Estilo dos Bolsonaro selou isolamento de Flávio e maior tempo de TV a Lula
6 Aug, 2026
Estilo dos Bolsonaro selou isolamento de Flávio e maior tempo de TV a Lula Resumo Foi o estilo bélico, controlador e isolacionista da família Bolsonaro que acabou abrindo caminho para que o presidente Lula refizesse pontes valiosas com partidos do centrão, levando o primogênito de seu antecessor, Flávio (PL-RJ), a um cenário de solidão partidária e desvantagem no cálculo de tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. Progressistas, União Brasil e Republicanos, os três partidos que deram sustentação ao governo Jair Bolsonaro, decidiram declarar neutralidade na corrida presidencial. Na prática, a medida não só restringiu drasticamente as opções do PL para a posição de vice na chapa de Flávio, como garantiu vantagem de exposição a Lula durante as eleições. Ironicamente, foi o comportamento dos Bolsonaro que pavimentou uma reaproximação do petista com o centrão. Nos bastidores, dirigentes e líderes dessas legendas elencam um novelo de episódios nos quais ou foram solenemente ignorados ou destratados pela família—e de público. Lula sentiu cheiro de sangue quando Flávio chutou a canela de Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do Progressistas alvo de busca e apreensão no caso Master. A rápida tentativa do "01" de se dissociar do antigo aliado bateu quadrada e soou desleal. Mas a coisa já não vinha bem. Antes disso, Ciro havia sido alvo de ataques nas redes coordenados por Eduardo Bolsonaro por criticar a operação nos Estados Unidos que culminou com um tarifaço contra o Brasil. Eduardo disse que Ciro defendia "interesses pessoais". Lula buscou interlocutores, como Arthur Lira —que se autodenomina como o único político do Brasil que toma "café com Lula e janta com Bolsonaro"— e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Acenou com um armistício contra Ciro nas eleições —ele tentará novo mandato de senador no Piauí, onde o petista teve quase 77% dos votos válidos em 2022. Cenário semelhante selou o ranço do União Brasil, que viu um de seus quadros ao Senado no Rio ser rifado pela família após batida da PF, ainda que seja extensa a lista de aliados dos Bolsonaro enrolados com a Justiça, a começar pelo ex-governador do Estado, Cláudio Castro. Nos bastidores, são fartos relatos de situações que levaram aliados a afirmarem que "se não pensar como eles, somos atacados". "Não nos escutam, não nos consultam, nunca fizeram nada por ninguém que não fosse 200% alinhado. Deixe que façam como quiserem", declarou um dirigente do centrão à coluna. O Republicanos, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi cortejado até o final. Fez uma consulta interna. Dezessete diretórios optaram pela neutralidade. A decisão foi comunicada no início desta semana ao PL, que nem tentou reverter o veredito. Os tempos de propaganda destinados a Progressistas, Republicanos e União Brasil na disputa pelo Planalto serão somados e divididos proporcionalmente pelos partidos que têm candidatos respeitando os tamanhos de cada bancada. Como Lula conseguiu atrair outras legendas além do PT, como o PSB, por exemplo, terá mais propaganda do que Flávio. Mas mais do que isso, o não apoio a Flávio sinaliza desconfiança na viabilidade de sua candidatura —e disposição de deixar o caminho aberto para compor, logo de saída, uma aliança com quem vencer a eleição, seja quem for. Centrão raiz. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.