Geely EX2 põe eletrificação à prova no uso urbano

admin
28 Aug, 2026
Elétrico de 289 quilômetros de autonomia mostra avanços do segmento, enquanto infraestrutura de recarga ainda pesa nas viagens Por Sérgio Dias – de São Paulo O avanço dos veículos elétricos no Brasil começa a ultrapassar a discussão sobre a chegada de novas marcas e passa a envolver questões mais próximas da rotina do consumidor: quanto custa entrar nesse mercado, onde carregar e até que distância é possível viajar sem transformar a recarga em parte central do planejamento. Foi nesse contexto que avaliei o Geely EX2 , modelo oferecido nas versões Pro, por R$ 123.800,00, e Max, por R$ 136.800,00, com motor traseiro de 116 cv e 150 Nm, bateria de 39,4 kWh e autonomia de 289 quilômetros pelo Inmetro. Geely EX2 é oferecido nas versões Pro, por R$ 123.800,00, e Max, por R$ 136.800,00 A chegada do EX2 também ocorre enquanto fabricantes chineses ampliam sua participação no mercado brasileiro e avançam em direção à produção local . O modelo encontra concorrentes como BYD Dolphin Mini e Dolphin, Chevrolet Spark EUV e GAC Aion UT, que procuram ampliar o acesso à propulsão elétrica em faixas inferiores às ocupadas pelos primeiros elétricos comercializados no país. A produção nacional do Geely no Complexo Ayrton Senna, no Paraná, acrescenta uma dimensão industrial a essa disputa e insere o modelo no processo de transformação da cadeia automotiva brasileira. Com 4,135 metros de comprimento, 1,805 metro de largura e 2,650 metros de entre-eixos, o EX2 transporta cinco ocupantes e procura aproveitar o espaço disponível com dois compartimentos para bagagem. São 375 litros na traseira, ampliáveis para 1.320 litros com os bancos rebatidos, e outros 70 litros sob o capô. As versões Pro e Max compartilham bateria LFP, tração traseira, suspensão independente nas quatro rodas, seis airbags e central multimídia de 14,6 polegadas. A Max acrescenta sistemas de assistência ao motorista, câmera 540 graus e outros equipamentos. Elétrico na cidade Foi principalmente no trânsito da Região Metropolitana de São Paulo que procurei entender o que esses números representam. Em vez de organizar uma viagem de centenas de quilômetros para testar os limites da bateria, concentrei a avaliação nas atividades que fazem parte do meu cotidiano. Também percorri alguns trechos rodoviários, mas os deslocamentos ficaram pouco acima dos 60 quilômetros. Dessa maneira, consegui avaliar o automóvel sem fazer da procura por carregadores o principal assunto do teste. A central multimídia de 14,6 polegadas trabalha com painel digital de 8,8 polegadas e conectividade para smartphones É justamente na cidade que algumas características da propulsão elétrica ficam mais evidentes. O torque está disponível desde o acionamento do acelerador, não existem trocas convencionais de marcha e a regeneração permite recuperar parte da energia durante as desacelerações. No EX2, a tração traseira e a suspensão independente nas quatro rodas acrescentam características pouco comuns nessa faixa de mercado, enquanto o raio de giro de 4,95 metros facilita manobras em ruas, estacionamentos e garagens. Os 116 cv e 150 Nm atendem a essa proposta sem transformar desempenho no elemento central do veículo. O EX2 acelera de zero a 100 km/h em 10,2 segundos e alcança 140 km/h. Os modos Eco, Comfort e Sport alteram as respostas conforme a utilização. No trânsito urbano, porém, considero mais relevante a disponibilidade imediata do torque para acompanhar o fluxo, sair de cruzamentos e administrar o constante movimento entre aceleração e desaceleração. Recarga ainda pesa A autonomia de 289 quilômetros precisa ser analisada dentro dessa mesma realidade. Para quem pode carregar o automóvel em casa ou no trabalho e percorre distâncias urbanas diariamente, esse alcance permite reduzir a dependência da rede pública. A bateria admite carregamento rápido em corrente contínua de até 70 kW e pode passar de 30% para 80% em aproximadamente 21 minutos, nas condições indicadas pela fabricante. Em corrente alternada, a potência chega a 6,6 kW. A rotina urbana também mostrou