IA pode acelerar desenvolvimento de países emergentes, diz Banco Mundial
4 Aug, 2026
A inteligência artificial poderia permitir que os países em desenvolvimento alcançassem um século de avanço em uma década, caso tomem medidas rápidas para suprir as lacunas em energia, conectividade e qualificação profissional, afirmou o Banco Mundial em um relatório divulgado nesta terça-feira. A perda generalizada de empregos devido à IA também representa uma ameaça menor para as economias emergentes, concluiu o relatório, acrescentando que as economias em desenvolvimento têm mais a ganhar e menos a temer do que as nações mais ricas. “A IA lançou uma tábua de salvação às economias em desenvolvimento, e elas devem aproveitá-la”, afirmou Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, em comunicado que acompanha o relatório. Empresas em todo o mundo estão gastando bilhões para aproveitar a revolução da IA que se aproxima, enquanto os governos se esforçam para garantir que seus países colham os benefícios. Para muitas empresas e países, o desafio será construir centros de dados -- que consomem muita energia -- e encontrar fontes de geração energética para sustentá-los. Mas Gill afirmou que as economias emergentes não precisam de recursos vultosos nem de grandes modelos de linguagem personalizados para se beneficiarem. “Ao adaptar ferramentas de IA pequenas e de baixo custo às condições locais, elas podem colocar melhores cuidados médicos, educação, serviços judiciais e extensão agrícola ao alcance de milhões de pessoas”, disse Gill. Profissionais de saúde poderão usar a IA para agilizar diagnósticos, professores para aprimorar planos de aula e agricultores para determinar o que plantar e quando. O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que a IA poderia impulsionar a economia da África Subsaariana em cerca de 4% na próxima década, sob as circunstâncias certas. Menos empregos em risco, mas com grandes desafios A IA generativa tem três vezes mais chances de ameaçar empregos em países ricos, onde 14,2% dos empregos estão em risco, do que em países de baixa e média renda, onde 4,5% estão expostos, segundo o relatório. A proporção de empregos que devem se beneficiar de ganhos significativos de produtividade também é semelhante: 16,2% nas economias em desenvolvimento e 18,7% nos países de alta renda. O relatório afirma que os governos devem melhorar o acesso à eletricidade e à internet, aprimorar as habilidades digitais e ampliar o acesso a smartphones e dispositivos de computação. Ele alertou, no entanto, que a IA poderia trazer “maior desigualdade de renda, desinformação mais dissimulada e repressão política”. Mas o custo de ficar de fora seria grave, segundo o Banco Mundial. “As economias em desenvolvimento de hoje perderam a Primeira Revolução Industrial e passaram os dois séculos seguintes pagando o preço”, disse Gill. “Elas não podem se dar ao luxo de perder esta.” Conteúdo distribuído por Reuters