Os neandertais eram capazes de caçar elefantes? A prova está em um osso antigo; entenda

admin
27 Apr, 2026
Gerando resumo Quando um esqueleto de elefante de 125 mil anos, perfurado por uma lança de madeira, foi descoberto no leito de um antigo lago na Alemanha, em 1948, supôs-se que os neandertais que habitavam a Europa naquela época não eram sofisticados o suficiente para caçar animais tão grandes. Os céticos argumentavam que a lança encontrada junto aos ossos no leito do Lago Lehringen provavelmente havia sido colocada ali por acaso geológico, e não por mãos humanas. E, pelos 78 anos seguintes, os restos mortais foram tratados mais como uma curiosidade do que como uma descoberta revolucionária. Mas uma reavaliação das evidências, publicada no mês passado na revista Nature, conta uma história diferente: o esqueleto apresenta marcas de ferramentas distintas, sinais inconfundíveis de uma morte premeditada. O novo estudo propõe que os pesquisadores originais que estudaram o chamado elefante de Lehringen partiram da premissa equivocada de que qualquer sinal de abate havia sido apagado do espécime. Foi um caso clássico de negligência científica, afirmou Ivo Verheijen, zooarqueólogo do Escritório Estadual do Patrimônio Cultural da Baixa Saxônia, em Hannover, Alemanha, e principal autor do artigo, acrescentando: “Ninguém encontrou nada porque ninguém estava realmente procurando”. A captura de um elefante enorme com presas retas — o maior mamífero terrestre de sua época — oferece provas de que os neandertais estavam longe de ser simples oportunistas. As descobertas mostram que esses primeiros humanos usavam trabalho em equipe coordenado para caçar animais de grande porte 75 mil anos antes da chegada do Homo sapiens à Europa. Thomas Terberger, arqueólogo também do escritório estadual da Baixa Saxônia, que colaborou no projeto, afirmou que as evidências destacam um “elemento fundamental” para a compreensão dos neandertais. Elas demonstram que eles deviam ter um planejamento cuidadoso e um conhecimento profundo de uma paisagem antes considerada exclusiva dos humanos modernos. A escavação da carcaça décadas atrás foi uma bagunça desde o início, começando não com cientistas, mas com mineiros locais removendo camadas de sedimentos, antes que um diretor de escola local, que se tornou arqueólogo amador, aparecesse na cena caótica. Com ossos guardados nos bolsos dos trabalhadores e sem registros fotográficos, a descoberta foi efetivamente reenterrada por sete anos de litígios acirrados sobre os direitos da relíquia. Esquecidos em caixas de papelão no sótão de um pequeno museu na vizinha Verden, os restos mortais permaneceram acumulando poeira. Novo estudo A descoberta finalmente aconteceu no ano passado, quando Verheijen examinou mais atentamente as caixas abandonadas. Ele logo percebeu que o elefante apresentava sinais de ter sido sistematicamente desmembrado pelos antigos caçadores. “Algumas das marcas de corte eram inconfundíveis”, disse Verheijen, expressando incredulidade de que uma prova tão óbvia de um banquete da época do Pleistoceno tivesse passado despercebida. Sua investigação indicou que o elefante era um macho de cerca de 30 anos, com aproximadamente 4 metros de altura nos ombros. Esse macho solitário, e não uma fêmea da manada, provavelmente foi o alvo por representar uma presa mais segura e isolada. Uma lança de teixo de 2,4 metros cravada entre as costelas da criatura evocava uma cena de combate corpo a corpo de alto risco, disse Verheijen. Ao contrário de um dardo leve feito para ataques à distância, o ponto de equilíbrio específico da arma indicava que ela havia sido projetada para ser empunhada e cravada com imensa força. Modos operandi Terberger inferiu que os neandertais se envolviam em um confronto ousado com sua presa colossal. Ele imaginou um cenário em que neandertais perseguiam o elefante ferido até um lago, onde eles prendiam a lança ao solo. As marcas de corte na carcaça, particularmente dentro da cavidade torácica, revelaram que os neandertais realizavam um desmembramento anatômico deliberado. As marcas de incisão precisas e padronizadas, que indicam a extração sistemática de órgãos internos e tecidos de alto valor, são consistentes demais para serem aleatórias ou naturais. Essas conclusões, que apontam para uma atividade controlada e trabalhosa, sugerem que nossos parentes mais próximos tinham visão estratégica e podem ter vivido em grupos sociais maiores, capazes de caçar animais de grande porte. Dezenas de lascas afiadas de sílex (uma rocha sedimentar) desenterradas no sítio arqueológico às margens do Lago Lehringen, juntamente com restos de ursos, castores e auroques abatidos, indicam um esforço coletivo sofisticado. Os caçadores coletaram cerca de 3.500 kg de carne, gordura e órgãos, uma quantidade que, uma vez preservada, poderia alimentar uma pequena comunidade durante toda uma temporada. Leia também Mandíbula achada na Ásia lança luz sobre misterioso grupo de ancestrais do homem moderno Cientistas descobrem o mais antigo morador da Europa Ocidental; veja o que se sabe Um capítulo misterioso da história humana: quando tivemos bebês com os neandertais Gary Haynes, professor emérito de antropologia da Universidade de Nevada, Reno, que não participou da pesquisa, disse que considera as descobertas uma reavaliação vital de um sítio arqueológico importante. “Elas fornecem um conhecimento novo e substancial sobre os neandertais, uma espécie de hominídeo antes considerada como brutamontes desajeitados, que viviam da necrofagia de carcaças de grandes mamíferos”, afirmou. O estudo publicado na Nature coincide com uma nova pesquisa publicada na eLife e na Science que revela as maneiras criativas pelas quais os primeiros humanos se esforçaram para garantir sua sobrevivência. Evidências mostram que, de 1,8 milhão a 125 mil anos atrás, os hominídeos exploraram estrategicamente os elefantes, aproveitando a complexa cooperação em grandes grupos para obter dietas ricas em calorias. No estudo publicado na eLife, os pesquisadores argumentam que o abate de animais pelo Homo erectus na Garganta de Olduvai, na Tanzânia, impulsionou o desenvolvimento cerebral, fornecendo uma fonte imensa e confiável de energia rica em nutrientes — carne e gordura — proveniente da megafauna, como os elefantes. A reportagem foi publicada originalmente no The New York Times. Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.