Crítica de Spider-Noir
31 May, 2026
Estimated reading time: 4 minutos Começa uma nova fase para o Homem-Aranha . Após anos tentando espremer até a última gota do tutano dessa franquia, a Sony Pictures resolveu finalmente apostar na criatividade de criadores realmente inspirados pelos quadrinhos, e deu à luz Spider-Noir . Essa brincadeira inocente exibida pelo Prime Video é uma realização de forte personalidade. Ben Reilly (Nicolas Cage) pendurou o sobretudo e o chapéu do Spider (como o Homem-Aranha é chamado por aqui) há cinco anos. Sua amada faleceu em consequência de seus atos como herói, e hoje ele é apenas mais um detetive de meia-idade, frustrado, em meio à Nova York da Grande Depressão de 1929. Certo dia, no entanto, surge um contrato para investigar o sumiço do homem que incendiou a mansão de Cabelo-de-Prata , o chefão do crime organizado. À medida que Ben se aprofunda no caso, novas descobertas o forçam a confrontar o próprio passado e a reencontrar a motivação para ser, mais uma vez, o Spider . Reprodução/Prime Video Existe um esforço visual muito forte para dar um tom sombrio à série, inspirado principalmente no cinema noir do meio do século passado. Há muitos pontos a favor dessa missão. O preto e branco é bem marcado pela iluminação e pelo contraste, e a direção sabe trabalhar bem com o que está oculto. No entanto, há algo de caricato nos personagens que desafia o tom pretendido, de tal forma que a atmosfera de perigo nunca se estabelece de verdade. É o Cabelo-de-Prata que não é tão ameaçador? Os capangas que são unidimensionais? Talvez um pouco de tudo isso. O fato é que ninguém se importa o suficiente com aqueles personagens para temer por suas mortes. O mais curioso e inventivo da produção, entretanto, é a forma como ela se desafiou a fazer uma versão igualmente charmosa com cores, que se resolve em tom com mais facilidade que a original. As cores vibrantes deixam os cenários tão extravagantes quanto os personagens são caricatos, e de repente há uma atmosfera de farsa que é divertida de acompanhar. Um “simples” recurso muda muita coisa — embora, narrativamente, a falta de atmosfera de perigo seja uma constante Spider-Noir se baseia quase inteiramente em estilo. O próprio título já dá essa dica, para falar a verdade. Há pouco do verdadeiro tom noir, no qual a derrota é certa e o sistema vai vencer todo mundo. Por isso, é tão divertido encarar a série como uma farsa narrativa. É o noir à la Marvel Comics , com um Nicolas Cage pirado. Reprodução/Prime Video O grande mérito, portanto, está em como esses elementos se juntam para formar uma obra única, que não é pensada para ser apenas um projeto mercadológico genérico. Só Nicolas Cage poderia interpretar aquele detetive que mistura Pernalonga a Humphrey Bogart . Só o tom Marvel Comics misturado aos tropos noir poderia criar essa atmosfera de farsa divertida. Não teria como trocar as peças e fazer algo diferente. E isso é louvável e raro para os dias de hoje. No fim das contas, os oito episódios são boas horas de TV para se apreciar com calma. Enfim, Spider-Noir anda com as próprias pernas, é charmosa e divertida. Impressionante? Não, nem um pouco. Mas é um norte importante e revigorante para a exploração do universo do Aranha fora das telas de cinema. Leia também sobre Spider-Noir: Siga o O Vício no Google e não perca nada sobre Cultura Pop! Spider-Noir vai ter 2a temporada no Prime Video? – O Vício Spider-Noir é melhor colorida ou em preto e branco? Nota 7 O post Crítica de Spider-Noir apareceu primeiro em O Vício .