Morre aos 87 anos o empresário Ted Turner, fundador da CNN
6 May, 2026
Morreu nesta quarta-feira, 6, nos Estados Unidos, o empresário norte-americano Ted Turner, fundador da rede de TV CNN e um dos nomes mais poderosos da mídia nos Estados Unidos. Ele tinha 87 anos. Turner revolucionou o jornalismo nos Estados Unidos ao fundar, em 1980, a CNN, a primeira rede do mundo dedicada à cobertura de notícias durante 24 horas por dia. O empresário também teve um conglomerado de mídias e foi ainda um dos principais ativistas ambientais nos EUA. A causa da morte não foi divulgada. Em setembro de 2018, o empresário revelou que sofria de demência com corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa. Com personalidade irreverente e ousada, Turner se tornou bilionário ao assumir os negócios de outdoors de seu pai. Em 1970, com parte do dinheiro, comprou uma emissora de televisão que transformou mais tarde em um vasto grupo televisivo. Além da CNN, fundada em 1980, ele também abriu redes de TV especializadas em esportes e filmes antigos. Comprou os estúdios MGM e fez a fusão da Turner Broadcasting System com a Time Warner, em 1996. Mas Turner enfrentou dificuldades para se adaptar ao sistema corporativo após décadas de autonomia e acabou perdendo o controle de suas redes. Em paralelo, o empresário também se tornou um dos principais ambientalistas do mundo, além de um dos maiores proprietários de terras nos Estados Unidos e um grande filantropo — ele chegou a doar US$ 1 bilhão para a Organização das Nações Unidas (ONU). Ele foi casado com a atriz vencedora do Oscar Jane Fonda. E ainda se destacou no mundo dos esportes: Na década de 1970, também foi dono do time de beisebol Atlanta Braves e do Atlanta Hawks, da liga de basquete dos EUA, a NBA, além de ter vencido a America’s Cup, a regata de vela mais famosa do mundo. Em 1986, ele criou os Jogos da Boa Vontade, uma competição semelhante às Olimpíadas, e, dois anos depois, comprou uma organização de luta livre que fornecia mais conteúdo para a TV. Suas preocupações com a guerra nuclear o levaram a cofundar a Iniciativa de Ameaça Nuclear em 2001. A Forbes estimou a fortuna atual de Turner em US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 13,8 bilhões). “Se eu tivesse um pouco de humildade, seria perfeito”, disse o empresário em uma entrevista. O fundador da CNN Ted Turner e a atriz Jane Fonda, com quem foi casado, em imagem de arquivo em Nova York. — Foto: Reuters Pioneirismo no uso de satélite Registrado como Robert Edward Turner III, Ted Turner nasceu na cidade de Cincinnati, no estado de Ohio, em 1938. Depois, mudou-se para o sul dos EUA e foi enviado para escolas militares, onde se tornou um campeão de debates e iatismo. Na juventude, irritou seu pai ao ir estudar literatura clássica na Universidade Brown em vez de administração. Mas Turner sofreu punições da universidade por colocar uma namorada em seu quarto no dormitório da Brown, entre outras infrações, e nunca se formou. Ele foi então ajudar o pai a tocar os negócios de sua família em Savannah, no estado da Geórgia, vendendo espaços em outdoors. Aos 24 anos, assumiu o comando da empresa após seu pai cometer suicídio. O negócio foi vendido para pagar dívidas, mas após uma disputa familiar na qual Turner saiu vitorioso, ele recomprou a empresa e a tornou um sucesso. Em 1970, contrariando a recomendação de seus consultores, ele comprou uma emissora de televisão UHF em dificuldades em Atlanta, hoje chamada WTBS, por US$ 2,5 milhões. Após um início difícil, Turner finalmente tornou a emissora lucrativa com programação 24 horas de baixo custo. A sorte da emissora melhorou em 1976, após uma decisão federal que permitiu que sistemas de televisão a cabo utilizassem sinais de satélite para programação. Ao ser um pioneiro no uso de satélites, Turner ajudou a WTBS a se tornar a primeira “superestação”, com sua programação sendo transmitida por sistemas de TV a cabo locais em todo o país. Em 1980, ele fundou a CNN na cidade de Atlanta, na Geórgia. A proposta de Turner, à época, era combater a cobertura que ele chamava de “sensacionalista” das principais redes de televisão. Oferecendo baixos salários, mas com a promessa de aventura, Turner contratou jornalistas e equipe técnica que enfrentaram deboches de que a rede não prosperaria. Em vez disso, prosperou como o primeiro canal de notícias 24 horas, estabeleceu um modelo para a cobertura jornalística mundial de guerras, julgamentos, revoluções e desastres naturais e provocados pelo homem. “A menos que haja problemas com o satélite, não vamos sair do ar até o fim do mundo”, disse Turner em uma entrevista à CNN em 2013. Em 2018, em meio ao turbulento primeiro mandato do presidente Donald Trump, Turner disse em uma entrevista que raramente assistia à emissora que fundara, alegando que ela se concentrava demais em política. Como “televisionário”, Turner foi nomeado Homem do Ano em 1991 pela revista Time por “influenciar a dinâmica dos eventos e transformar telespectadores em 150 países em testemunhas instantâneas da história”. Em 1996, a Time Warner Inc. comprou a Turner Broadcasting System, empresa de Turner, por US$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) criando a maior empresa de comunicações do mundo, com marcas como HBO, o estúdio de cinema Warner Bros., a revista Time, a CNN, o Cartoon Network e o Turner Classic Movies. Em 2001, a Time Warner fundiu-se com a provedora de internet AOL, um negócio de US$ 99 bilhões (cerca de R$ 489,4 bilhões) que contou com o voto favorável de Turner. No entanto, na reorganização subsequente, ele foi destituído do cargo de responsável pelas redes de TV a cabo que havia criado e acabou perdendo bilhões com a queda do valor das ações da empresa. Em 2003, Turner renunciou ao cargo de vice-presidente. 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