Indústria será capaz de atender à demanda de baterias, diz setor
18 Jun, 2026
O diretor-executivo da Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Fábio Lima, disse que a indústria nacional tem capacidade para atender à demanda do 1o leilão de baterias do Brasil. A declaração foi dada em entrevista ao Poder360 na última 6a feira (12.jun.2026). O MME (Ministério de Minas e Energia) publicou em 3 de junho as diretrizes do certame, que será realizado em 2 etapas. A 1a, em 2 de dezembro de 2026, será exclusiva para projetos que cumpram requisitos mínimos de nacionalização, segundo critérios do BNDES. A 2a, em 4 de dezembro, será aberta a sistemas sem a mesma exigência de conteúdo local. “Hoje em dia isso é possível”, afirmou Lima ao ser questionado se a indústria brasileira consegue suprir a demanda. [shortcode-newsletter] Segundo ele, já há empresas que produzem soluções para aplicações comerciais e industriais de armazenamento no país. Com o leilão, e as exigências do MME, há um sinal claro do governo pro setor fabril de que essas soluções podem ser produzidas em maior escala. Assista à entrevista completa (32min05s): https://www.youtube.com/watch?v=uDe_d3F7ofg O diretor-executivo da Absae afirmou que atores já responderam ao chamado do governo para investir no Brasil. Disse haver interesse crescente de empresas estrangeiras, especialmente chinesas, em participar do leilão e instalar produção no país. “Eu tenho recebido quase diariamente contato de novas empresas que querem vir ao Brasil participar do leilão”, declarou. Lima também citou empresas brasileiras que já atuam no segmento, como o Grupo Moura, que anunciou investimentos no setor de baterias de lítio. AVANÇO E PLANEJAMENTO Apesar dos elevados ânimos provocados pelo leilão, o setor ainda exige um certo afinamento da regulamentação brasileira de baterias. Segundo Lima, o desenvolvimento da indústria nacional depende da criação de um mercado permanente para armazenamento de energia, e não apenas de uma contratação pontual. “Essas fábricas não podem ser fábricas de um leilão. Elas têm que responder a um mercado”, disse. A Absae estima que o mercado brasileiro de baterias movimente cerca de R$ 77 bilhões até 2034, sob premissas consideradas “conservadoras” pela entidade. Lima defende, porém, que o país insira a novidade no planejamento de longo prazo do setor elétrico. Isso incluiria facilidades tributárias em equipamentos, reformas tarifárias que considerem as baterias e alternativas para o uso do armazenamento –que vão além do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência). “A gente ainda precisa tomar algumas medidas de um ponto de vista regulatório e político para dar segurança para esse mercado”, declarou. Um dos usos propostos por Lima é a instalação de baterias junto a geradores solares e eólicos. A lógica é diferente da modalidade de contratação de armazenamento adotada pelo leilão que ocorrerá no final deste ano. Na compra de reserva de capacidade, as baterias são acionadas de forma centralizada para entregar potência ao sistema em momentos de maior necessidade. Já no modelo defendido pelo diretor da Absae, o armazenamento também poderia ser usado diretamente pelos geradores para guardar energia em momentos de sobra e injetá-la depois, quando houver maior demanda ou melhores preços. O excesso de energia produzida em determinados períodos do dia já é uma problemática constante para o setor no Brasil. Há menos de duas semanas, no dia 7 de junho, o ONS (Operador Nacional do Sistema) acionou um plano de gestão de excedentes que cortou a geração de energia no domingo do feriado de Corpus Christi para evitar panes no sistema. Para Lima, o episódio ilustra a necessidade de dar sinais econômicos para que geradores invistam em armazenamento. Ele afirma que, sem regras adequadas, a bateria fica restrita ao papel contratado no leilão, quando poderia também funcionar como ferramenta para reduzir desperdício de energia renovável. “O curtailment vem de uma falta de sinal econômico adequado. O consumidor residencial não tem sinal para consumir no horário de sobra, para reduzir seu consumo na ponta. E o gerador não tem sinal suficiente para investir em novas tecnologias para reduzir sua exposição ao curtailment”, declarou.