Por que a GWM paga menos imposto, mas cobra mais por híbridos flex

admin
17 Jun, 2026
Resumo A GWM encontrou nos híbridos flex uma conta especialmente favorável no Brasil. Com a nova tecnologia, a marca melhora o enquadramento tributário dos carros no Mover - programa do governo federal que incentiva a mobilidade verde -, reduz a carga de IPI e, ao mesmo tempo, mantém ou até reajusta os preços de tabela. Foi o que aconteceu com a linha 2027 do Haval H6. O SUV passou a ser flex em todas as versões, incluindo as híbridas convencionais e as plug-in, mas a mudança não veio acompanhada de redução de preço. Três versões ficaram R$ 1 mil mais caras, o GT manteve o valor anterior e a versão One voltou à gama como porta de entrada. A mesma lógica apareceu antes no Tank 300. O SUV, apresentado pela marca como o primeiro híbrido plug-in flex do mundo, passou de R$ 338.990 para R$ 342 mil. O aumento foi tímido, de pouco mais de R$ 3 mil, mas veio justamente junto da adoção da tecnologia que reduz a tributação do modelo. A vantagem está na tabela do chamado IPI Verde, criada dentro do Mover. O Decreto no 12.549/2025 estabelece uma alíquota-base de 6,3% para automóveis de passageiros. A partir daí, o imposto sobe ou desce conforme critérios como fonte de energia, tecnologia de propulsão, eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade. No critério de fonte de energia e tecnologia de propulsão, os híbridos flex têm tratamento bem mais favorável que os equivalentes a gasolina. Um híbrido plug-in flex ou a etanol tem redução de 2 pontos percentuais no IPI. Já um híbrido plug-in a gasolina sofre acréscimo de 2 pontos percentuais. Na prática, a diferença é de 4 pontos percentuais. Um híbrido plug-in flex parte de 4,3% de IPI nesse critério, enquanto um híbrido plug-in a gasolina parte de 8,3%, antes dos demais ajustes previstos no programa. É o caso das versões plug-in do Haval H6 e do Tank 300. Ao adotar o motor flex, a GWM melhora o enquadramento tributário desses modelos sem reduzir os preços ao consumidor. O Haval H6 PHEV teve reajuste de R$ 1 mil em algumas versões, enquanto o Tank 300 subiu de R$ 338.990 para R$ 342 mil. Nas versões híbridas convencionais do Haval H6, a vantagem também é relevante. Um híbrido completo flex tem redução de 1,5 ponto percentual no IPI, enquanto um híbrido completo a gasolina recebe acréscimo de 3 pontos percentuais. A diferença, nesse caso, é de 4,5 pontos percentuais. Considerando apenas esse critério, a alíquota parte de 4,8% no híbrido completo flex, contra 9,3% no híbrido completo a gasolina. A alíquota final de cada versão ainda depende dos demais fatores previstos no IPI Verde, como eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade. Mas a mudança para flex já melhora a conta tributária da GWM em uma faixa de modelos de alto valor agregado. Na linha 2027 do Haval H6, os preços ficaram assim: Haval H6 One - R$ 199.900 Haval H6 HEV2 - R$ 225.000, alta de R$ 1.000 Haval H6 PHEV19 - R$ 250.000, alta de R$ 1.000 Haval H6 PHEV34 - R$ 290.000, alta de R$ 1.000 Haval H6 GT - R$ 326.000, sem aumento Por que os carros não ficaram mais baratos? A GWM sustenta que a adoção do flex não é apenas uma mudança tributária. Segundo a marca, o motor 1.5 turbo do H6 recebeu novas velas, filtros, bomba de combustível, bicos injetores, sensor, materiais revisados e tratamento diferenciado na superfície do pistão para lidar com o etanol. A potência do motor a combustão foi mantida em 150 cv e o torque em 24,5 kgfm. Em entrevista coletiva durante o salão de Pequim, na China, executivos da GWM afirmaram que há ganho na tabela do IPI, mas disseram que o desenvolvimento da tecnologia também tem custo. Apenas para o desenvolvimento do conjunto híbrido plug-in flex do Tank 300, foram investidos 80 milhões de RMB, o equivalente a cerca de R$ 60 milhões. A marca explicou que a calibração flex exige engenharia, testes e validação para diferentes condições de uso no Brasil. No caso do Haval H6, o trabalho foi mais complexo porque a linha reúne versões híbridas convencionais e híbridas plug-in. Segundo a GWM, foi preciso calibrar o motor 1.5 turbo para atuar em conjunto com diferentes sistemas eletrificados. O Tank 300 chegou antes justamente por ter uma configuração menos complexa de adaptar. A empresa também vincula o projeto flex a uma estratégia mais ampla de localização. O Haval H6 já é produzido em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e a GWM diz que os investimentos em engenharia e desenvolvimento fazem parte das exigências e oportunidades abertas pelo Mover. Mover não pode sair pela culatra Uma das críticas às políticas de emissões e segurança é que elas podem encarecer os carros. Ao exigir motores mais eficientes, menor emissão de poluentes, novas tecnologias assistivas e estruturas mais seguras, os programas empurram a indústria para produtos melhores, mas também mais caros de desenvolver e produzir. O Mover tenta responder a esse risco com incentivos mais claros. O programa combina exigências obrigatórias para veículos novos com instrumentos de compensação para as empresas, como o IPI Verde e os créditos financeiros para pesquisa, desenvolvimento, inovação, engenharia e produção tecnológica no país. No caso do IPI Verde, o imposto passa a variar conforme os atributos do carro. Modelos mais eficientes, eletrificados, flex, mais seguros ou com maior reciclabilidade podem pagar menos. Já veículos menos alinhados aos critérios do programa ficam em faixas mais altas de tributação. Há também os créditos financeiros ligados aos investimentos das empresas. Segundo o MDIC, o Mover prevê créditos em contrapartida a gastos em pesquisa e desenvolvimento realizados no Brasil - como o desenvolvimento de conjuntos eletrificados, por exemplo. Esses créditos podem ser usados para abater tributos federais e variam conforme o tipo de investimento e os indicadores cumpridos pela empresa. O risco, do ponto de vista do consumidor, é que a política pública reduza imposto e incentive desenvolvimento, mas isso não apareça na ponta como preço menor. Nos híbridos flex da GWM, por enquanto, o que se viu foi o contrário: os modelos ganharam tecnologia, melhoraram o enquadramento tributário e tiveram preços mantidos ou reajustados. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.