IA e gestão ativa reduzem custos com energia
29 Apr, 2026
IA e gestão ativa reduzem custos com energia Tecnologias permitem ajustar produção à oscilação de preços e elevar eficiência operacional Um dos principais custos operacionais de mineradoras, a energia é item que tem feito as empresas do setor buscarem soluções ligadas a startups e à inteligência artificial. Além de economia na conta de eletricidade ou gás natural, as iniciativas permitem menor emissão de gases de efeito estufa e possibilidade de receita adicional, seja com a operacionalização do mercado de carbono, seja explorando oportunidades no mercado livre de energia elétrica, que responde por 40% da carga do país. Nas últimas semanas, a volatilidade dos preços de energia elétrica no curto prazo tem feito vítimas entre comercializadoras. Em 30 de março, o preço no mercado livre oscilou da cotação mínima de R$ 57 para a máxima de R$ 1600 em poucas horas. “O monitoramento contínuo das operações cria oportunidades para maior flexibilidade e uso da IA para reduzir a produção quando a energia está mais cara e poder comercializar isso, enquanto ela está mais barata otimizar a produção da mina”, diz Igor Santiago, fundador da iSystems, startup que tem o setor de mineração como uma de suas principais fontes de receita e que entre suas investidoras conta com a CSN. Uma das soluções da empresa permite mitigar a variabilidade térmica em altos-fornos ou caldeiras, garantindo uma combustão mais eficiente e uniforme. Isso se traduz em menor consumo de combustível, aumento da vida útil do equipamento e uma produção mais consistente e sustentável. Pode-se obter ganho de 2,9% de eficiência energética. “Outra inovação envolve o uso de agentes de IA que permitem que os operadores vejam em tempo real como está a operação dos equipamentos, onde estão os potenciais de otimização”, afirma Santiago. Outra que tem apresentado soluções de eficiência energética para a indústria de mineração é a goiana Industry Care, que nasceu em 2014 quando os preços de energia elétrica subiram muito, levando as empresas a buscarem otimizar seu consumo. “Foi um meio de desenvolver o negócio”, afirma Bruno Ferreira de Sousa, um dos fundadores da startup, que tem algumas mineradoras na carteira de clientes. A empresa participou de três desafios criados pelo mining hub, espaço de inovação das mineradoras. Em um projeto de bauxita na região Norte, a startup encontrou 250 medidores de energia cujos dados apresentavam distorções devido às variáveis empregadas. Após uma reprogramação da arquitetura de dados em dois meses, foi possível reduzir o consumo de diesel em uma unidade que está isolada da rede elétrica. “Isso permitiu reduzir emissão e consumo de diesel, já que não havia eletricidade chegando a esse projeto”, afirma o empresário. Reprogramação de medidores permitiu diminuir consumo de diesel em operação na região Norte A Industry Care também utiliza IA em seus processos. Em um projeto de alto forno galvanizado no Paraná, a modelagem de energia do complexo foi obtida a cada milissegundo o que permitiu a otimização e uma redução de 9% do uso de gás natural. “Com o mercado de carbono desenvolvido no Brasil, isso pode representar outra receita adicional com a eficiência energética”, observa Ferreira de Sousa. A indústria é responsável por 3% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, ou 70,08 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Desse total, 18% são oriundas do setor mineral, aponta o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Setor Mineral 2024. A queima de combustíveis fósseis, em especial o óleo diesel, é responsável pela maior parte (59%) das emissões. Em seguida, estão as atividades de mudança do uso do solo (14%). O dióxido de carbono, CO2, é o gás predominante, com 85% do total de emissões do setor. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas