Final da 1a Copa da história utilizou duas bolas de futebol, uma do Uruguai e uma da Argentina
27 Jun, 2026
No dia 30 de julho de 1930, o Estádio Centenário, em Montevidéu, recebeu a primeira final de Copa do Mundo da história. O confronto entre Uruguai e Argentina carregava uma rivalidade intensa, vinda da final olímpica de 1928. No entanto, um detalhe técnico quase impediu o início da partida: o desacordo sobre qual bola os jogadores utilizariam no gramado. O impasse das ‘redondas’ na final da Copa de 1930 Naquela época, a FIFA ainda não padronizava o equipamento oficial do torneio. Consequentemente, cada seleção defendia o uso do modelo com o qual treinava habitualmente. A Argentina insistia na “Tiento”, uma bola mais leve e de comportamento veloz. Por outro lado, o Uruguai exigia o uso do “T-Model”, uma esfera mais pesada e robusta. Como nenhum dos finalistas aceitava ceder, o clima de tensão subiu de tom nas horas que antecederam o apito inicial. Para resolver o conflito, o árbitro belga John Langenus tomou uma decisão inédita: ele utilizou um sorteio na moeda para definir a ordem das bolas. Ficou decidido que a final da Copa de 1930 rolaria com a bola argentina no primeiro tempo, enquanto a uruguaia entraria em campo na etapa final. Primeiro tempo: domínio argentino Com o uso da sua bola preferida nos primeiros 45 minutos, os argentinos demonstraram maior conforto técnico. Embora o uruguaio Pablo Dorado tenha aberto o placar aos 12 minutos, a Argentina reagiu prontamente. Carlos Peucelle empatou o jogo e Guillermo Stábile virou o marcador pouco depois. Assim, a equipe visitante foi para o intervalo vencendo por 2 a 1, alimentando a esperança de conquistar o título em solo adversário. Segundo tempo: a virada uruguaia Na segunda metade do confronto, a organização trocou a bola pelo modelo uruguaio. A partir desse momento, a seleção da casa assumiu o controle total das ações. José Pedro Cea empatou a partida aos 12 minutos do segundo tempo. Pouco depois, Victoriano Santos Iriarte acertou um chute surpreendente de 30 metros de distância e colocou o Uruguai na frente. Faltando apenas um minuto para o término, Héctor Castro consolidou a vitória com um gol de cabeça. O placar final de 4 a 2 garantiu ao Uruguai o primeiro título mundial, motivo pelo qual o governo declarou feriado nacional no dia seguinte. Além da bola: clima de guerra Apesar da influência técnica do equipamento, outros fatores pesaram no resultado final. Jogadores argentinos relataram um ambiente de extrema intimidação. O craque Luis Monti revelou que recebeu ameaças de morte contra ele e sua família antes do jogo, o que o deixou aterrorizado em campo. Além disso, Francisco Varallo, o último sobrevivente daquela final, mencionou anos depois que vários companheiros sentiam medo de morrer caso vencessem a partida em Montevidéu. Somado a isso, o goleiro argentino Botasso jogou parte do segundo tempo com uma lesão na costela após um choque com “Manco” Castro, o que dificultou a defesa no terceiro gol uruguaio.