China e Brasil estão entre fundadores de nova organização global de IA
22 Jul, 2026
Resumo Entre 17 e 20 de julho, a Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026 e Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA foi realizada em Xangai, na China. O encontro reuniu representantes de mais de 100 países e organizações internacionais e reforçou a cooperação em inteligência artificial entre a China, o Brasil e outras nações do Sul Global. Sob o tema "Parceiros Inteligentes, Criando o Futuro Juntos", o evento discutiu caminhos para promover o desenvolvimento ético e inclusivo da IA. O presidente chinês, Xi Jinping, compareceu à cerimônia de abertura e proferiu o discurso principal intitulado "Construir em conjunto um sistema justo e razoável para a governança global da IA". Ele apresentou de forma abrangente e sistemática a postura política e as propostas da China sobre o desenvolvimento e a governança da IA sob quatro pilares: desenvolvimento, segurança, civilização e governança. Atualmente, a nova onda da revolução científica e transformação industrial, liderada pela IA, avança em ritmo acelerado, remodelando os modelos de desenvolvimento socioeconômico de maneira inédita, além de trazer novas oportunidades e desafios para a governança global. Como defensora ativa e pioneira na capacitação em IA, a China defende uma abordagem voltada para as pessoas e focada no bem comum. Devemos assegurar que a IA seja uma força motriz importante para a prosperidade compartilhada e segurança comum, promovendo um sistema justo e razoável para a governança global da IA — iniciativa que obteve ampla e positiva repercussão internacional. Cultivo ativo de um ecossistema de inovação aberto A inovação é o motor central do avanço da IA. A China combina a atuação de um mercado eficiente com a gestão de um governo proativo para fortalecer a inovação científica e tecnológica, impulsionando ativamente o plano "IA+". Como resultado, o valor do setor central da economia inteligente no país já ultrapassou a marca de 1 trilhão de yuans. Apostando em uma inovação aberta e colaborativa, a China incentiva o código aberto, o compartilhamento e a cooperação, consolidando-se como uma grande colaboradora de softwares e modelos abertos. O volume acumulado de downloads dos grandes modelos abertos chineses ocupa o primeiro lugar no ranking mundial. Modelos de código aberto representativos, como DeepSeek e Qwen (Tongyi Qianwen), reduziram drasticamente as barreiras de entrada e os custos de uso da IA, permitindo que diversos países, em especial os em desenvolvimento, se beneficiem da onda de transformação digital. A China utiliza o ecossistema open-source como um elo para discutir inovação, acelerar a aplicação prática de resultados e construir um ecossistema inclusivo, fazendo com que os dividendos tecnológicos alcancem mais nações e povos. Prioridade equilibrada entre desenvolvimento e segurança Nos últimos anos, determinados países ergueram "pequenos quintais com muros altos" em áreas críticas da IA — como algoritmos centrais, capacidade computacional de alto desempenho e dados estratégicos. Essas ações buscam consolidar assimetrias tecnológicas e disparidades de desenvolvimento por meio de regras injustas, privando os países em desenvolvimento do direito de progredir e alcançar avanços científicos. A China defende a busca simultânea pelo desenvolvimento e pela segurança. Ao mesmo tempo em que acelera os avanços em IA, o país aprimora continuamente suas leis, regulamentos, políticas, diretrizes de aplicação e padrões éticos, garantindo que a IA seja segura, confiável e controlável. Como destacou o presidente Xi Jinping, a IA deve ser uma ferramenta confiável para a humanidade: é preciso atenção rigorosa aos riscos, prevenção contra abusos e garantia de que a tecnologia permaneça sob controle humano. Paralelamente, deve-se combater a generalização do conceito de segurança nacional e a tentativa de sobrepor a segurança de um único país à dos demais. Aprimoramento da governança global da IA A inteligência artificial é fruto da sabedoria coletiva e um patrimônio valioso de toda a humanidade. Seu avanço e aplicação jamais devem corroer ou prejudicar a diversidade civilizacional e as identidades culturais das nações. É fundamental moldar os valores da IA com base nos valores universais da humanidade, utilizando a tecnologia para promover o respeito, a inclusão e o aprendizado mútuo entre diferentes civilizações. É necessário praticar um multilateralismo genuíno, fortalecendo o papel central da ONU na coordenação de estratégias de desenvolvimento, regras de governança e padrões técnicos, rumo a um arcabouço de governança global amplamente aceito. Deve-se ampliar a cooperação internacional para ajudar os países do Sul Global a fortalecerem suas capacidades, superando o fosso digital e promovendo o desenvolvimento sustentável, de modo a evitar novas injustiças históricas na era da IA. Como uma grande nação responsável, a China está sempre comprometida a oferecer bens públicos internacionais na área da IA. O país propôs a Iniciativa Global para a Governança da IA, impulsionou a aprovação por consenso da Resolução da Assembleia Geral da ONU sobre aumentar a cooperação internacional na capacitação em IA e lançou o Plano de Ação para o Desenvolvimento de Capacidades em IA para o Bem de Todos e a Iniciativa de Cooperação Internacional "IA+". Nos próximos 5 anos, a China vai oferecer 5.000 oportunidades em programas de capacitação e seminários sobre a IA para países em desenvolvimento; criar Centros Internacionais de Cooperação para a Aplicações da IA com a ASEAN, a Liga dos Estados Árabes, a União Africana, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a Organização de Cooperação de Shanghai e o BRICS; facilitar a 30 países o uso do "Mazu", sistema de alerta meteorológico movido por IA. Sendo os maiores países em desenvolvimento dos Hemisférios Oriental e Ocidental e membros de destaque do Sul Global, China e Brasil possuem amplas perspectivas de cooperação na evolução e governança da IA. Durante a conferência, 29 países — incluindo China e Brasil — assinaram oficialmente o acordo de fundação da Organização Mundial para a Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), tornando-se seus membros fundadores. Trata-se da primeira organização internacional intergovernamental dedicada à IA no mundo. Sua criação responde aos anseios do Sul Global por autonomia tecnológica e desenvolvimento inclusivo, além de ampliar significativamente a representatividade e a voz dos países em desenvolvimento na governança global da IA. Rumo ao futuro, a China adotará uma postura ainda mais aberta, ações mais práticas e uma visão de longo prazo para enfrentar oportunidades e desafios em conjunto com o Brasil e a comunidade internacional. Devemos sempre guiar a IA pela sabedoria humana e pelo consenso internacional, tornando-a uma grande força positiva que fomente o bem-estar de toda a humanidade e o avanço da civilização humana. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.