Lanternas recorre ao fatalismo para alegoria sombria sobre o sistema no Episódio 3
31 Aug, 2026
Estimated reading time: 4 minutos Dentre os vários tipos de histórias que Lanternas se propõe a ser, o episódio 3 instaura um pensamento sobre privilégio versus meritocracia que questiona a eficiência da escolha do anel. Será que os Guardiões realmente entendem as nuances da humanidade? Não, não entendem — ou simplesmente não se preocupam com isso. Na série da HBO , eles são uma clara analogia ao sistema que nos mantém como reféns. Quando a mãe de John é abordada por uma Guardiã que quer desfazer o trauma causado pela rejeição do patriarca da família à Tropa por uma casualidade, ela fala que não se vai até o quarto de um homem negro, com o filho recém-nascido no berço a poucos metros dele, e se pergunta do nada se ele tem medo, sem esperar ouvir um “ sim “. A rejeição a John Sr. , no entanto, não foi nada maquiavélica comparada a como os Guardiões forçaram os pais de John Jr. a tratá-lo obsessivamente como uma criança prodígio. O destino era virar um Lanterna Verde para dar orgulho aos pais, mas poderia ser trocar a infância para virar cantor, ator, jogador de futebol de sucesso ou até coisas mais acadêmicas, como médico ou engenheiro. Reprodução/DC Studios Adiciona uma camada a mais de profundidade você descobrir que a roteirista desse episódio é Vanessa Baden , antiga atriz mirim que fez a Kyra de Kenan & Kel dos 11 aos 15 anos. Entre o giz de cera e o uniforme, ela escreve sobre como a vontade de um menino fica em segundo plano por uma promessa macabra do sistema. Por causa de um anel, os Guardiões desestabilizaram a cabeça de um pai e agora, não contentes, desestabilizaram uma família inteira, forçando-os a pressionar um bebê que nunca teve escolha a superar as suas frustrações. Em tese, o que o núcleo do John pinta é que Hal só virou Lanterna Verde por ter o privilégio de ser um homem branco que pode ser destemido — mas sabemos que isso não é verdade, que tem mais a ver com a frustração que a família enfrenta. Reprodução/DC Studios Vai ser comum ver reações na internet culpando os pais de John pelo feito, mas o que eles fizeram além de tentar, do próprio jeito torto, proteger o filho? Seria um erro de julgamento muito grande não atribuir a culpa de toda essa catástrofe à baixa sensibilidade dos Guardiões, que gravemente são a autoridade de todo o cosmos. Como algo assim pode dizer o que é ou não justo, se nem conhece os pormenores da vida? Enfim, o grande mérito do excepcional episódio 3 de Lanternas é responder que os conceitos de meritocracia e privilégio são invenções de algo maior, que precisa de nossa crença para continuar existindo. Somos como marionetes para essa autoridade máxima que paira sobre a Terra e nos divide em classes, gêneros e raças. Como um bom noir , o capítulo se despede de forma fatalista, exibindo-nos a verdade e simplesmente não nos dando alternativa nenhuma para contorná-la. “ Esqueça, Jake. É Chinatown ” vira a aceitação de que o sistema é imperfeito, e entrar no jogo dele é o melhor que podemos fazer. Leia mais sobre Lanternas Siga o O Vício no Google e não perca nada sobre Cultura Pop! Lanternas: 12 revelações e referências do episódio 3 da série da DC Studios Lanternas: Conheça a origem sombria de John Stewart no DCU O post Lanternas recorre ao fatalismo para alegoria sombria sobre o sistema no Episódio 3 apareceu primeiro em O Vício .