China amplia presença econômica e tecnológica em países lusófonos da África Ocidental
5 May, 2026
247 - A China tem ampliado sua atuação econômica e tecnológica em países de língua portuguesa da África Ocidental, segundo estudo acadêmico citado pela agência Inforpress. O relatório foi elaborado por pesquisadores da Universidade de Georgetown em parceria com o think tank The Digital Economist. As informações são da RT Brasil. De acordo com o levantamento, o fortalecimento das relações envolve Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. O estudo indica que essas nações, historicamente marcadas por fragilidades econômicas e políticas, vêm aprofundando parcerias com Pequim em diferentes áreas estratégicas. Os autores William Vogt, Guilan Massoud-Moghaddam e Robert Miles Chong afirmam que esses países têm buscado alternativas às relações tradicionais com países ocidentais. Segundo o documento, os três Estados representam "uma história grande e globalmente significativa sobre a melhor forma de prosseguir o desenvolvimento internacional nos mercados emergentes". Em declaração à agência Lusa, Vogt afirmou que "a China está construindo relações mais estreitas com os países de Língua Portuguesa através da ligação cultural partilhada com Macau". Ele também mencionou o apoio histórico de Pequim a movimentos aliados durante os primeiros anos de independência de algumas dessas nações. Investimentos em tecnologia e infraestrutura O estudo aponta que há alinhamento entre as prioridades de investimento chinês e as demandas locais, especialmente em inovação tecnológica e infraestrutura digital. Segundo Vogt, existe "uma convergência na promoção da disseminação de tecnologia avançada de vigilância e na introdução de componentes, ferramentas e infraestruturas essenciais para a sua plena implementação em novos mercados". Essa estratégia está inserida em uma iniciativa global lançada pelo presidente Xi Jinping em 2013, voltada à ampliação de conexões comerciais e de infraestrutura entre Ásia, Europa e África. Projetos em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe Em Cabo Verde, os investimentos concentram-se no turismo e nas tecnologias da informação e comunicação. A instalação de cabos submarinos de fibra ótica pela empresa Huawei é apontada como parte da estratégia de transformar o arquipélago em um polo digital regional. O estudo descreve o investimento externo direto como uma "tábua de salvação" para a economia local. Já em São Tomé e Príncipe, a atuação chinesa prioriza o setor agrícola e o desenvolvimento portuário. Após o rompimento de relações com Taiwan em 2016, o país firmou novos acordos com Pequim, incluindo projetos em tecnologias sustentáveis e apoio à pesquisa agronômica. O relatório descreve o arquipélago como "mais do que a terra do cacau e do café" e o classifica como o "Qatar do Golfo da Guiné" devido à sua posição estratégica. Segundo Vogt, a atuação chinesa indica "uma provável compreensão das prioridades e dos caminhos de desenvolvimento enfrentados por estes países", com oferta de "benefícios socioeconômicos plausíveis" por meio de investimentos e expansão de infraestrutura.