Justiça do Acre adota protocolo inédito para blindar robô do TJAC contra ‘hackers da IA’
14 Jul, 2026
O avanço da inteligência artificial trouxe celeridade para os tribunais, mas também acendeu o sinal de alerta para novas e sofisticadas ameaças tecnológicas ao redor do mundo. Antecipando-se a esse cenário de risco, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) oficializou a adesão ao Protocolo de Segurança e Proteção à Inteligência Jurídica (PSPIJ). A medida preventiva tem como objetivo blindar os sistemas da corte acreana contra o chamado “Prompt Oculto” (Prompt Injection), uma tática invisível debatida por especialistas em segurança digital que consiste em tentar manipular decisões automatizadas. A ameaça teórica funciona de forma silenciosa e desafia a percepção humana tradicional. Na prática, fraudadores digitais utilizam brechas em sistemas de inteligência artificial para inserir comandos ocultos no fundo de arquivos de texto ou petições. Através de técnicas como a digitação de ordens com letras na mesma cor do fundo da página (como texto branco sobre papel digital branco) ou em tamanhos microscópicos, o conteúdo fica imperceptível para um juiz humano. No entanto, ao processar o documento, a Inteligência Artificial faz a leitura completa dos códigos e pode acabar absorvendo as instruções secretas. O foco dessa blindagem preventiva no Acre é proteger a ferramenta ADA, a assistente virtual de inteligência artificial desenvolvida pelo TJAC para otimizar os fluxos de trabalho, realizando a triagem e o resumo de milhares de páginas processuais. Com o protocolo, o tribunal evita que eventuais tentativas de “Prompt Oculto” façam a ADA desconsiderar argumentos de uma das partes ou sugerir minutas de decisões tendenciosas de maneira automática. A segurança garante que o resumo mastigado que chega à tela do magistrado seja totalmente fiel aos fatos, sem qualquer risco de interferência digital externa. Ao adotar o PSPIJ, a Justiça do Acre cria uma espécie de alfândega eletrônica antes mesmo que os arquivos protocolados cheguem ao “cérebro” da robô ADA. A partir de agora, o sistema realiza uma varredura automática nos documentos judiciais, utilizando filtros de contraste capazes de identificar textos camuflados ou técnicas de ocultação de caracteres. Além disso, o mecanismo limpa os metadados dos arquivos e impede que instruções externas se sobreponham às diretrizes institucionais estabelecidas pelo tribunal.