Congo passa de 500 mortes por ebola e agentes da saúde miram greve
6 Jul, 2026
O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 500 mortos entre mais de 1,5 mil casos confirmados, informou o Ministério da Saúde do país na noite deste domingo (5). O anúncio coincide com a ameaça de greve de profissionais da saúde que atuam na linha de frente, motivada por atrasos no pagamento de benefícios e más condições de trabalho. A resposta médica tenta conter o avanço da doença. Desde a declaração oficial do surto, em 15 de maio, a pasta contabilizou 1.561 casos e 506 mortes provocadas pelo vírus. Segundo a atualização oficial, o ritmo de disseminação da enfermidade continua a superar as ações de contenção do governo. Profissionais da saúde destacados para a província de Ituri, considerada o epicentro do surto, emitiram um aviso de 24 horas às autoridades. A categoria promete paralisar as atividades caso as reivindicações salariais não sejam atendidas e as condições de trabalho não melhorem na região. O grupo reúne equipes que trabalham com pouco descanso e enfrentam a desconfiança de moradores, além de ataques locais. No aviso enviado ao governo, do qual a Associated Press (AP) obteve uma cópia, as equipes que atuam dentro e fora dos hospitais afirmam que não recebem benefícios desde o início do surto e que sofrem com a falta de insumos básicos. Eles também reclamaram de salários baixos, da "arrogância" de equipes enviadas da capital do país, Kinshasa, e do uso "excessivo" de mão de obra de outras províncias sem priorizar trabalhadores locais em Ituri, além da falta de equipamentos adequados. As ameaças de greve ocorrem poucos dias após o início do recrutamento para ensaios clínicos, aumentando as preocupações no epicentro sobre seu possível impacto. Qualquer paralisação também pode prejudicar os esforços para conter a disseminação do surto, que agora foi confirmado em três províncias do leste, incluindo Kivu do Norte e Kivu do Sul. A falta de vacinas ou tratamentos aprovados para o vírus Bundibugyo, responsável pelo atual surto de ebola, tem complicado os esforços de resposta. O vírus Zaire, mais comum e para o qual existe vacina, foi responsável pela maioria dos 16 surtos anteriores da doença no Congo. As autoridades ainda não identificaram o paciente zero do surto e precisam rastrear possivelmente dezenas de milhares de pessoas que tiveram contato com indivíduos infectados. O primeiro mês deste surto de ebola foi o pior já registrado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).