Ela assumiu empresa de motopeças após morte do marido e dobrou vendas
6 Jun, 2026
Resumo O início de 2008 marcou uma reviravolta na vida da advogada Denise Remor. Em janeiro daquele ano, ela perdeu o marido, o empresário Oscar Branco, vítima de um infarto. Alguns anos depois, ela assumiu o comando da empresa do esposo, a Magnetron, que desenvolve e comercializa peças para motocicletas. Mesmo já tendo contato com o negócio, ela diz que a adaptação foi gradual. "Fui aprendendo aos poucos". Um dos principais desafios, fala a empresária, foi lidar com imprevistos na gestão. "Você tem um planejamento, mas, de repente, acontece algo fora do seu controle e precisa corrigir". O resultado veio ao longo dos anos. Em 2025, a empresa vendeu cerca de 14 milhões de peças em todo o país, mais que o dobro do volume comercializado no início de sua gestão. O portfólio também saltou de cerca de 620 itens para mais de 2.100 peças atualmente. Fortalecimento da marca A empresária conta que um dos focos de sua gestão foi investir no fortalecimento da marca. "O propósito era consolidar a empresa. A partir disso, começamos a implementar ações e chegamos onde estamos hoje", diz. Um dos marcos dessa virada foi a entrada em campanhas de grande visibilidade, incluindo ações em televisão a partir de 2014. "A marca já era conhecida pelas montadoras, mas ainda não tinha força no mercado de reposição. Isso mudou completamente", explica. A empresa ainda identificou uma dificuldade comum no mercado: muitos mecânicos —que são os profissionais que vão usar as peças— tinham dúvidas na instalação correta delas. A solução veio em forma de conteúdo técnico e treinamentos. Inicialmente, com vídeos simples no YouTube ensinando a aplicação de componentes —como o estator, peça responsável por gerar energia na motocicleta—, e depois com iniciativas mais estruturadas. O projeto evoluiu para a criação da "Academia Duas Rodas", projeto de capacitação que oferece cursos e treinamentos para profissionais do setor. A empresa também promove o "Desafio Duas Rodas", um reality show voltado a mecânicos, que chega à terceira edição neste ano. Importar em vez de produzir Uma das viradas da empresa também ocorreu em 2018. Até aquele ano, a firma mantinha a produção das peças no Brasil, mas optou por importar da China, mantendo aqui o desenvolvimento de produtos, controle de qualidade e testes. Segundo Denise, fatores como carga tributária elevada, custos trabalhistas e baixa competitividade industrial tornam inviável a produção em larga escala no país. "É impossível produzir no Brasil com o nosso custo, o que é uma pena", diz. O galpão fica no município de Garuva, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, e a parte administrativa fica em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Os desafios da importação Importar está mais acessível hoje do que em outros momentos e pode trazer benefícios para empresários. No entanto, avalia Luiz Antonio Rolim de Moura, coordenador de Mercado Empresarial do Sebrae/PR, o processo exige estratégia, já que decisões mal planejadas podem comprometer o negócio. Moura afirma que "há quatro pontos que, na prática, separam o importador que sustenta o negócio daquele que se queima na primeira oscilação do mercado": - A necessidade de saber o que está importando; - Não ancorar o negócio só em produtos importados; - Conhecer alternativas; - Evitar a dependência de um fornecedor exclusivo. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.