente a presença da Leapmotor no Brasil com mais um produto de volume, o SUV compacto mostrado em Hangzhou parece ter os ingredientes para entrar nessa conta. *Viagem a convite da Stellantis Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.