Câmara do Recife rejeita título de cidadão ao ator Wagner Moura

admin
28 Apr, 2026
A Câmara Municipal do Recife rejeitou nesta segunda-feira (27) o projeto de decreto legislativo (PDL) 01/2026 que concederia ao ator Wagner Moura o título de cidadão da capital pernambucana. Apesar de ter recebido o apoio da maioria dos parlamentares presentes, com um placar de 16 votos favoráveis e 7 contrários, a matéria foi arquivada por não atingir o quórum qualificado exigido pelo Regimento Interno. Para a aprovação de títulos honoríficos, são necessários os votos de 3/5 da Casa, o que equivale a, no mínimo, 23 vereadores. A proposta foi apresentada pelo vereador Carlos Muniz (PSB). Durante a discussão do PDL, o vereador Eduardo Moura (Novo), questionando quais benefícios reais as ações do ator teriam trazido para Recife e criticou o uso político das honrarias. "Deveria ter uma mudança no regimento para que certos tipos de ação totalmente políticas não acontecessem. Temos comandas importantíssimas nesta Casa, mas se a gente mesmo não valoriza, quem é que vai valorizar? Peço aos meus pares que votem não a esse projeto", disse o vereador do Novo. Em contrapartida, Muniz defendeu a trajetória de Wagner Moura e sua ligação recente com a cidade. Ele destacou a atuação do artista como protagonista do filme "O Agente Secreto", dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho e ambientado na capital pernambucana. Para Muniz, o longa-metragem elevou o nome da cidade na indústria cinematográfica mundial e Wagner Moura teria "imprimido o DNA recifense" em seu personagem. “Aclamado no mundo inteiro, o filme acumulou premiações em festivais de cinema e alçou o Recife ao topo da indústria cinematográfica mundial. Por sua vez, Wagner Moura imprimiu o DNA recifense em seu personagem”, disse o autor da proposta. Segundo a Câmara Municipal, o título de “Cidadão do Recife” deve ser destinado a pessoas físicas – brasileiras ou estrangeiras, mas radicadas no Brasil – que tenham comprovadamente prestado relevantes serviços ao município ou à sua gente. O filme concorreu em quatro categorias no Oscar [https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/brasil-bate-recorde-com-5-indicacoes-ao-oscar/] deste ano: melhor filme, melhor filme internacional, melhor seleção de elenco e melhor ator, mas saiu sem estatuetas [https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/oscar-2026-vencedores-lista-completa/] da premiação. Entre os prêmios recebidos na temporada, “O Agente Secreto” levou dois Globos de Ouro [https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/wagner-moura-agente-secreto-levam-o-globo-de-ouro/]: de melhor ator de filme de drama e de melhor filme em língua não-inglesa. Após a cerimônia, Mendonça e Moura criticaram [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/kleber-mendonca-e-wagner-moura-criticam-bolsonaro-depois-de-ganhar-globo-de-ouro/] o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Há cerca de dez anos, o Brasil sofreu uma guinada bem drástica à direita e esses tempos se foram, com o ex-presidente Jair Bolsonaro agora preso”, disse o diretor. O ator chamou o ex-mandatário de “fascista” [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/wagner-moura-ironiza-que-o-agente-secreto-nao-existiria-sem-bolsonaro/] e disse que o filme é a “manifestação física dos ecos da ditadura” no Brasil.