Quem é o cientista que recebeu US$ 1,1 bi para criar IA que aprende sozinha
29 Apr, 2026
Resumo O ex-pesquisador do Google DeepMind David Silver criou a Ineffable Intelligence para desenvolver uma IA que aprende sozinha, sem depender de dados produzidos por humanos. O que aconteceu Startup britânica fundada há poucos meses, a Ineffable Intelligence anunciou que recebeu investimento de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) e passou a ser avaliada em US$ 5,1 bilhões (R$ 25,4 bilhões). A informação foi divulgada por TechCrunch e CNBC, que apontam a Sequoia Capital e a Lightspeed Venture Partners como líderes do aporte, com participação de Nvidia, Google, Index Ventures, DST Global e investidores do Reino Unido. Trata-se de uma "rodada semente", o investimento inicial para a criação de um produto viável para realizar testes. Plano da empresa é criar um "superlearner", descrito como um sistema capaz de descobrir conhecimentos e habilidades por conta própria. A aposta é em reinforcement learning (aprendizado por reforço), técnica em que o modelo aprende por tentativa e erro, em vez de estudar exemplos prontos de textos e imagens da internet. Silver diz que a meta é ir além do que os grandes modelos de linguagem (usados nos chatbots) conseguem fazer hoje. Em declaração à CNBC, ele afirmou que a empresa quer "transcender as grandes invenções da história da humanidade, como a linguagem, ciência, matemática e tecnologia". Aprendizado por conta tem desafios. Pesquisadores apontam que sistemas treinados por aprendizado por reforço têm dificuldades para operar em ambientes abertos e imprevisíveis, como o mundo real. Atualmente, a maioria dos modelos avançados - como os chatbots ChatGPT, Gemini, Claude - combinam dados humanos, aprendizagem auto-supervisionada e técnicas de reforço. Quem é David Silver e por que ele pesa no mercado Professor da University College London (UCL), Silver liderou por mais de uma década a área de aprendizado por reforço no DeepMind, laboratório de IA comprado pelo Google em 2014. Ele ficou conhecido por trabalhos em sistemas que aprenderam a jogar apenas com a própria experiência, sem "receitas" humanas. Entre os projetos mais famosos está o AlphaGo, que em 2016 derrotou um dos melhores jogadores do mundo no jogo de tabuleiro Go. A demonstração virou um símbolo do potencial do aprendizado por reforço e ajudou a consolidar a reputação do DeepMind na corrida por IA avançada. À Wired, Silver defendeu que depender de dados humanos limita o salto de capacidade que empresas buscam ao falar em superinteligência. "Dados humanos são como combustível fóssil que nos forneceu um incrível atalho". Na mesma entrevista, ele comparou sistemas que aprendem sozinhos a uma fonte de energia que não se esgota. "Sistemas que aprendem por conta são combustíveis renováveis - algo que pode aprender para sempre, sem limites". Por que essa rodada chama atenção A empresa afirma que se trata da maior rodada semente (seed round) já registrado na Europa, em um momento de corrida por novos laboratórios de IA liderados por nomes conhecidos. Boa parte dos centros de desenvolvimento de IA ficam nos Estados Unidos e na China. . O anúncio também reforça a disputa por talentos e infraestrutura em Londres, onde o DeepMind mantém uma base importante. O movimento tem relação com uma onda de saída de pesquisadores de grandes empresas para criar startups com investimentos bilionários. Silver também afirma que pretende doar o que ganhar com o projeto, embora ainda não esteja claro como a empresa vai transformar a pesquisa em produto. Em entrevista à Wired, ele disse que o que ganhar com a empresa será investido em instituições de caridade de alto impacto, que salvem o máximo possível de vidas". Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.