Inovações em SC podem colocar o Brasil na liderança da biotecnologia global, diz médico radicado em Boston que preside a Vesper Bio

admin
7 Jul, 2026
Com pesquisadores de classe mundial e natureza diversificada, o Brasil está desenvolvendo inovações que podem o colocar na liderança da nova corrida biotecnológica mundial. É essa a visão do médico endocrinogista Rogério Vivaldi, presidente do conselho de administração (chairman) da holding catarinense Vesper Biotechnologies. Radicado em Boston, nos Estados Unidos, onde já liderou quatro IPOs de empresas de biotecnologia, ele fala com base no trabalho da companhia brasileira que lidera atualmente. Continua depois da publicidade Situada em Florianópolis, Santa Catarina, a Vesper Biotecnologies é a primeira venture builder do Brasil voltada ao desenvolvimento de inovações complexas nas áreas de saúde e agronegócio. Reúne oito deep techs, das quais quatro pesquisam a cura de câncer e Alzheimer, e quatro são focadas na agricultura sustentável. A holding já mobilizou R$ 220 milhões em investimentos e está em busca de aportes para avançar mais nesses projetos. Veja mais imagens de Rogério Vivaldi e da Vesper Biotecnologies: Continua depois da publicidade – O Brasil está começando a criar uma geração de plataformas de biotech. Não são réplicas, não são ‘copy and paste’. A gente está fazendo inovação original ‘made in Brazil’ – enfatizou Vivaldi em Florianópolis, em evento recente da Vesper Bio voltado a cientistas e investidores. Foi essa a mensagem também que o presidente do conselho da Vesper transmitiu ao falar para investidores e empresários no SC Day, em Nova York, evento que integrou a programação da Brazil Week, em maio último. Continua depois da publicidade Ele é entusiasta dessa transformação porque tem trajetória relevante na área de doenças raras. Ficou conhecido globalmente porque tratou todos os pacientes brasileiros com a doença de Gaucher, fundou a empresa Genezyne Brasil e liderou a abertura dela também nos EUA. Além disso, acompanhou avanços de tratamentos de outras doenças raras porque, como médico, sabe das urgências dos pacientes. – As pessoas com doenças, principalmente com doenças sem tratamento e com doenças raras, não podem esperar. E, às vezes, acho que as pessoas esquecem do senso de urgência. Uma vez fui criticado pelos meus colegas médicos porque disse, há muitos anos atrás, que os médicos deviam ficar doentes uma vez por ano porque eles seriam melhores médicos – alertou Vivaldi. Continua depois da publicidade O presidente do conselho da Vesper observou que quando a maioria pensa em biotecnologia, pensa no novo, na molécula. Mas ele pensa nas pessoas, nas famílias esperando, esperançosas de que alguma coisa possa transformar a vida dos seus doentes. Por isso é importante ter os cientistas e os empreendedores que se recusam a desistir e seguem construindo coisas impossíveis, ressaltou ele. Avanços de deep techs da Vesper Fundada em 2018 pelos empresários Gabriel Bottos (CEO), Rafael Bottos, Julio Moura, Pedro Moura e Jonas Sister, a Vesper Biotecnologies conta com 100 profissionais, dos quais 75 doutores. Ela tem, também, 17 patentes registradas nos EUA. Continua depois da publicidade Das quatro empresas voltadas a inovações disruptivas para saúde humana, a Aptah Biociences, que pesquisa tratamento de câncer, já obteve do FDA o selo ODD (Orphan Drug Designation). Ele permite testes clínicos em humanos para tratar doenças raras e agressivas. No grupo das startups agrícolas, a expectativa da Vesper é ter produtos no mercado em dois anos. A startup Symbiomics, por exemplo, desenvolveu micro-organismos que reduzem em até 30% a necessidade de fertilizantes e elevam até 50% a produtividade agrícola. A Symbiomics atraiu aporte da Corteva, multinacional americana que atua no agronegócio. Continua depois da publicidade Determinação para inovar A Vesper Bio nasceu da determinação de empreendedores para inovar com soluções para o mercado mundial. Elas podem ser desenvolvidas a partir de Florianópolis, em Santa Catarina, onde a qualidade de vida é um diferencial para cientistas e já existe um dinâmico ecossistema de tecnologia e inovação entre os maiores do Brasil. Rogério Vivaldi, que há mais de 20 anos reside em Boston porque necessitou trabalhar na cidade americana que é sede de algumas das melhores universidades do mundo – Harvard e MIT – avalia que o Sul do Brasil pode se transformar em referência na área de biotech. Continua depois da publicidade – Santa Catarina tem empreendedorismo, universidades, um mindset de inovação, cultura de tecnologia e uma qualidade de vida que atrai as pessoas para morar. Essa combinação importa de maneira significativa porque eu não tenho dúvidas de que quem vai vencer em biotech não vencerá porque tem mais recursos, mas porque tem mais colaboração – disse Vivaldi. Na avaliação dele, essa colaboração dos ecossistemas, com a participação de cientistas, empreendedores e investidores, está presente em SC. Por isso disse acreditar que a grande história da biotecnologia não precisa iniciar em Boston. Pode acontecer no Sul do Brasil. Continua depois da publicidade Entre os diferenciais favoráveis para pesquisas estão o fato de o país ter, em função da imigração, o mais miscigenado genótipo do mundo. E, pelo clima tropical e subtropical, tem também flora e fauna entre as mais diversificadas do mundo. A cultura e a natureza também colaboram com a biotecnologia.