"Não existe mais bobo no futebol": você vai ouvir esta frase hoje

admin
30 Jun, 2026
Seleção Paraguaia Reprodução/X @albirroja Hoje quando você for comprar seu pão quentinho matinal na padaria, ou fizer uma parada para um café no refeitório da sua empresa, ou apenas ligar a TV para acompanhar a Copa do Mundo , seguramente vai ouvir um tradicional jargão esportivo brasileiro: "Não existe mais bobo no futebol" . Difícil precisar quem criou a tão conhecida expressão. Uma pesquisa rápida na internet sugere que treinadores veteranos da Seleção Brasileira como Zagallo, João Saldanha e Zezé Moreira já diziam a frase para motivar seus jogadores e alertar a imprensa sobre a qualidade duvidosa de determinado adversário. Mas, pelo visto, o jargão existe há muitas décadas. E continua atualíssimo, sendo repetido cada vez que acontece alguma "zebra", que aliás é mais uma expressão curiosa do futebol e pode ser explicada em outra oportunidade. Dona de quatro títulos mundiais, a respeitada e favorita Alemanha caiu nos pênaltis para a Seleção do Paraguai , que não disputava uma Copa do Mundo desde 2010. Marrocos também eliminou a Holanda nas penalidades . E por mais que a seleção africana tenha evoluído consideravelmente no esporte e chegado à posição de número sete no ranking da FIFA, ainda carrega menos peso do que a "Laranja Mecânica", finalista em três edições do mundial (1974, 1978 e 2010). Ou seja, tradição ainda importa, mas não tanto. Há outros aspectos em jogo no futebol atual. Combo de globalização, mais as evoluções tática e física Com a globalização das táticas, a evolução física dos atletas, a informação democratizada e o acesso à análise de desempenho, seleções e clubes de menor expressão conseguiram nivelar a competitividade, tornando várias partidas imprevisíveis. Ou alguém em sã consciência imaginaria que a badalada Espanha, atual campeã europeia, empataria com Cabo Verde, na estreia da Copa do Mundo, consagrando o carismático goleiro Vozinha? Com exceção da goleada impiedosa da Alemanha por 7 a 1 sobre Curaçao , nesta Copa o que se viu foram as equipes menos tradicionais exigindo suor redobrado dos favoritos históricos. O Equador , vice-líder das eliminatórias sul-americanas, não conseguiu vencer o próprio Curaçao. Para furar as retrancas e os sólidos sistemas defensivos, ainda acredito que o melhor é o craque. Com um drible, um passe inimaginável ou uma finalização certeira, o bom jogador pode decidir partidas. Neste mundo globalizado e padronizado, ele é o impoderável, o diferencial dos grandes times. Argentina e a "corda esticada" Neste contexto fica o alerta para a Argentina , uma seleção que tradicionalmente disputa mundiais com a "corda esticada", fazendo jogos dramáticos, no limite, com a característica apaixonada do povo. Mas, nesta edição, Messi parece estar leve e a atual campeã mundial até venceu com tranquilidade os primeiros adversários: Áustria, Árgélia e Jordânia . Essa "corda esticada" pode fazer falta em algum momento mais decisivo da competição. Dizem por aí que os nossos hermanos têm um caminho fácil até pelo menos a semifinal da Copa. Primeiro enfrenta Cabo Verde. Se passar, vai encarar o ganhador do confronto entre Egito e Austrália , que vendeu caríssimo a eliminação para a propria Argentina nas oitavas de final de 2022. Então, abram os olhos, muchachos, que o futebol pode ser surpreendente e emocioante. Inclusive repito o jargão em espanhol para ficar bem claro e nossos hermanos compreenderem: "Ya no quedan tontos en el fútbol" .