Aproximação entre ciência e público com jogos, curiosidades e debates na SBPC | Portal Fiocruz
6 Aug, 2026
Com atividades diversificadas, a Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), junto a outras unidades da instituição, integrou a programação do estande da Fiocruz na 78a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói (RJ), de 27 de julho a 1o de agosto. Durante os seis dias de evento, equipes de programas e áreas estratégicas da VPPCB apresentaram ao público, de forma lúdica e interativa, temas relacionados às doenças infecciosas, obesidade, saúde coletiva, inovação tecnológica, biodiversidade, pesquisa translacional e coleções biológicas. A vice-presidente da pasta, Alda Cruz, destacou a importância das ações de popularização e divulgação científica para aproximar a sociedade da produção científica e incentivar a participação de jovens na pesquisa, especialmente de mulheres e meninas racializadas. Para ela, a participação da Fiocruz na SBPC é uma oportunidade de ampliar a divulgação científica, aproximando a ciência da sociedade. O Gabinete de Curiosidades das coleções biológicas Responsáveis pela salvaguarda e preservação de importantes acervos científicos, profissionais da área das Coleções Biológicas da Fiocruz levaram à SBPC Jovem o Gabinete de Curiosidades, uma atividade inspirada nos antigos gabinetes científicos que aproximou visitantes de diferentes idades das coleções institucionais. Por meio de modelos didáticos, foram apresentadas as cinco tipologias do acervo biológico da Fiocruz – microbiológicas, zoológicas, histopatológicas, botânicas e arqueopaleontológicas –, permitindo ao público conhecer fungos, bactérias, vírus, protozoários, insetos, moluscos e representações de amostras anatomohistopatológicas (de tecidos e células do corpo humano), arqueológicas e paleontológicas. Entre as atrações, foi exposta a cepa histórica original de Penicillium notatum, fixada em resina e utilizada para contar a história da descoberta da penicilina, antibiótico usado contra infecções bacterianas. Também foram exibidas amostras de fungos relacionados à esporotricose e exemplares utilizados para explicar doenças como a toxoplasmose. Para Emanuele de Abreu, estudante de 14 anos do oitavo ano do ensino fundamental, a Reunião da SBPC foi uma forma divertida de aprender mais sobre o que é ensinado em sala de aula. Ela disse que nunca tinha visto um microscópio de perto e que, depois da experiência, pretende cursar medicina. Simone Quinelato, curadora da Coleção de Fungos Filamentosos da Fiocruz, disse que iniciativas como essa aproximam da sociedade o trabalho desenvolvido nos laboratórios e tornam o conhecimento científico mais acessível. "A atividade permite desmistificar os fungos, mostrando que eles desempenham um papel fundamental para a vida, a saúde e a alimentação. Também estimula uma compreensão mais ampla sobre a relação entre biodiversidade, ciência e ação humana", ressaltou. Biodiversidade nos laboratórios, marcos legais e soberania Do laboratório ao território, o controle do mosquito Aedes aegypti; os recursos naturais como patrimônio da humanidade; os novos medicamentos; os povos e comunidades como guardiões da biodiversidade; e os marcos legais para o uso de informações de sequências digitais (DSI, sigla em inglês) foram temas discutidos na mesa-redonda ‘Da Biodiversidade à saúde pública: produtos naturais emergentes e marcos legais’. Participaram do debate Laila Espinola, professora da UnB e membra da Diretoria da SBPC; Tiago de Araújo, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Manuela da Silva, coordenadora geral de Biobancos e Coleções Biológicas e assessora de Patrimônio Biológico da VPPCB; e Keila Elizabeth Juarez, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa. Ao falar sobre os marcos legais sobre informações de sequências digitais, Manuela da Silva destacou a Lei 13.123, de 2015. Este documento estabelece regras para o acesso ao patrimônio genético brasileiro e aos conhecimentos tradicionais e associados. Ela também tratou das informações de sequências genéticas disponibilizadas em bancos de dados públicos. Manuela apresentou ainda os principais marcos do debate sobre as DSI e a repartição de benefícios no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e de suas conferências das partes (COPs). Ela lembrou que, em 2020, foi criada a Rede Científica de DSI, que conta com 100 pesquisadores e desempenha papel importante para que os formuladores de políticas públicas compreendam o tema. Jogos educativos e promoção da saúde O Programa de Pesquisa Translacional apresentou materiais digitais e jogos educativos, como o Ache aqui, voltados à promoção da alimentação saudável e à conscientização sobre os impactos do consumo de alimentos ultraprocessados no desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Segundo Mariana Belo, coordenadora do Fio-PromoS, a iniciativa busca estimular hábitos alimentares saudáveis, especialmente entre crianças e jovens, utilizando recursos interativos que facilitam o aprendizado e a reflexão sobre saúde. Outra atividade apresentada foi o jogo Diversus, desenvolvido pelo projeto Nada por Nós sem Nós, vinculado ao Programa de Políticas Públicas e Modelos de Atenção e Gestão à Saúde (PMA). A ferramenta promove discussões sobre saúde mental, diversidade e inclusão entre adolescentes, abordando temas como racismo, LGBTfobia, saúde menstrual e outros desafios vivenciados pela juventude. De acordo com Lais Mariano, da Fiocruz Ceará, esta é uma forma de incentivar a reflexão e ampliar o acesso dos jovens à ciência e à promoção da saúde mental.