Vacinas 100% brasileiras: proteger vidas e garantir soberania

admin
25 Jun, 2026
Vice-presidente da CCT, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), presidente da audiência pública Geraldo Magela/Agência Senado Poucos investimentos geram tanto retorno para uma nação quanto aqueles destinados à ciência, à tecnologia e à inovação. Quando falamos em vacinas, esse retorno é mais que apenas econômico. Ele representa vidas salvas, autonomia nacional e segurança para milhões de brasileiros. Nesta semana, tive a honra de presidir uma audiência pública no Senado Federal para discutir os avanços, os desafios regulatórios e o financiamento das vacinas nacionais estratégicas. O encontro reuniu representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ministério da Saúde, Finep, Anvisa, Academia Brasileira de Ciências, Instituto Butantan, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diversos pesquisadores que dedicam suas vidas ao fortalecimento da ciência brasileira. O Brasil aprendeu uma lição durante a pandemia Durante o período em que estive à frente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, vivemos um dos momentos mais desafiadores da história recente. Antes mesmo da declaração oficial da pandemia de Covid-19, criamos a RedeVírus MCTI, reunindo alguns dos maiores especialistas do país para orientar tecnicamente as ações do governo. Foi nesse momento que enfrentamos uma realidade preocupante: o Brasil possuía capacidade para produzir vacinas, mas dependia de tecnologias desenvolvidas no exterior. Ou seja, não dominávamos integralmente todas as etapas do desenvolvimento de um imunizante. Essa dependência representa um risco estratégico. Em uma emergência global, cada país naturalmente prioriza sua própria população. Por isso, desenvolver tecnologia nacional deixou de ser apenas um objetivo científico; tornou-se uma questão de soberania. Ciência brasileira mostra sua força A audiência demonstrou que o Brasil avançou significativamente. O Instituto Butantan segue desenvolvendo uma vacina nacional contra a dengue, doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos. Outro grande destaque é a vacina SPINTEC, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas) da UFMG. Trata-se da primeira vacina contra a Covid-19 concebida integralmente no Brasil, desde o desenho do antígeno até os ensaios clínicos. Esses projetos mostram que nossos pesquisadores possuem competência para desenvolver soluções de classe mundial quando encontram apoio institucional e financiamento adequado. O maior desafio já não é somente científico O conhecimento existe. Os pesquisadores também. Hoje, um dos maiores obstáculos está na capacidade de transformar inovação em produto disponível para a população. Durante a audiência, especialistas apontaram a necessidade de tornar o ambiente regulatório mais eficiente, mantendo o rigor técnico e a segurança, mas reduzindo entraves que acabam atrasando tecnologias desenvolvidas no próprio país. Outro desafio importante é ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Ciência não pode ser tratada como gasto eventual, mas como investimento estratégico para o futuro do Brasil. A próxima pandemia não é uma hipótese. É uma possibilidade real. Especialistas do Ministério da Saúde apresentaram estudos indicando que existe elevada probabilidade de enfrentarmos uma nova pandemia respiratória nas próximas décadas. Não sabemos quando ocorrerá nem qual será o agente causador. Mas sabemos que ela virá. A pergunta que precisamos responder é simples: estaremos preparados? Preparação significa investir continuamente em pesquisa, laboratórios, infraestrutura científica, formação de pesquisadores, produção nacional de insumos e desenvolvimento tecnológico. Foi exatamente com esse pensamento que defendI projetos estruturantes como o Orion, em Campinas, laboratório NB4 — o primeiro da América Latina com esse nível de biossegurança e integrado a um acelerador de partículas. Sempre respondi da mesma forma quando questionavam o investimento necessário: "Quanto vale uma vida humana?" Ciência é investimento, não despesa Tenho defendido ao longo de toda a minha trajetória que ciência, tecnologia e inovação devem ser tratadas como políticas de Estado. Cada real investido em pesquisa gera conhecimento, empregos qualificados, desenvolvimento econômico, competitividade internacional e maior capacidade de proteger nossa população diante de futuras crises. O Brasil possui pesquisadores extraordinários, universidades de excelência e instituições reconhecidas mundialmente. O que precisamos é garantir continuidade, previsibilidade e visão de longo prazo. Chegou o momento de transformarmos orgulho em ação. Eu continuarei trabalhando no Senado Federal para que nossos pesquisadores tenham as condições necessárias para desenvolver tecnologias que protejam vidas, fortaleçam nossa soberania e construam um futuro melhor para todos os brasileiros. Porque eu acredito na ciência brasileira.