a utilidade dos dois porta-malas: o compartimento traseiro de 375 litros atende às necessidades cotidianas Minha experiência com o EX2 também colocou em evidência uma questão que ultrapassa o próprio veículo. Ainda não me sinto plenamente seguro para fazer viagens mais longas dependendo da infraestrutura pública de carregamento. Reconheço que essa rede avançou e continua evoluindo, mas a disponibilidade, localização e funcionamento dos pontos ainda fazem parte do planejamento de quem decide deixar os centros urbanos com um elétrico. Essa percepção não é uma deficiência específica do Geely, mas uma condição que influencia a utilização desse tipo de automóvel. Foi justamente por isso que preferi permanecer na Região Metropolitana. A decisão permitiu observar o EX2 em um ambiente no qual a autonomia deixou de ocupar meus pensamentos durante a condução. Essa diferença é importante: quando a bateria disponível supera com margem a distância prevista para o dia, o motorista passa a prestar atenção no veículo, no trânsito e nos compromissos, e não na localização do próximo carregador. Espaço ganha função A rotina urbana também mostrou a utilidade dos dois porta-malas. O compartimento traseiro de 375 litros atende às necessidades cotidianas, enquanto os 70 litros sob o capô criam uma área adicional para objetos que podem permanecer separados da bagagem principal. Há ainda 28 litros sob o banco traseiro e porta-luvas em formato de gaveta com capacidade de 10 litros. Essa organização ajuda a explicar como os fabricantes procuram compensar as limitações físicas de automóveis compactos. A arquitetura elétrica permite redistribuir componentes e utilizar áreas que seriam ocupadas pelo motor a combustão. No EX2, essa solução não aparece apenas como argumento técnico: ela cria espaços que podem ser utilizados efetivamente pelo proprietário. A tecnologia segue a mesma orientação. A central multimídia de 14,6 polegadas trabalha com painel digital de 8,8 polegadas e conectividade para smartphones. Na versão Max, piloto automático adaptativo, alerta de mudança de faixa, frenagem automática de emergência e câmera panorâmica de 540 graus ampliam o pacote de assistência. A diferença entre as configurações permite ao consumidor escolher entre uma versão concentrada nos equipamentos essenciais e outra com maior conteúdo tecnológico. Produção muda cenário A futura produção do EX2 no Paraná acrescenta outro elemento à análise. O crescimento dos elétricos no Brasil não depende somente da quantidade de carros vendidos. Ele envolve fábricas, fornecedores, infraestrutura energética, qualificação profissional e decisões de investimento. A nacionalização de modelos originalmente importados passa, portanto, a integrar uma transformação industrial que poderá influenciar preços, disponibilidade de peças e participação dos eletrificados no mercado. Ao concluir minha avaliação, três pontos ficaram em evidência. O primeiro é a praticidade no ambiente urbano, onde dimensões, raio de giro e propulsão elétrica trabalham a favor da utilização cotidiana. O segundo é o aproveitamento do espaço, com 375 litros no porta-malas traseiro e outros 70 litros dianteiros. O terceiro é o conjunto formado pela tração traseira e suspensão independente nas quatro rodas. Como ponto que pode avançar, uma autonomia maior reduziria minha preocupação ao planejar percursos rodoviários mais longos. O EX2 também mostrou que a discussão sobre carros elétricos no Brasil já não pode ficar restrita a potência, autonomia ou tempo de recarga. A experiência cotidiana depende de onde o proprietário mora, quantos quilômetros percorre e se dispõe de carregamento próprio. Para o uso que fiz na Região Metropolitana de São Paulo, a eletrificação funcionou sem exigir mudança significativa na minha rotina. Para viagens maiores, continuo esperando que a rede pública avance até que procurar energia seja tão previsível quanto encontrar combustível hoje. É nesse encontro entre evolução do automóvel e infraestrutura disponível que considero estar uma das principais questões para a próxima etapa da eletrificação brasileira.