Netflix, Disney+ e Prime Video freiam reajustes com consumidor perto do limite
24 Aug, 2026
Netflix, Disney+ e Prime Video freiam reajustes com consumidor perto do limite Reajuste médio das assinaturas caiu de 24% para 14% em dois anos; publicidade reduz dependência de novos aumentos Netflix, Disney+ e Prime Video estão pisando no freio nos reajustes de suas assinaturas. Os aumentos continuam, mas ficaram consideravelmente menores nos últimos dois anos, sinal de que as maiores plataformas do setor estão se aproximando do limite que o consumidor aceita pagar pelo streaming. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (24) pela Ampere Analysis mostra que o reajuste médio aplicado pelos três serviços equivalia a 24% do preço anterior no ciclo 2023/24. Em 2025/26, a proporção caiu para 14%. Em valores absolutos, a desaceleração foi menos acentuada. O aumento médio passou de US$ 1,67 (cerca de R$ 9,10 na cotação atual) para US$ 1,54 (R$ 8,40). No período intermediário, de 2024/25, o reajuste ficou em US$ 1,62, equivalente a 17% do preço cobrado anteriormente. Na avaliação da Ampere, a tendência indica que a combinação entre maturidade, maior concorrência e saturação dos principais mercados deixou menos espaço para aumentos agressivos. Em vez de depender apenas da mensalidade, as empresas passaram a buscar outras maneiras de extrair receita de suas bases de usuários. Planos sem anúncios ficam cada vez mais caros Uma das estratégias está na publicidade. Nos últimos três anos, os reajustes dos planos sem comerciais foram maiores que os aplicados às opções com propaganda. Enquanto as modalidades sem anúncios tiveram aumento médio de US$ 1,62, aquelas financiadas parcialmente pela publicidade subiram US$ 1,21. Como consequência, cresceu a distância entre as duas opções. Nos mercados em que os três serviços oferecem planos com anúncios, a diferença média para as assinaturas sem comerciais passou de US$ 4,53 no ciclo 2023/24 para US$ 5,35 em 2025/26. A Netflix é um dos exemplos mais evidentes. Nos Estados Unidos, a diferença entre os planos Padrão com anúncios e Padrão saltou de US$ 8,50 em agosto de 2023 para US$ 11 em julho deste ano. A lógica é financeira: manter uma assinatura com propaganda relativamente barata ajuda a atrair e reter clientes, enquanto a plataforma também recebe dos anunciantes. Ao mesmo tempo, quem deseja assistir sem interrupções passa a pagar um prêmio cada vez maior. Disney+ foi quem mais pisou no freio Entre as três plataformas analisadas, o Disney+ apresentou a mudança mais acentuada. O reajuste médio do serviço caiu de US$ 1,86, ou 31%, em 2023/24 para US$ 1,45, equivalente a 13%, no ciclo mais recente. Considerando os três anos analisados, a Netflix registrou o maior aumento médio em valores absolutos, de US$ 1,73, correspondente a 16% do preço anterior. No Disney+, foram US$ 1,53 e 17%. Já o Prime ficou em US$ 1,47 e 30%. A Amazon, porém, realizou menos reajustes durante o período. Para a Ampere, isso provavelmente está relacionado ao modelo do Prime Video, inserido em uma assinatura mais ampla que também reúne benefícios do comércio eletrônico e outros serviços oferecidos pela companhia. A Europa Ocidental foi a região que mais sofreu com os aumentos nos últimos três anos, com reajuste médio de US$ 1,86, ou 16%. Na América do Norte, foram US$ 1,70 e 15%. Europa Central e Oriental aparecem na sequência, com US$ 1,68 e 18%. Jaanika Juntson, gerente sênior de pesquisa da Ampere Analysis, afirma que a publicidade ganhou importância justamente no momento em que as plataformas passaram a depender menos de aumentos de preço. A ofensiva contra o compartilhamento de senhas também abriu uma nova fonte de receita por meio da cobrança de membros extras.