Como peça de 500 kg fez o crime mirar os carros elétricos no Brasil
5 Aug, 2026
Resumo O avanço dos carros eletrificados no Brasil trouxe um efeito colateral comum no país: a disparada nos roubos e furtos desses veículos. Os criminosos vêm sendo movidos principalmente pela facilidade de recarregá-los em locais ermos e, cada vez mais, pelo valor das baterias de alta tensão no mercado paralelo de peças. Entre janeiro e maio de 2026 o estado de São Paulo registrou 107 ocorrências contra carros elétricos e híbridos, ante 53 no mesmo período de 2025 — alta de 101%, segundo levantamento da Ituran Brasil com base em dados oficiais. O ritmo supera o crescimento da própria frota: dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que o número de eletrificados em circulação subiu 71,7% no mesmo intervalo, de 445,9 mil para 765,9 mil unidades. A capital paulista concentra a maior parte dos casos, com 74 registros, e o perfil do crime mudou: em 2026, os furtos passaram a responder por 85% das ocorrências, ante 15% de roubos. No Rio de Janeiro, o Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Resseguros e de Capitalização dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Sindseg) aponta que a frequência de roubo e furto de elétricos e híbridos plug-in chegou a 3,85% da frota segurada — quase o dobro dos 2,17% registrados entre os carros a combustão. De olho nas baterias No caso do desmanche, o principal atrativo é a bateria de alta tensão, que traciona e é o componente mais caro do veículo. No BYD Dolphin, hatch de cerca de R$ 150 mil, a reposição do conjunto de 44,9 kWh é estimada acima dos R$ 70 mil— aproximadamente metade do valor do carro. No Renault Kwid E-Tech, a troca da bateria de 26,8 kWh fica entre R$ 40 mil e R$ 50 mil, cerca de 40% do preço do modelo, enquanto no GWM Ora 03, mais moderno, o custo de reposição é equivalente ao do rival da BYD. É essa relação entre preço e demanda que alimenta o comércio ilegal: a reportagem do UOL Carros encontrou baterias usadas à venda na internet, em marketplaces, por menos de 20% do valor de tabela e sem qualquer menção à comprovação de origem. São anúncios de baterias principalmente da BYD, que variam de cerca de R$ 17 mil a R$ 35 mil. Itens que, segundo especialistas, tanto podem ser oriundos de veículos sinistrados como de exemplares roubados e furtados. Ao contrário do que circula nas redes sociais, entretanto, os criminosos não retiram a bateria do carro estacionado na rua. Isso porque o conjunto de células fica alojado no assoalho, integrado à estrutura do veículo, fixado por dezenas de parafusos e conectado ao sistema de alta tensão, que opera acima de 400 volts. A remoção exige desenergização do circuito, ferramentas isoladas, elevador e plataforma de apoio para sustentar o pacote, que pesa de 300 kg a 500 kg conforme o modelo — mais que um motor a combustão completo. Qualquer erro no manuseio pode causar choque fatal ou incêndio, riscos que inviabilizam a operação na via pública. Por isso, o método envolve roubar o veículo inteiro e levá-lo a galpões clandestinos, onde a desmontagem é feita com tempo, elevador e equipe. No Brasil, há registros até de quadrilhas que instalam ligações irregulares de energia nos desmanches para manter carregados os carros que chegam com bateria baixa após a fuga, à espera do desmonte. Para o consumidor, o reflexo já aparece no seguro: com a frequência de sinistros em alta, seguradoras tendem a repassar o risco ao preço das apólices dos eletrificados, que segue aumentando acima da média dos carros a combustão, indica levantamento da Creditas Seguros em 11 capitais do Brasil. UOL Carros recomenda Carros mais baratos do Brasil: confira as 10 opções 0 km com menor preço - Leia mais Só ia para a igreja! VW Brasília fica 41 anos em garagem e continua zerada - Leia mais Bombou nas redes Que fim levou SUV usado por Elize Matsunaga para levar corpo de empresário - Leia mais Carros mais vendidos do Brasil: top 10 do ranking tem 3 elétricos chineses - Leia mais Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.