Como seres humanos escolhem pratos em restaurantes

admin
6 Jun, 2026
Escolha de pratos em restaurantes foi estudada por cientistas. Richard Feynman foi um dos físicos mais importantes do século 20. Em 1970, depois de receber o Prêmio Nobel , ele foi com um amigo, Ralph Leighton, a um restaurante tailandês chamado Indra na Califórnia. Era um lugar onde costumavam ir após o trabalho. O amigo disse não saber o que escolher, “sempre escolho o frango com gengibre que adoro, mas será que deveria tentar outro prato?”. Se escolhesse o frango com gengibre, corria o risco de nunca descobrir um prato ainda melhor que o frango. Mas, se escolhesse um prato novo, poderia se frustrar caso o prato fosse pior que o frango, ou se surpreender ao descobrir algo melhor que seria seu novo preferido. Qual a decisão correta? Arriscar um novo prato ou garantir o frango com gengibre? Feynman lembrou que o amigo deveria ter entrado pela primeira vez no restaurante sem saber o que escolher e descobriu o frango com gengibre por acaso. E, se tivesse ido ao restaurante muitas vezes, ao final conheceria todos os pratos, e desse momento em diante escolheria sempre o que mais o apetecia. Mas como, ao longo das diversas idas ao restaurante, eles deveriam se comportar? Ou seja, em que momento a curiosidade por pratos novos deveria dar lugar à escolha constante de um mesmo prato? Qual a maneira ideal de se comportar para garantir o máximo de prazer ao longo das visitas ao restaurante? Feynman pegou um guardanapo e em poucos minutos escreveu uma teoria sobre como essa decisão deveria ser tomada para maximizar a felicidade gustativa a partir do número de visitas que já haviam feito ao restaurante e de quantas ainda fariam até terminar o livro que estavam escrevendo (o famosíssimo The Feynman Lectures On Physics ). O amigo guardou o guardanapo e fizeram a escolha (veja a foto do guardanapo abaixo) . Anotações manuscritas de Richard Feynman detalhando o problema no restaurante. Esse problema é um caso particular de um problema que sempre encontramos. Quando devemos parar de procurar novos namorados e nos satisfazer com o atual? No caso do namorado não é possível voltar ao preferido depois de experimentar vários, o que pode ser feito no restaurante. A solução matemática é, portanto, diferente. Agora um grupo de cientistas recuperou o guardanapo, desvendou os garranchos da solução proposta por Feynman, confirmou que ela está correta, e testou se seres humanos se comportam como previsto pela teoria. Foram recrutados 2.520 voluntários que visitaram um número fixo de vezes um restaurante virtual onde deveriam escolher um prato no menu. Ao escolher o prato virtual, se revelava um número correspondente a quão bom era o prato. Quanto maior o número, melhor o prato. Ao longo das visitas, eles podiam escolher o prato que quisessem, mas o objetivo era que acumulassem o maior número de pontos possível. Se descobrissem um prato com nota alta, poderiam voltar sempre a esse prato ou arriscar um novo. É exatamente o dilema dos frequentadores de restaurante. O que os cientistas descobriram é que seres humanos se comportam como previsto pelo modelo. Ou seja, sem saber a solução que matematicamente garante a melhor escolha, os seres humanos utilizando seu cérebro, de maneira intuitiva e inconsciente, se comportam como é predito pelo modelo de Feynman. Pense bem, isso é impressionante. Mais informações: Resolving Feynman’s restaurant problem reveals optimal solutions and human strategies. Proc. Natl. Acad. Sci. USA. https://doi.org/10.1073/pnas.2509612123 2026