De rodas a assentos: veja como o Grupo VW quer simplificar até 90% seu catálogo de peças
28 Jul, 2026
Depois de muitas décadas de alta rentabilidade, a China deixou de ser uma mina de ouro para as montadoras tradicionais. Há alguns anos, praticamente todas as marcas ocidentais vêm perdendo espaço no maior mercado automotivo do mundo. E não se trata apenas do fim dos tempos de bonança. A ascensão meteórica das marcas chinesas também começa a ter impacto perceptível em outras partes do mundo. No mês passado, grupos como SAIC, BYD e Geely alcançaram participação combinada de 10,9% no mercado europeu de carros novos, segundo dados da Dataforce citados pela Automotive News Europe. Montadoras tradicionais tentam reagir com uma rápida ofensiva de novos modelos, mas sabem que isso não será suficiente para atender às expectativas de executivos e investidores. Medidas drásticas de corte de custos são necessárias, e o Grupo Volkswagen tem sido um dos mais enfáticos ao explicar como pretende se tornar uma fabricante mais enxuta e eficiente. A empresa anunciou planos para praticamente desmontar parte de seu portfólio de produtos, eliminando até metade de seus modelos. O calvário do Grupo VW Os modelos que devem ser cortados pelo Grupo Volkswagen até 2030 Volkswagen quer cortar 100 mil empregos no mundo inteiro Como se isso já não fosse preocupante o suficiente, o grupo também pretende cortar em impressionantes 75% o número de opções disponíveis. Em um documento oficial preparado para investidores após a divulgação de seus resultados semestrais, o conglomerado automotivo alemão detalha como pretende simplificar radicalmente a variedade de componentes. Redução da variedade de componentes do Volkswagen Group Foto por: Volkswagen Marcas generalistas e de luxo serão afetadas BGC se refere às montadoras que compõem o Brand Group Core: Volkswagen, Skoda, SEAT, Cupra e Volkswagen Veículos Comerciais. Para essas marcas, o plano é reduzir em até 60% a variedade de componentes dos faróis. O grupo também quer cortar pela metade o número de peças dos para-choques dianteiros e reduzir em 30% a quantidade de módulos principais dos bancos. BGP é a sigla para Brand Group Progressive e inclui Audi, Bentley e Lamborghini. O catálogo de peças dessas marcas de alto padrão também será simplificado, com corte de 90% na variedade de componentes dos bancos e redução de 60% no número de volantes. Ao mesmo tempo, as opções de rodas de liga leve serão reduzidas à metade em relação à oferta atual. A Porsche é a única integrante da divisão Brand Group Sport Luxury, e aparentemente ficará de fora desses cortes. Ainda assim, o cenário não é exatamente positivo em Zuffenhausen. Ontem mesmo, a empresa anunciou planos para eliminar 5.000 empregos até 2035. Os bônus de Natal serão reduzidos de até 100% de um salário mensal para 60%, enquanto novos aumentos salariais foram adiados até 2035. Com a recente venda de sua participação na joint venture Bugatti Rimac, a Porsche encerra os laços da marca de Molsheim com o Grupo Volkswagen, do qual fazia parte desde 1998. Redução da capacidade de produção do Volkswagen Group Foto por: Volkswagen Cortes na produção Além de reduzir sua linha de modelos em até 50% e cortar em 75% a variedade de peças, o Grupo Volkswagen também está diminuindo sua capacidade de produção. A empresa já fechou a fábrica de Bruxelas, na Bélgica, onde o Audi Q8 E-Tron e o Q8 Sportback E-Tron eram produzidos até 2025. Já a planta de Dresden, que no passado fabricou o Phaeton e depois o ID.3, foi transformada em um campus tecnológico. Em outras regiões, as unidades de Nanjing, Ningbo I e Urumqi, na China, já foram fechadas ou estão em processo de encerramento das operações. O Grupo Volkswagen também está reduzindo a produção em seis fábricas na Alemanha e duas na China: Wolfsburg, Ingolstadt, Zwickau, Neckarsulm, Emden, Hannover, Anting I e Changchun I. Essas medidas reduzem a capacidade anual de produção de 12 milhões para 10 milhões de veículos. Ainda assim, a empresa afirma que precisa cortar mais 500 mil unidades na Europa e outras 500 mil na China para levar a capacidade anual total a 9 milhões de veículos. Redução do portfólio de produtos do Volkswagen Group Foto por: Volkswagen Análise do Motor1: O Grupo Volkswagen já se orgulhou de oferecer uma enorme variedade de modelos e uma extensa lista de opcionais, mas essa fase está chegando ao fim. Manter uma linha tão complexa já não basta para preservar a rentabilidade, o que torna cortes profundos uma necessidade urgente em meio ao avanço da concorrência. É possível dizer com segurança que os configuradores online ficarão bem mais simples nos próximos anos, já que todos os sinais apontam para um movimento sem precedentes de padronização por parte de um grupo que já foi considerado praticamente imbatível na indústria automotiva. Leia mais: CEO da VW diz que problema do grupo são carros que não lucram o suficiente Segundo economistas, grupo Volkswagen pode acabar na mão dos chineses VW ID. Cross nasce de olho nos chineses e antecipa o que esperar do Projeto Saga Volkswagen registra no Brasil patentes de SUV elétrico chinês feito com a Xpeng